ICE detém um boxeador cubano que escapou da delegação esportiva oficial em 2022

O pugilista abandonou a delegação esportiva oficial em 2022.


O boxeador cubano Billy Rodríguez, medalhista pan-americano que abandonou uma delegação oficial em 2022, foi detido por agentes de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) em Miami.

Rodríguez, de 28 anos, estava em liberdade condicional sob o status migratório I-220A, enquanto aguardava sua audiência no tribunal para solicitar asilo político em 2027.

Sua prisão gerou alarme em sua família e em seu círculo esportivo, que temem sua possível deportação para Cuba, onde acreditam que ele enfrentaria represálias por sua deserção.

Rodríguez fugiu de uma delegação cubana no México após uma competição internacional em agosto de 2022, e cruzou a fronteira para os Estados Unidos em busca de liberdade e novas oportunidades profissionais.

Em território estadunidense, assinou com TBT Promotions e Miguel Cotto Promotions, duas reconhecidas empresas do boxe profissional, acumulando um recorde invicto de seis vitórias por nocaute.

Como ocorreu a detenção?

A detenção de Rodríguez ocorreu no domingo, 10 de agosto, após ele se envolver em um acidente de trânsito quando estava a caminho da casa de sua sogra para pegar leite para seu filho.

Nesse momento, agentes policiais o detiveram e o entregaram às autoridades migratórias.

Sua esposa, Lisandra Jardines, contou ao jornalista Mario Vallejo, para Univision, como ficou sabendo do ocorrido.

“Recebi uma ligação dele e ele me disse ‘estou detido’. Eu disse ‘como assim detido?’ e ele respondeu ‘sim, tive um acidente e não me deixaram explicar nada, simplesmente me levaram. Procure um fiador’”, relatou visivelmente afetada.

Lisandra se mobilizou imediatamente com o filho nos braços para pagar a fiança que, segundo lhe disseram, permitiria sua liberação em questão de horas.

No entanto, ao final do dia tudo mudou: “Às oito da noite me ligam e me dizem que isso não dependia deles. Que era coisa de imigração e que eles haviam assumido o caso.”

Rodríguez foi transferido para o centro de detenção do ICE na cidade de Miramar, no condado de Broward, onde permanece desde então.

A família ainda não recebeu uma explicação formal sobre as razões da prisão, considerando que seu processo de asilo estava ativo e que sua próxima consulta com o USCIS estava marcada para 13 de setembro.

“Tú vas preso”: O temor de ser devolvido a Cuba

A possibilidade de ser deportado para Cuba gera angústia na família do boxeador.

“Você é um desertor, você não pode entrar em Cuba... você vai preso. Você tem sua família, você tem seu filho... meu filho faz um ano na segunda-feira... tudo, tudo”, disse sua esposa entre lágrimas, refletindo a angústia que a consome e lembrando que o regime cubano não perdoa aqueles que abandonam suas delegações oficiais.

Em 2022, o meio JIT condenou sua decisão com veemência.

“Virando as costas para suas obrigações contratuais, Billy Rodríguez decidiu não retornar a Cuba após estrear ontem no boxe profissional. Condenamos sua atitude, alheia ao compromisso assumido”, escreveu o portal esportivo.

Um ambiente esportivo consternado

A prisão pegou de surpresa a equipe técnica do boxeador.

Franco González, seu treinador, confirmou a notícia a Telemundo 51.

“Fiquei surpreso que Billy não tenha comparecido ao seu treinamento. Foi então que recebi a ligação de sua esposa, Lisandra, me dizendo que ele havia sido preso”, descreveu.

Rodríguez estava treinando intensamente para uma luta pelo título em setembro.

Com um recorde invicto de seis lutas ganhas por nocaute, sua carreira avançava com força sob o apoio da Miguel Cotto Promotions e da TBT Promotions

O professor Eufrasio González, parte de sua equipe de treinamento, declarou ao El Nuevo Herald:

“Espero que tudo se resolva de maneira favorável para Billy, porque ele não pode retornar a Cuba. Ele veio a este país para realizar seus sonhos de ser campeão mundial e havia renunciado ao sistema esportivo cubano porque queria ser um homem livre.”

Embora Rodríguez tivesse uma citação migratória ativa para 2027 e assinasse anualmente com a USCIS como parte de seu processo de asilo, seu status I-220A não oferece garantias de proteção contra detenções imprevistas.

Essa forma de liberdade condicional deixou milhares de cubanos em um limbo legal que pode mudar por razões administrativas ou interpretações variáveis da política migratória.

Uma família fragmentada e um aniversário sem pai

Além do drama legal, o impacto humano é profundo. O filho do boxeador completa seu primeiro ano esta semana e não poderá celebrá-lo ao lado do pai.

“Este foi um golpe muito forte para todos na família. Estávamos nos preparativos da festa. Agora nosso mundo desmoronou”, disse Lisandra a El Nuevo Herald.

A família recorreu ao advogado Wilfredo Allen para assumir a defesa legal.

“Contactei o escritório do advogado para tentar fazer com que o governo dos Estados Unidos entenda que deportar um atleta desertor é o mesmo que entregá-lo a uma prisão em Cuba”, destacou Lisandra em suas declarações à Univision.

"Vim para triunfar"

Antes de sua detenção, Billy Rodríguez havia concedido uma entrevista ao Herald, onde expressou sua determinação como atleta e como exilado:

“Vim para triunfar e confio no que sou e no que conquistei. Sou um boxeador disciplinado, que me concentro nos meus objetivos e não paro até alcançá-los”, disse então.

Sua carreira, inicialmente impulsionada pela promotora Rivalta Boxing, havia encontrado um novo impulso com Cotto Promotions, o que o posicionava como uma figura emergente no circuito profissional.

Até o fechamento desta nota, não há informações adicionais sobre o caso.

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