Dois cubanos foram interrogados no aeroporto internacional de Miami após retornarem da ilha e ouviram de um oficial de imigração que poderiam perder sua residência permanente nos Estados Unidos.
Sobre este caso, o jornalista Javier Díaz conversou com a advogada de imigração Patricia Hernández, que explicou que sempre que um residente permanente sai do país e reentra, ele se expõe à avaliação de sua situação migratória por um oficial do CBP.
“Cada vez que um residente permanente chega a um porto de entrada, pode ser colocado em um processo de deportação se o oficial determinar que é inadmissível ou passível de deportação”, afirmou Hernández.
O risco aumenta para aqueles que entraram originalmente pela fronteira e receberam um parol humanitário, com o qual depois ajustaram seu status.
Se depois retornarem a Cuba, os oficiais podem interpretar que houve fraude: "O benefício do parol permitiu obter a residência, mas se você voltar repetidamente à ilha, o oficial pode considerar que você mentiu e retirar seu status", alertou.
Díaz perguntou se, neste caso, o que ocorreu era uma ameaça real, ao que a advogada respondeu que parecia mais uma advertência.
“Devolveram-lhes a residência e foram admitidos no país. Isso me faz pensar que o oficial queria lhes dar um susto, especialmente pela frequência de suas viagens. Estão há pouco mais de três anos nos EUA e já viajaram quatro vezes para Cuba”, destacou.
No entanto, insistiu que sob a atual administração de Donald Trump e do secretário de Estado Marco Rubio, a política migratória é mais rigorosa e há um interesse em aumentar as deportações: “Antes não era tão problemático, mas agora buscam retirar documentos do maior número possível de pessoas”.
“Nos dois cubanos com quem pude conversar pessoalmente, até agora não receberam nenhuma carta em seu endereço postal, com a qual têm que comparecer a uma audiência com um juiz”, ressaltou o jornalista.
Quanto ao protocolo, Hernández explicou que o habitual é que, se um residente for considerado inadmissível, seja enviado à “inspeção secundária” ou “quartinho”, onde recebe uma notificação para comparecer perante o tribunal de imigração.
Em algumas ocasiões, a carteira de residência é até retida: “Neste caso, nada disso aconteceu, o que reforça que foi um aviso”, acrescentou.
A especialista destacou que cada saída do país implica "pedir novamente admissão" ao retornar, e isso abre a porta para revisões de antecedentes, fraudes ou qualquer motivo de inadmissibilidade.
“O risco sempre existe. Meu conselho é que os residentes cubanos tenham muito cuidado com suas viagens à ilha”, concluiu.
Outros casos recentes também alertaram a comunidade de cubanos que reside nos Estados Unidos. Em março do ano passado, foi divulgado o caso de outro cubano questionado no Aeroporto de Miami após retornar da ilha, um episódio que refletiu a vigilância sobre aqueles que entraram nos Estados Unidos alegando perseguição e depois retornam ao seu país de origem.
Meses depois, uma residente cubana nos EUA relatou as perguntas que recebeu ao chegar a Miami após uma viagem a Cuba, ressaltando a pressão e o risco de perder benefícios migratórios.
Em maio deste ano, outra viajante que chegou aos EUA após visitar a ilha advertiu sobre as possíveis consequências de voltar ao país do qual declarou ter fugido, alertando aqueles que chegaram pela fronteira sul nos últimos anos.
Mais recentemente, o problema foi observado do lado oposto, quando cubanos regulados denunciaram que o regime lhes impede de retornar aos Estados Unidos, mostrando que tanto a saída quanto o retorno podem se tornar pontos de atrito com consequências legais ou políticas.
Perguntas frequentes sobre os riscos de viajar para Cuba para residentes permanentes nos EUA.
Por que os residentes permanentes nos EUA podem perder seu status ao viajar para Cuba?
Os residentes permanentes podem perder seu status se as autoridades americanas considerarem que seu padrão de viagens contradiz as razões pelas quais, inicialmente, lhes foi concedida a residência. Retornar com frequência a Cuba pode ser interpretado como uma fraude se o residente alegou ter fugido da perseguição na ilha.
Quais são as consequências enfrentadas pelos residentes que viajam repetidamente a Cuba?
Poderão ser submetidos a um processo de deportação se um oficial do CBP decidir que seu comportamento é inadmissível. Além disso, poderão ser levados à "inspeção secundária" no aeroporto e receber notificações para comparecer diante de um juiz de imigração.
O que é o "cuartico" no aeroporto de Miami e o que acontece lá?
O "cuartico" é uma sala de inspeção secundária onde os oficiais da CBP realizam interrogatórios mais detalhados a certos viajantes. Neste processo, eles podem decidir reter o cartão de residência ou emitir uma notificação para que o residente compareça diante de um juiz de imigração.
O que os residentes cubanos devem considerar antes de viajar para a ilha?
É crucial que os residentes cubanos avaliem o risco de serem considerados inadmissíveis ao retornarem aos EUA. O principal conselho é ter cuidado com a frequência das viagens a Cuba para evitar problemas migratórios. Além disso, devem estar cientes de que cada entrada no país é um novo pedido de admissão.
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