Régimen pede até 9 anos de prisão para manifestantes pacíficos de Encrucijada

A Fiscalia acusa os imputados de "perturbar a tranquilidade cidadã" durante protestos contra os apagões. Não são relatados atos violentos nem danos à propriedade, mas solicitam até 9 anos de prisão.

Detidos em protestos pacíficos de EncrucijadaFoto © X / Captura de vídeo

Vídeos relacionados:

O regime cubano solicitou penas de até nove anos de prisão para vários cidadãos que participaram em novembro passado das manifestações pacíficas contra os apagões no município de Encrucijada, Villa Clara, conforme denunciou nesta sexta-feira a organização de direitos humanos Cubalex.

As conclusões provisórias da Procuradoria, assinadas pelo procurador Ayrebi Miranda Pérez e às quais a Cubalex teve acesso, acusam os manifestantes de "aproveitar a falta de eletricidade provocada pela crise energética para perturbar a tranquilidade da cidadania" com panelas e consignas.

As seis pessoas imputadas pelo delito de “desordens públicas” participaram no 7 de novembro de 2024 em uma protesto pacífico contra os apagões prolongados.

A Yandri Torres Quintana e Rafael Javier Camacho Herrera , a promotoria pede nove anos de prisão.

Por sua vez, solicita seis anos para José Gabriel Barrenechea Chávez, assim como cinco anos para Rodel Bárbaro Rodríguez Espinosa, quatro anos para Yuniesky Lorences Domínguez e cinco anos de limitação de liberdade para Marcos Daniel Díaz Rodríguez.

Durante as protestos, os imputados realizaram batucadas nas panelas e gritaram frases como “¡Coloquem a energia!” e “¡Queremos energia!”, em reivindicação da restauração do serviço de eletricidade.

Apesar de não terem sido relatados atos de vandalismo, violência física ou danos à propriedade, as autoridades apresentam essas ações como evidência de uma tentativa maciça de perturbar a ordem pública.

No caso do escritor cubano José Grabiel Barrenechea Chávez, a acusação se fundamenta em que “instou para que as pessoas não se retirassem do local” e em avaliações pessoais como sua “relação com pessoas de má moralidade”, “conduta nas redes sociais” e “total desprezo pelas normas de convivência”.

Outros casos destacados incluem Andy Pérez Medero e Rasiel Cárdenas Pérez, detidos na comunidade de El Purio após protestos similares.

Ambos continuam encarcerados sem que haja qualquer pedido do Ministério Público contra eles.

Além disso, o ativista Alejandro Morales Pereira foi preso meses após os acontecimentos, depois de exigir a libertação dos manifestantes.

Segundo a Cubalex, sua situação é crítica e sua vida corre risco na prisão.

“Onde está o crime? Exigir uma vida digna não é um crime”, apontou a Cubalex em sua denúncia pública. A organização insiste que as supostas provas não demonstram violência, mas sim o exercício legítimo do direito à protesto.

Em seu comunicado, a entidade alerta que o documento da Procuradoria reflete uma tentativa deliberada de criminalizar o descontentamento social com sanções desproporcionais.

"É uma violação flagrante dos direitos humanos", destaca a organização.

Cubalex exige a liberação imediata de todas as pessoas detidas por exercerem seus direitos fundamentais e alerta sobre o crescente padrão de repressão judicial contra a protesta pacífica em Cuba.

As condenações solicitadas pela Procuradoria se somam a uma longa lista de casos onde a protesto cidadã é punida como se fosse um crime comum, em um contexto de profunda crise energética e social na ilha.

Perguntas frequentes sobre a repressão em Cuba e as manifestações pacíficas

Por que o regime cubano solicita penas de prisão para manifestantes pacíficos em Encrucijada?

O regime cubano está solicitando penas de até nove anos de prisão para vários cidadãos que participaram de manifestações pacíficas contra os apagões em Encrucijada, Villa Clara. As autoridades acusam os manifestantes de "aproveitar a falta de eletricidade para perturbar a tranquilidade cidadã", apesar de não terem sido relatados atos de vandalismo nem violência física. Esta medida reflete uma tentativa de criminalizar e reprimir o descontentamento social na ilha.

Qual é o caso do escritor cubano José Gabriel Barrenechea Chávez?

José Gabriel Barrenechea Chávez, escritor e jornalista, enfrenta uma acusação por desordem pública após participar de uma protesto pacífico em Encrucijada. A promotoria argumenta que ele instou as pessoas a não deixarem o local e o acusa de "ligação com pessoas de má moralidade". Além disso, sua mãe de 85 anos, que está gravemente doente, pediu para vê-lo pela última vez. As autoridades se negaram a conceder uma licença humanitária, o que foi considerado um ato de terror psicológico.

Qual é a posição das organizações de direitos humanos sobre essas detenções em Cuba?

Organizações como Cubalex denunciaram que as acusações e penas de prisão solicitadas são uma violação flagrante dos direitos humanos. Consideram que o regime cubano utiliza o sistema judicial para reprimir e silenciar o descontentamento social, criminalizando a manifestação pacífica e o exercício de direitos fundamentais. Essas ações são vistas como parte de um padrão crescente de repressão judicial no país.

Quais outros casos semelhantes de repressão foram relatados em Cuba recentemente?

Em Cuba, foram relatados vários casos de repressão contra manifestantes pacíficos e críticos do regime. Por exemplo, Alexander Mario Fábregas Milanez foi condenado a sete anos de prisão por criticar o governo nas redes sociais, e Alexander Verdecia Rodríguez enfrenta um pedido de dez anos de prisão por expressar opiniões contrárias ao governo. Esses casos refletem um uso sistemático do sistema judicial cubano para punir a dissidência política e a liberdade de expressão.

Arquivado em:

Equipe Editorial da CiberCuba

Uma equipe de jornalistas comprometidos em informar sobre a atualidade cubana e temas de interesse global. No CiberCuba, trabalhamos para oferecer notícias verídicas e análises críticas.