O regime cubano solicitou penas de entre três e sete anos de prisão para 16 cidadãos da província de Granma que participaram nas protestas pacíficas de 17 e 18 de março de 2024, quando milhares de cubanos tomaram as ruas em várias cidades do país exigindo comida, eletricidade, medicamentos e uma vida digna.
Julio César Vega, ativista da União Patriótica de Cuba (UNPACU) e preso político, denunciou da prisão que esses pedidos fiscais buscam semear o medo, disse o meio independente CubaNet.
“Querem aterrorizar todos aqueles que, como eles, reivindicam um direito constitucional”, declarou em um áudio divulgado pelo Observatório Cubano de Direitos Humanos.
As protestas de março, consideradas por Cubalex como o clímax de uma cadeia de mobilizações cidadãs, estouraram devido à profunda crise econômica, aos apagões intermináveis de mais de 15 horas, e à escassez de alimentos e medicamentos que continua sufocando as famílias cubanas.
As manifestações começaram em Santiago de Cuba e se espalharam para Matanzas e Sancti Spíritus, além de Granma, sendo reprimidas com detenções, cortes de internet e ameaças a familiares dos participantes.
A mais de um ano desses eventos, os implicados enfrentam severas solicitações do Ministério Público sem garantias processuais. Entre eles, Dalis Zamora Rondón pode receber uma condenação de sete anos de prisão; René Aguilera Aguilar, seis anos; Mario Luis Espinoza Cedeño, cinco; e outros ativistas penas semelhantes, incluindo limitações de liberdade e prisão domiciliar.
“Todos [fueram condenados] por apenas reclamar seus direitos a uma vida normal, estável e saudável, cansados de tanta desesperação, tanta fome e tanta maldade que promove o regime”, sublinhou Vega.
Esta semana se conheceu que a Procuradoria cubana também solicitou penas de até nove anos de prisão para manifestantes pacíficos que participaram de protestos cidadãos em Encrucijada, Villa Clara, que protestaram no dia 7 de novembro de 2024 pelos apagões intermináveis que, há vários anos, arruinam a vida cotidiana em todo o país.
Armados apenas com caldeiras e suas vozes, gritaram palavras de ordem como “¡Pongan la corriente!” e “¡Queremos corriente!”. O resultado tem sido até nove anos de prisão, segundo denunciou na sexta-feira a organização Cubalex.
A Yandri Torres Quintana e Rafael Javier Camacho Herrera pedem nove anos; a José Gabriel Barrenechea Chávez, seis; a Rodel Bárbaro Rodríguez Espinosa, cinco; a Yuniesky Lorences Domínguez, quatro; e a Marcos Daniel Díaz Rodríguez, cinco anos de limitação de liberdade.
A acusação contra Barrenechea, um conhecido escritor cubano, vai além do momento da protesto, baseando-se também em sua “conduta nas redes sociais”, suas ideias políticas e até em “relações com pessoas de má moralidade”. Um castigo por pensar de forma diferente, disfarçado de legalidade.
Tan somente em julho de 2025, foram documentadas 845 protestas em todo o país, um aumento de 38 % em relação ao mesmo mês do ano anterior, das quais 209 foram confrontos diretos com a polícia política, segundo o Observatório Cubano de Conflitos.
Um relatório do organismo destaca que a repressão agora é uma constante e não uma exceção. Durante julho, bairros como Guanabacoa e El Diezmero foram palco de protestos com panelas, bloqueios de ruas e confrontos com forças antimotins, tudo motivado por apagões de até 30 horas, uma inflação descontrolada, escassez de alimentos e um sistema de saúde em ruínas.
Entre os fatores que têm alimentado a indignação popular destacam-se também as declarações oficiais negando a existência de mendigos, o aumento do custo da cesta básica, que ultrapassa os 90.000 pesos mensais, e o crescente número de feminicídios e mortes sob custódia policial.
Perguntas frequentes sobre a repressão de protestos em Cuba
Por que o regime cubano está pedindo penas de prisão para manifestantes pacíficos?
O regime cubano busca semear o medo e criminalizar o descontentamento social ao solicitar penas de prisão para manifestantes pacíficos. Essas ações são vistas como uma tentativa de reprimir as protestas cidadãs que reivindicam direitos básicos e uma vida digna, em meio a uma profunda crise econômica e social no país.
Quais são as causas dos protestos em Cuba?
As manifestações em Cuba foram motivadas pela crise econômica, os prolongados apagões, a escassez de alimentos e medicamentos, e a falta de condições de vida dignas. A população sai às ruas para exigir soluções para esses problemas, que foram agravados pela gestão do governo.
Como o governo cubano respondeu às protestas?
O governo cubano respondeu aos protestos com repressão, detenções arbitrárias, cortes de internet e ameaças aos participantes. Além disso, utiliza campanhas de propaganda para projetar uma imagem de calma e controle, enquanto silencia as vozes críticas e criminaliza os manifestantes.
Qual é a situação dos direitos humanos em Cuba atualmente?
A situação dos direitos humanos em Cuba é crítica, com um aumento da repressão judicial contra a protesto pacífico e a criminalização da dissidência política. Organizações de direitos humanos denunciam que o regime utiliza o sistema penal para punir aqueles que se manifestam contra as políticas governamentais.
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