Empresa Eléctrica confirma até 18 horas de apagão em Santiago de Cuba

A crise elétrica na segunda maior cidade de Cuba inclui apagões de até 18 horas por dia devido à falta de geração e danos causados pela tempestade Imelda. A situação se agrava por problemas técnicos e escassez de combustível, gerando protestos e mal-estar social.

Três unidades de geração da termoelétrica Renté estão fora de operaçãoFoto © Facebook/AB González

O diretor da Empresa Eléctrica em Santiago de Cuba, Lester Cedeño, confirmou que as interrupções no fornecimento de energia elétrica chegam a até 18 horas diárias, devido à combinação do déficit nacional de geração e os danos causados pela recente tempestade tropical Imelda.

Em uma entrevista com o telecentro Tele Turquino, Cedeño explicou que o município sede é o mais atingido, com 41 cabos no chão, 25 bairros e 156 residências afetadas, enquanto 20 brigadas de trabalho tentam restabelecer o serviço nos diferentes conselhos populares.

O funcionário precisou que as três unidades da termelétrica Renté permanecem fora de serviço, o que agrava a situação em toda a província oriental.

As afetacões estão na ordem de 14, 15, até 18 horas por este motivo, reconheceu, acrescentando que durante o pico da noite são previstas interrupções equivalentes a 1.900 MW.

Cedeño também admitiu que não existem blocos de afetamento definidos, pelo que praticamente todos os circuitos estão incluídos nos cortes, até mesmo alguns considerados “vitais”.

“Estamos buscando oferecer o maior tempo de serviço possível com as cargas que nos permite a distribuição nacional”, destacou.

A crise elétrica em Santiago de Cuba se junta à onda de apagões prolongados que afetam o país, onde as interrupções diárias se estendem por mais de 12 horas em várias províncias, provocando protestos, perdas econômicas e um crescente descontentamento social.

Cuba amanheceu neste sábado em meio a um cenário energético crítico, após uma jornada marcada por apagões massivos e déficits de geração no Sistema Elétrico Nacional (SEN), em torno de 1.900 megawatts (MW).

O ministério de Energia e Minas (Minem) informou que junto à União Elétrica (UNE) e à União Cuba-Petróleo (Cupet) estão sendo implementadas ações de emergência para enfrentar a complexa situação que atravessa o sistema, após uma combinação de falhas técnicas, baixa disponibilidade de combustível e avarias em várias termelétricas.

En uma entrevista transmitida pela televisão nacional, o ministro Vicente de la O Levy reconheceu que as afetações nas últimas horas foram superiores ao previsto, devido a uma série de eventos imprevistos que colocaram o SEN “à beira do colapso”.

Explicou que três usinas de geração saíram do sistema de forma simultânea, o que provocou a perda instantânea de mais de 270 MW, quando o país já operava com uma baixa disponibilidade geral.

Estivemos à beira de que o sistema falhasse novamente. Ação imediata e rigorosa foi tomada para manter a estabilidade, mas foi uma noite muito tensa”, afirmou nesta sexta-feira o titular do Minem, ao detalhar que a falha ocorreu por volta das 10h30 da noite e afetou a recuperação dos blocos programados para receber o serviço elétrico.

Na própria entrevista, o funcionário admitiu que o combustível não dá para todo o mês de outubro e que Cuba só dispõe de reservas “para alguns poucos dias”.

As palavras do ministro reeditam o discurso de 2023, quando o governo admitiu uma “situação de emergência” pela falta de combustível.

Em setembro daquele ano, De la O Levy reconheceu que o país estava em “zero combustível” e que as reservas estavam praticamente esgotadas, afetando tanto a geração de eletricidade quanto o transporte.

Na véspera, o primeiro secretário do Partido Comunista de Cuba (PCC) Miguel Díaz-Canel presidiu uma reunião extraordinária no Comitê Provincial do PCC em Havana, acompanhado por ministros, chefes militares e altos dirigentes do Buró Político, após as recentes protestas e paneladas na capital.

O governante anunciou a formação de equipes de trabalho que se integrarão com autoridades locais e organizações de massa para “atender diretamente” as demandas da comunidade.

Sin embargo, também mobilizou meios e forças das Forças Armadas Revolucionárias (FAR) e do Ministério do Interior (Minint), reforçando a presença militar no gerenciamento da crise.

Perguntas frequentes sobre a crise elétrica em Santiago de Cuba

Por que estão ocorrendo cortes de energia de até 18 horas em Santiago de Cuba?

Os apagões de até 18 horas em Santiago de Cuba são causados por um déficit nacional na geração de energia elétrica, agravado pelos danos causados pela tempestade tropical Imelda e pela inoperância de três unidades da termoelétrica Renté. Isso deixou a província oriental com uma disponibilidade de energia significativamente reduzida.

Quais medidas o governo cubano está tomando para enfrentar a crise elétrica?

O governo cubano, através do Ministério de Energia e Minas e da União Elétrica (UNE), implementou ações de emergência, como a mobilização de brigadas para reparar as termoelétricas e a distribuição limitada de combustível. No entanto, essas medidas não foram suficientes para estabilizar o Sistema Elétrico Nacional (SEN), que ainda enfrenta um déficit crítico de geração.

Qual é o impacto das quedas de energia prolongadas na população cubana?

Os apagões prolongados afetam gravemente a vida cotidiana dos cubanos, interrompendo serviços essenciais como o fornecimento de água, comunicações e o sistema de saúde. Além disso, geram desconforto social, protestos e perdas econômicas, exacerbando a situação de crise que o país enfrenta.

Qual é a situação atual das termoelétricas em Cuba?

As termoelétricas de Cuba estão em uma situação crítica, com múltiplas unidades fora de serviço devido a falhas ou manutenção, como é o caso das unidades de Renté, Felton e Santa Cruz. A obsolescência tecnológica e a falta de peças de reposição deixaram o parque termoelétrico do país em uma precariedade alarmante, incapaz de satisfazer a demanda energética nacional.

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