O criador de conteúdo Abelito Nemo compartilhou nas redes sociais um percurso visual pelas ruínas do antigo hotel Emperador, também conhecido anteriormente como Senador, Cristal Laguna e NH Cristal Laguna, localizado em Cayo Coco, província de Ciego de Ávila. As imagens mostram uma instalação totalmente abandonada após ter sido operada em diferentes momentos por grupos como Cubanacán, NH Hotéis e Iberostar.
“Agora sim vamos entrar nesta instalação, caminhamos por este caminho, esta é a estátua que representa o hotel Emperador, antigo hotel Senador, depois Cristal Laguna, Ibero Star Cayo Coco”, narra Abelito Nemo no início do vídeo compartilhado em seu perfil no TikTok @abelitonemo.
Durante o percurso, o criador mostra tetos colapsados, espaços em ruínas, áreas invadidas pela vegetação e estruturas destruídas.
“Bom, este hotel passou por vários proprietários [...] esta área era aparentemente a zona de bares, ranchos e cafeterias, e agora não sobrou nada disso”, explicou. “A mãe natureza assumiu toda esta área, infelizmente”, acrescentou enquanto mostrava o estado dos quartos. “É um milagre que não tenham roubado tudo o que resta”, disse.
Segundo seu testemunho, a instalação foi severamente danificada pelo furacão Irma em setembro de 2017 e, desde então, não voltou a operar.
“Supunha-se que as renovações estavam em andamento, no entanto, tudo isso parou quando o furacão Irma chegou à ilha em setembro de 2017”, relatou. “Embora não ache que seja mais possível, acredito que permanecerá assim como muitas outras instalações que ficaram à deriva”, opinou.
Em outra publicação, Abelito Nemo mostrou a área da piscina e aprofundou a situação geral do turismo na ilha:
“Mirando todo este desastre é quando um se questiona o porquê continuam construindo novas instalações turísticas no país, apesar de que vivemos atualmente a pior crise econômica já vista na ilha”, ressaltou. “Também não se pode esconder a baixa recepção de turistas que visitam o país a cada ano, muito abaixo do esperado”, acrescentou. “Isto é o pouco que sobrou do hotel Emperador depois dos desastres do furacão Irma em 2017”, concluiu.
As publicações geraram centenas de comentários de usuários que expressaram tristeza, indignação e críticas em relação ao abandono estatal. Muitos lembraram de ter trabalhado ou visitado o local, enquanto outros denunciavam a falta de manutenção, o deterioro progressivo das instalações turísticas em Cuba e a contradição entre o discurso oficial e a realidade.
Inversão em baixa, hotéis vazios
Segundo dados recentes da Oficina Nacional de Estatísticas e Informação (ONEI), os investimentos em hotéis e restaurantes representaram apenas 4,7% do total em 2025 até agora, uma queda significativa em relação aos 11,3% do ano anterior. Enquanto isso, o setor de eletricidade, gás e água recebeu 33,6% dos investimentos, mostrando uma mudança de prioridades em meio a uma crise sistêmica. Esta situação contradiz as declarações oficiais que asseguram que o turismo continua sendo prioritário.
O colapso na chegada de visitantes tem sido igualmente drástico. Entre janeiro e junho deste ano, chegaram ao país 981.000 viajantes internacionais, uma queda de 25 % em relação ao mesmo período de 2024. A taxa de ocupação hoteleira caiu para um crítico 21,5 %, uma das mais baixas da região. Dados como esses refletem o que já foi descrito como um espejismo hoteleiro alimentado por milhares de milhões mal investidos.
Por outro lado, as estatísticas acumuladas até julho confirmam que somente 76,8% dos turistas internacionais que chegaram em 2024 retornaram este ano, o que indica uma contração estrutural da indústria turística, agravada pela falta de condições para receber visitantes em um ambiente competitivo.
Enquanto os hotéis vazios se multiplicam, crescem as críticas dos cidadãos pelo abandono de setores vitais como a saúde, a habitação e a alimentação. O caso do hotel Emperador é apenas um entre muitos. Mas sua imagem —agora coberta pela vegetação e pelo esquecimento— se tornou uma metáfora de um modelo turístico que já não sustenta nem mesmo suas próprias ruínas.
Perguntas frequentes sobre o estado de abandono de instalações turísticas em Cuba
Por que o hotel Emperador em Cayo Coco está em ruínas?
O hotel Emperador em Cayo Coco ficou em ruínas após ser severamente danificado pelo furacão Irma em 2017. Desde então, não voltou a operar nem foram concluídos os prometidos trabalhos de renovação. Este é mais um exemplo das instalações turísticas em Cuba que foram abandonadas, refletindo um modelo turístico insustentável e mal gerido.
Como a crise econômica de Cuba afetou o turismo?
A crise econômica em Cuba levou a uma drástica queda na chegada de turistas internacionais, uma redução na ocupação hoteleira a níveis críticos e uma diminuição significativa dos investimentos no setor turístico. Apesar de ser considerado um setor prioritário pelo governo, a realidade mostra um declínio estrutural agravado pela falta de manutenção e condições adequadas.
Quais críticas foram feitas sobre o abandono de instalações em Cuba?
As críticas ao governo cubano se concentram em abandonar setores vitais como o turismo, a saúde, a habitação e a alimentação, enquanto continuam sendo construídas novas instalações turísticas que não conseguem atrair visitantes. Este abandono é evidente em casos como o do hotel Emperador, o parque de diversões Isla del Coco e o Aquário Nacional, todos em estado de ruína e descuido.
Existem exemplos de outros locais abandonados em Cuba?
Sim, existem múltiplos exemplos de locais abandonados em Cuba, como o parque de diversões Isla del Coco, o aquário nacional, o centro recreativo El Dorado em Boca Ciega e hotéis em Cayo Cruz. Esses lugares têm um denominador comum: o abandono institucional, o deterioramento progressivo e a falta de intervenção para sua manutenção ou reabilitação.
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