Trump se livra da multa milionária, mas continuará sob vigilância judicial em Nova York

Trump evitou uma multa de 515 milhões de dólares por fraude civil, mas sua empresa continuará sob supervisão. A promotora Letitia James planeja apelar. O presidente e seus filhos não poderão ocupar cargos de liderança empresarial na cidade.

Trump Tower em Nova YorkFoto © Wikipedia

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O presidente Donald Trump conseguiu nesta quinta-feira anular a sanção de mais de 500 milhões de dólares que pesava sobre ele por fraude civil em Nova York.

No obstante, a decisão do tribunal de apelações não significa um final feliz para o magnata. Segundo relatório da AP, sua empresa continuará sob supervisão externa e ele e seus filhos mais velhos permanecem inelegíveis para dirigir companhias no estado por vários anos.

A Divisão de Apelações da Suprema Corte de Nova York considerou que a multa original de 355 milhões de dólares —que, com juros, somou 515 milhões— violava a proibição constitucional de sanções excessivas.

Os juízes assinalaram que, embora tenha havido fraude, os danos não foram de tal magnitude a ponto de justificar uma punição econômica desse tipo.

O tribunal, no obstante, manteve as medidas de controle corporativo impostas pelo juiz Arthur Engoron após o julgamento realizado em 2023. Entre elas, destacam-se a designação de um monitor independente para supervisionar as finanças da Trump Organization e a obrigação de emitir relatórios periódicos sobre sua contabilidade durante três anos.

Além disso, Trump não poderá ocupar cargos de liderança empresarial em Nova York durante esse mesmo período, enquanto seus filhos Donald Trump Jr. e Eric Trump enfrentam uma inabilitação de dois anos.

Essas restrições têm o objetivo, segundo os magistrados, de evitar que se repitam as práticas fraudulentas detectadas nas demonstrações financeiras da empresa.

Embora Trump tenha celebrado a decisão como uma “reivindicação total”, a procuradora-geral Letitia James assegurou que recorrerá ao Tribunal de Apelações, a instância judicial máxima do estado.

James, que processou Trump em 2022 por inflar sistematicamente o valor de suas propriedades para obter vantagens financeiras, insiste que o presidente “enganou durante anos o sistema financeiro” e que deve prestar contas.

Trump havia depositado uma fiança de 175 milhões de dólares enquanto tramitava seu recurso, o que lhe permitiu evitar o pagamento imediato da multa. Agora ele poderá recuperar esse dinheiro, mas continuará enfrentando um escrutínio judicial que limita sua capacidade de manobra empresarial em um dos mercados mais importantes para seu império imobiliário.

A decisão também abre a porta para um possível novo julgamento, uma vez que alguns juízes do painel consideraram que o processo original não cumpriu todas as garantias legais. Essa possibilidade, no entanto, divide os magistrados e mantém a incerteza sobre o futuro do caso.

Enquanto isso, a marca Trump permanecerá sob a vigilância constante de um supervisor judicial, uma situação inédita para um ex-presidente dos Estados Unidos e candidato que aspira a voltar à Casa Branca nas eleições de 2024.

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