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A Promotoria de Miami-Dade desclassificou uma volumosa e perturbadora coleta de evidências relacionadas ao assassinato do reguetonero cubano José Manuel Carvajal Zaldívar, conhecido artisticamente como El Taiger.
Mais de 1.200 fotografias, documentos judiciais e registros forenses foram incorporados como provas pelo Ministério Público do condado contra Damian Valdez Galloso, o único acusado pelo crime, que enfrenta acusações de assassinato em primeiro grau.
As imagens revelam de forma impactante detalhes inéditos da cena do crime, o interior da residência onde presumivelmente ocorreu o assassinato, e do veículo em que o artista foi transportado em estado crítico.
A casa de Hialeah: Sangue, cloro e câmaras desconectadas
A maioria das provas foi coletada dentro da casa de Valdez Galloso, em Hialeah, onde, segundo a investigação, o crime ocorreu na madrugada do dia 3 de outubro de 2024.
As fotografias mostram uma residência aparentemente normal, mas com sinais evidentes de uma cena alterada e limpa às pressas.
Em um dos cantos, observam-se toalhas manchadas, uma garrafa de alvejante meio vazia e um balde de esfregar com água turva, tudo disposto ao lado de roupas dentro de uma lavadora.
Além disso, foram encontrados no lixo frascos vazios de cloro industrial e baldes de produtos de limpeza descartados, o que reforça a hipótese de uma tentativa deliberada de limpar a cena.
Como parte das evidências apresentadas, constam comprovantes de compra de produtos de limpeza em uma loja Walgreens, onde o acusado supostamente teria adquirido os materiais utilizados para apagar vestígios do crime.
Entre as evidências mais comprometedoras estão dispositivos de segurança, incluindo uma câmera Ring, que estavam desconectados após o incidente.
Uma das câmeras de vigilância, localizada na porta da residência, foi encontrada caída no chão, supostamente arrancada intencionalmente para evitar a gravação do fato.
O veículo: Sangue no porta-malas, facas e joias
Um dos achados mais impactantes ocorreu no interior do Mercedes Benz GLC 300 preto com placa da Flórida JJWG55, veículo onde o artista foi encontrado às 8:00 da manhã do dia 3 de outubro.
O carro estava estacionado na NW 17th Ave, com o porta-malas aberto e uma das portas traseiras entreaberta. Ali, agentes da polícia encontraram El Taiger agonizando, com um ferimento à bala na testa e graves lesões cranianas.
El porta-malas apresentava manchas de sangue, e em seu interior havia galões de combustível, joias, uma faca e uma faca embainhada.
Também foram encontradas garrafas de bebidas, roupas pessoais e restos de comida, o que indica que o automóvel foi utilizado não apenas para o transporte, mas possivelmente para tentar borrar evidências durante o traslado ao hospital.
Um especialista do CSI, identificado como H. Davis, documentou minuciosamente a cena em vídeo, enquanto agentes realizavam testes de DNA em diversas superfícies do carro: maçanetas, volante, cintos de segurança e o compartimento do porta-luvas, onde foi encontrado outro faca.
Segundo informou o jornalista de Univision, Mario Vallejo, “os peritos forenses coletaram amostras de DNA no interior do carro, no volante, nos assentos e no porta-malas, onde estava o corpo do artista. Também foram apreendidos vestígios de fentanilo, um tubo preto e outros objetos que poderiam estar relacionados aos fatos”.
Além disso, foi recuperado um frasco de bebida do interior do veículo do qual, segundo a promotoria, foi extraído DNA da vítima ou do criminoso.
Uma pistola registrada e a incerteza legal
Como parte das investigações, a polícia também apreendeu uma arma de fogo registrada em nome de El Taiger, encontrada na residência de seu representante. Apesar de sua potencial relevância, as autoridades esclareceram que esta pistola não está diretamente relacionada ao crime.
No obstante, entre os elementos mais destacados pelos promotores figura outra pistola apreendida como parte da investigação, assim como o carregador da arma, que pode estar relacionado aos acontecimentos.
O motel: Drogas, joias e manchas de sangue
Em paralelo, os investigadores registraram o quarto do motel onde morava El Taiger.
Várias dessas fotografias -parte do pacote apresentado pela Promotoria- mostram com detalhes as condições dentro daquele quarto do motel em Hialeah, onde o artista costumava se hospedar ocasionalmente.
