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O excomissionado do condado de Miami-Dade, Joe Martínez, foi condenado nesta segunda-feira a 34 meses e meio de prisão estadual (quase três anos) após ser considerado culpado de compensação ilícita e conspiração.
Trata-se das acusações derivadas de ter recebido 15.000 dólares em subornos de empresários locais em troca de promover uma ordenança que favorecia seus interesses comerciais.
Apesar da severidade da condenação, Martínez não ingressará imediatamente na prisão: permanecerá em liberdade sob fiança de 15.000 dólares enquanto sua defesa apresenta um recurso, cujo primeiro passo está agendado para 21 de setembro de 2026.
O juiz ordenou que ambas as penas sejam cumpridas de forma simultânea e reconheceu o tempo que o político já esteve detido, o que poderia reduzir sua permanência efetiva atrás das grades se a apelação não prosperar.
Os subornos e a acusação
A investigação da promotoria estadual revelou que, entre 2016 e 2017, Martínez recebeu três pagamentos de 5.000 dólares cada um de Jorge Negrín, proprietário do Extra Supermarket, e de seu locador Sergio Delgado.
O dinheiro tinha como finalidade que o então comissionado promovesse uma legislação que permitisse o uso de contêineres de armazenamento em uma propriedade de Negrín que acumulava múltiplas violações do código.
Embora a ordenança nunca tenha sido aprovada nem chegado a ser votada, a Procuradoria argumentou que o simples fato de aceitar dinheiro em troca de um ato oficial configurava o delito de corrupção.
Para os promotores Tim VanderGiesen e William González, a prova-chave foi que os pagamentos cessaram assim que a proposta legislativa fracassou. "A legislação não foi aprovada, portanto não havia razão para que mais dinheiro fosse necessário", afirmou VanderGiesen na alegação final.
Estratégia de defesa e postura do ex-comissionado
Os advogados de Martínez, Ben Kuehne e Kendall Coffey, defenderam que os pagamentos foram atos de gratidão pessoais e não um quid pro quo. Alegaram que seu cliente nunca promoveu formalmente uma ordenança, mas apenas redigiu um rascunho que poderia ser ignorado pela Comissão.
Também insistiram que não havia prova de necessidade econômica que o levasse a se corromper.
Martínez, de origem cubana e ex-tenente da Polícia de Miami-Dade, manteve-se firme em sua inocência até o fim.
"Não conseguia me olhar no espelho, nem olhar para meus filhos, meus amigos, meus seguidores, e dizer: 'Sim, sou culpado disso', quando não o fiz", declarou após conhecer sua sentença.
A defesa argumenta que o caso está repleto de "problemas legais" e fundamentará a apelação questionando a admissibilidade de parte das provas utilizadas no julgamento, embora não tenha detalhado quais peças contestará.
Cronologia do caso
Agosto de 2022: Martínez é preso e suspenso do seu cargo por ordem do governador Ron DeSantis.
Novembro de 2024: um júri o declara culpado de compensação ilícita e conspiração.
Agosto de 2025: a procuradoria solicita 34,5 meses de prisão, a pena mínima segundo as diretrizes.
15 de setembro de 2025: o juiz profere a sentença e concede liberdade sob fiança aguardando apelação.
Trajetória: ascenso e queda
Martínez foi eleito pela primeira vez em 2000 como comissário de Miami-Dade, cargo no qual serviu por cinco mandatos, incluindo duas ocasiões como presidente da Comissão. Tentou, sem sucesso, chegar à prefeitura em 2012 e ao Congresso federal em 2014.
Em 2020, ele havia conseguido sua reeleição como comissário, mas sua carreira ficou marcada em 2022 pelo arresto que resultou neste processo judicial.
A promotora estadual Katherine Fernández Rundle celebrou o veredicto: "Doze cidadãos de Miami-Dade ouviram todas as provas e decidiram que o uso do cargo público para benefício pessoal não será tolerado nesta comunidade".
Por sua parte, o ex-comissário enfrenta agora um futuro incerto: se a apelação falhar, deverá cumprir na prisão uma pena que, embora menor do que os 20 anos que inicialmente corria o risco de enfrentar, representa um final difícil para uma figura política que já foi influente no sul da Flórida.
Perguntas frequentes sobre o caso de Joe Martínez e a corrupção em Miami-Dade
Por que Joe Martínez foi condenado?
Joe Martínez foi condenado por receber subornos de empresários locais para favorecer seus interesses comerciais por meio de uma ordenança em Miami-Dade. Recebeu 15.000 dólares em três pagamentos de 5.000 dólares cada um de Jorge Negrín e Sergio Delgado. Embora a ordenança nunca tenha sido aprovada, o simples fato de aceitar dinheiro em troca de um ato oficial configurou o crime de corrupção.
Qual foi a estratégia de defesa de Joe Martínez?
Os advogados de Joe Martínez argumentaram que os pagamentos foram atos de gratidão pessoal e não um quid pro quo. Defenderam que Martínez não impulsionou formalmente uma ordenança, mas apenas redigiu um rascunho que a Comissão poderia ignorar. Além disso, insistiram que não havia provas de que Martínez tivesse necessidade econômica para se corromper.
Quais consequências Joe Martínez enfrenta após sua condenação?
Joe Martínez foi condenado a 34 meses e meio de prisão, mas permanecerá em liberdade sob fiança enquanto sua defesa apela a sentença. Se a apelação fracassar, ele deverá cumprir a pena na prisão, o que representa um final complicado para sua carreira política em Miami-Dade.
Como esse caso afeta a percepção pública do governo de Miami-Dade?
O caso de Joe Martínez se junta a uma série de escândalos de corrupção que abalaram a confiança no governo local de Miami-Dade. A procuradora estadual Katherine Fernández Rundle enfatizou que não será tolerado o uso do cargo público para benefício pessoal, refletindo uma postura firme contra a corrupção na comunidade.
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