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O reconhecido cientista cubano Eduardo López-Collazo alertou que não existe uma relação causal comprovada entre o uso de paracetamol (acetaminofeno) e o transtorno do espectro autista (TEA), embora alguns estudos tenham explorado possíveis vínculos. “As evidências continuam sendo inconclusivas”, destacou em uma publicação recente em suas redes sociais.
López-Collazo, diretor científico do Instituto de Pesquisa em Saúde do Hospital Universitário La Paz (IdiPAZ), em Madrid, lembrou que o autismo foi descrito clinicamente pela primeira vez em 1943, enquanto o paracetamol foi comercializado a partir de 1955, portanto não existe correlação temporal direta entre ambos os eventos.
Seu pronunciamento ocorre pouco depois que a Casa Branca anunciou o "Plano de Ação sobre o Autismo", uma nova estratégia nacional liderada pelo presidente Donald J. Trump que inclui, entre outras medidas, um advertência oficial da FDA sobre o uso de acetaminofeno durante a gravidez e a promoção de leucovorina como possível tratamento para certos sintomas do autismo.
Segundo o documento oficial, a FDA emitirá um aviso para médicos e atualizará o rótulo de segurança do medicamento, com base em pesquisas que indicam uma possível associação entre o uso pré-natal de acetaminofeno e alterações no desenvolvimento neurológico.
No entanto, López-Collazo insistiu que a ciência ainda não provou uma ligação direta. “Embora alguns estudos explorem possíveis ligações, a evidência continua inconclusiva”, reiterou.
Polêmica por declarações de Trump sobre autismo em Cuba
O anúncio do plano coincide com novas declarações controversas de Trump, que sugeriu que em Cuba há menos autismo porque não podem comprar Tylenol. “Há um rumor, e não sei se é verdadeiro ou não, de que em Cuba não têm Tylenol porque não têm dinheiro para comprar Tylenol, e praticamente não têm autismo”, disse o mandatário.
A afirmação foi amplamente criticada por especialistas e meios de comunicação, que lembram que Cuba não dispõe de dados epidemiológicos atualizados sobre o autismo e que a escassez de medicamentos na ilha é um problema crônico.
Especialistas alertam que a falta de diagnósticos não deve ser interpretada como a ausência do transtorno. A insuficiência de ferramentas diagnósticas, a baixa divulgação científica nacional e a crise sanitária estrutural dificultam a detecção e o acompanhamento dos casos.
Quem é Eduardo López-Collazo?
Nascido em Jovellanos, Matanzas, Eduardo López-Collazo é um dos cientistas cubanos mais reconhecidos na Espanha. Formou-se em Física Nuclear na Universidade de Havana e obteve seu doutorado em Farmácia pela Universidade Complutense de Madrid, onde reside desde a década de 1990. Atualmente, é o único estrangeiro que dirige um centro de pesquisa na Espanha.
Ele foi incluído em listas como os 100 espanhóis mais criativos do mundo dos negócios (Forbes), e também entre as pessoas LGBTIQ+ mais influentes da Espanha, segundo El Mundo e El Español.
Em 2022, foi eleito membro da Academia de Ciências da América Latina (ACAL) por suas contribuições ao estudo de doenças como o câncer, a COVID-19 e os transtornos neuroimunológicos.
Além de seu trabalho científico, López-Collazo é um divulgador ativo e um firme defensor do pensamento crítico e da evidência científica. Sua intervenção sobre este tema se soma a uma série de publicações sob a etiqueta #CienciaYdatos, com a qual combate a desinformação nas redes sociais.
Perguntas frequentes sobre o autismo e o uso do paracetamol
Existe uma relação comprovada entre o paracetamol e o autismo?
Não existe uma relação causal comprovada entre o uso de paracetamol e o autismo. Embora alguns estudos tenham explorado possíveis vínculos, a evidência continua sendo inconclusiva. Autoridades médicas como a FDA e a OMS não reconhecem essa relação como causal.
Quais medidas o governo dos Estados Unidos tomou em relação ao uso do paracetamol durante a gravidez?
O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, anunciou um plano que inclui um aviso oficial da FDA sobre o uso de paracetamol durante a gravidez. A FDA atualizará o rótulo de segurança do medicamento, com base em pesquisas que apontam para uma possível associação entre seu uso prenatal e alterações no desenvolvimento neurológico.
Qual é a situação do autismo e do acesso a medicamentos em Cuba?
Em Cuba, não existem dados epidemiológicos atualizados sobre o autismo devido à insuficiência de ferramentas diagnósticas e à falta de estatísticas públicas. Além disso, o país enfrenta uma escassez crônica de medicamentos, o que dificulta o acesso a tratamentos básicos e especializados.
Que declarações Donald Trump fez sobre o autismo em Cuba?
Donald Trump sugeriu que em Cuba há menos autismo porque não podem comprar Tylenol, gerando polêmica e críticas por parte de especialistas. Essa afirmação carece de fundamentos científicos e não conta com dados que a sustentem. Na realidade, a falta de diagnósticos não deve ser interpretada como ausência do transtorno.
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