As imagens revelam um espaço desordenado e caótico: guardanapos manchados de sangue, sacolas com o que a polícia afirma ser fentanila, peças de roupa e roupas sujas, além de bitucas de cigarro espalhadas pelo quarto.
Também são observadas joias e restos de comida rápida sobre as superfícies.
Tudo isso, de acordo com o relatório policial, foi documentado como evidência complementar na investigação.
A pergunta do jornalista da Telemundo, Alexis Boentes, a ex-mandatária e amiga do músico, Teresa Padrón, respondeu que El Taiger não morava no motel, embora fosse lá com frequência.
“Sim, havia dias em que ele se perdia e imagino que talvez estivesse lá. Eu fui ao motel um dia para procurá-lo, mas nunca entrei no quarto,” acrescentou, negando conhecer as condições em que estava o lugar.
Teresa ficou surpresa com os restos de cigarro, pois diz que nunca viu El Taiger fumar.
"Isso me faz pensar que havia outras pessoas que o visitavam naquela sala de motel", disse.
O momento do crime: Uma discussão, um disparo e uma fuga
Um vídeo de vigilância captado por câmeras próximas mostra El Taiger chegando à casa de Valdez Galloso na madrugada do crime.
O expediente judicial indica que ambos teriam tido uma forte discussão, e foi então que, presumivelmente, o acusado disparou.
Valdez Galloso, em um interrogatório posterior em Nova York, afirmou que El Taiger chegou acompanhado por outra pessoa para pedir dinheiro, e que ao se ausentar por alguns minutos, o encontrou ferido no chão. No entanto, a versão não convenceu a Procuradoria.
O agora acusado ligou para o 911 das proximidades do Jackson Memorial Hospital, afirmando que havia uma pessoa inconsciente dentro de seu veículo. Essa pessoa era El Taiger. A polícia chegou pouco depois e encontrou o artista ainda com vida, embora em estado crítico.
Segundo relatórios forenses, a bala que atingiu a sua testa causou um traumatismo cranioencefálico severo.
O artista permaneceu internado por vários dias até que finalmente foi certificado seu falecimento em 10 de outubro de 2024.
O julgamento contra Damian Valdez Galloso está previsto para começar no dia 8 de dezembro de 2025, embora possa ser alterado após a audiência marcada para o dia 8 de outubro. O acusado insiste em sua inocência.
De ser considerado culpável, Damian Valdez Galloso pode enfrentar prisão perpétua. Enquanto isso, a família do artista e seus seguidores esperam que, após as novas e contundentes evidências, finalmente se faça justiça.
Perguntas frequentes sobre o caso da morte de El Taiger
Quais são as evidências apresentadas no caso de El Taiger?
A Promotoria de Miami-Dade apresentou mais de 1.200 fotografias, documentos judiciais e registros forenses como parte das provas contra Damian Valdez Galloso, acusado do assassinato do reguetonero cubano El Taiger. Entre as evidências mais comprometedoras estão fotografias da cena do crime, dispositivos de segurança desconectados e DNA encontrado no veículo onde El Taiger foi encontrado em estado crítico.
O que sustenta a defesa de Damian Valdez sobre o crime?
A defesa de Damian Valdez Galloso sustenta que ele é inocente e que não atirou em El Taiger. Valdez afirma que El Taiger chegou à sua casa acompanhado por outras pessoas e que, ao retornar de buscar água, o encontrou ferido na entrada. Além disso, ele alegou que as imagens da câmera de segurança que mostram o crime foram manipuladas.
O que revelou o interrogatório vazado de Damian Valdez?
O vídeo vazado do interrogatório de Damian Valdez mostra o acusado negando sua participação no assassinato de El Taiger e sugerindo que um policial poderia estar envolvido no crime. Valdez argumentou que El Taiger chegou à sua casa acompanhado de um homem que ele identificou como policial e que não aparece nas gravações de vigilância.
Quando começará o julgamento contra Damian Valdez?
O julgamento contra Damian Valdez Galloso, acusado do assassinato de El Taiger, está programado para começar em 15 de setembro de 2025. O julgamento tem sido alvo de várias postponções devido a reclamações da defesa sobre inconsistências no processo.
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