Apagões marcam o fim de semana em Cuba enquanto o governo admite o colapso do sistema elétrico

Para a noite, durante o horário de pico, projeta-se uma afetación de 1.765 MW.

Apagão em Cuba (Imagem referencial)Foto © Sora / CiberCuba

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Cuba amanheceu neste sábado imersa em mais um dia de apagões massivos e generalizados, com cortes que deixaram grande parte da população sem fornecimento de energia elétrica durante a maior parte do dia.

A situação, longe de melhorar, se agrava pela incapacidade do governo de oferecer soluções sustentáveis para uma crise que já é estrutural e que combina a falta de combustível, obsolescência tecnológica e uma gestão estatal deficiente.

Déficit no SEN

Segundo o último relatório da União Eléctrica (UNE), o Sistema Elétrico Nacional (SEN) terminou na sexta-feira com afetos durante as 24 horas, situação que se estendeu também para a madrugada de sábado.

Às 6:00 da manhã de hoje, a disponibilidade era de apenas 1.505 MW, frente a uma demanda de 2.685 MW, o que resulta em um déficit superior a 1.200 MW. Ao meio-dia, estima-se uma afetacão de 1.150 MW.

Para a noite, no horário de pico, projeta-se um déficit ainda mais crítico de 1.695 MW, com afetos estimados de até 1.765 MW.

Captura do Facebook / União Elétrica (UNE)

Um parque termelétrico colapsado

A UNE reconheceu múltiplas avarias que deixaram fora de serviço várias unidades-chave: a Unidade 2 de Felton, a Unidade 8 de Mariel, a Unidade 5 de Nuevitas e os blocos 3, 5 e 6 de Renté, além de manutenções em Santa Cruz do Norte e Cienfuegos.

Isto significa que nenhuma das unidades de Renté está em funcionamento, enquanto Nuevitas opera de maneira parcial devido a problemas nos sistemas de água externa.

A acumulação de falhas técnicas, juntamente com o envelhecimento das usinas e a falta de peças de reposição, reflete um parque elétrico desmantelado que se sustenta com remendos.

Combustível insuficiente

Aos problemas técnicos soma-se a escassez crônica de combustível, que paralisou mais de 600 MW de geração distribuída em todo o país.

O ministro de Energia e Minas, Vicente de la O Levy, admitiu que a quantidade de combustível que foi distribuída esta semana em Havana, Matanzas e Santiago de Cuba é suficiente apenas para poucos dias.

"O combustível não é suficiente para todo o mês de outubro", reconheceu, evidenciando a improvisação e a falta de planejamento na gestão governamental.

A escassez atinge não apenas o sistema elétrico, mas também outros setores da economia, como o transporte público e o abastecimento em postos de gasolina, que continuam enfrentando interrupções.

Uma noite "à beira do colapso"

O próprio ministro reconheceu na televisão nacional que a noite de sexta-feira foi "muito tensa" depois que três usinas saíram do sistema simultaneamente, resultando na perda de 270 MW adicionais.

Segundo suas palavras, o país esteve à beira de um apagão nacional. A emergência foi resolvida "com medidas imediatas", mas o SEN permanece em uma situação extremamente frágil.

Havana sem programação estável

A Empresa Elétrica de Havana informou que na sexta-feira a capital sofreu apagões de até 17 horas e 55 minutos contínuos, com um pico de afetación de 210 MW às 21h30.

Tampouco foi possível cumprir com os esquemas de rotação planejados, deixando os bairros sem uma referência sobre quando o serviço retornaria.

Captura de Facebook / Empresa Elétrica de Havana

Em uma segunda nota, a companhia anunciou que não haverá blocos de reserva na cidade, o que significa que todas as áreas estarão sujeitas a interrupções de pelo menos quatro horas, de acordo com as exigências do SEN.

Captura do Facebook / Empresa Elétrica de Havana

A frustração da população

Embora De la O Levy tenha insistido que se trabalha para cumprir os horários de rotação de apagões, os descumprimentos reiterados e a falta de transparência têm multiplicado a indignação da população.

"O apagão incomoda, mas se a rotação for cumprida e as pessoas souberem quando a energia vai e quando volta, o mal-estar diminui", disse o dirigente, sem assumir a responsabilidade política por um colapso que é fruto de anos de desinvestimento e abandono.

Uma crise sem saída a curto prazo

O SEN sustenta-se sobre uma estrutura envelhecida, com termoelétricas que operam além de sua vida útil e sem combustível suficiente para manter a geração.

Nem os investimentos anunciados nem os supostos acordos de importação conseguiram impedir que o país ficasse preso em um ciclo de falhas, manutenções eternas e cortes intermináveis.

Com os apagões prolongados que já superam 20 horas diárias em muitos locais, os cubanos vivem entre a resignação e o descontentamento, enquanto o governo insiste em responsabilizar as "circunstâncias imprevistas" e oculta sua responsabilidade direta na crise energética mais severa das últimas décadas.

Perguntas frequentes sobre a crise elétrica em Cuba

Qual é o principal problema do sistema elétrico em Cuba?

O principal problema do sistema elétrico em Cuba é o déficit de geração, que ultrapassa 1.200 MW e pode chegar até 1.800 MW em momentos críticos. Este déficit é consequência da obsolescência das usinas termoelétricas, da falta de manutenção adequada e da escassez de combustível que afeta tanto as usinas maiores quanto a geração distribuída.

Que medidas o governo cubano tomou para enfrentar a crise elétrica?

Apesar das promessas de melhoria, as medidas do governo cubano têm sido insuficientes. Foram instalados alguns parques solares fotovoltaicos, mas sua contribuição é mínima diante da magnitude da crise. Além disso, o governo tentou programar apagões para realizar manutenções, mas a falta de previsibilidade e recursos impediu uma solução eficaz a longo prazo.

Como a crise elétrica afeta a vida diária dos cubanos?

A crise elétrica afeta gravemente a vida diária dos cubanos. Os apagões prolongados, que podem durar mais de 20 horas, impactam o acesso à água potável, a conservação de alimentos e a qualidade de vida em geral. As interrupções no fornecimento de energia elétrica também afetam o transporte público e outros serviços essenciais, gerando um ambiente de frustração e incerteza.

Qual é a perspectiva a curto prazo para a crise energética em Cuba?

A perspectiva a curto prazo é desanimadora, já que não se vislumbram soluções imediatas para a crise energética em Cuba. As constantes falhas, a falta de combustível e a obsolescência da infraestrutura elétrica tornam a situação cada vez mais crítica. Sem uma mudança significativa na gestão e no investimento, é pouco provável que haja uma melhoria substancial no fornecimento elétrico no futuro próximo.

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Equipe Editorial da CiberCuba

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