Venda clandestina de periódicos em Matanzas expõe corrupção e desídia na empresa de correios

Em Matanzas, uma cidadã denuncia um caso de corrupção na estatal Empresa de Correos de Cuba, onde um carteiro vende jornais ilegalmente. Apesar das queixas, a desídia persiste, afetando direitos básicos e serviços postais.

Cartero transforma a imprensa estatal em um negócio pessoalFoto © Girón

Em Matanzas, uma cidadã com mais de quatro décadas de assinatura na imprensa estatal teve que se tornar gestora, denunciante e fiscal diante de um sistema postal que não só descumpre seu serviço, mas também permite que um carteiro converta os jornais em mercadoria para venda informal, enquanto o aparelho institucional fecha os olhos.

A vizinha María del Carmen Andreu Delgado, residente na chamada Atenas de Cuba, afirma que a situação começou a se deteriorar desde novembro de 2024.

Nesse momento, um novo carteiro assumiu a rota que anteriormente era coberta por um "trabalhador eficiente do setor que confeccionou um caderno para obter o controle absoluto de seus clientes, e depois deixou nas mãos do novo distribuidor", relatou Andreu em carta dirigida à seção Apartado 1433 do jornal oficial Girón.

Após a saída do carteiro anterior, tudo desmoronou. Apesar de múltiplas reclamações, visitou o administrador do correio da rua Medio e a representante da área postal em Versalhes, mas nada mudou, como “inequívoca sinal de descaso administrativo”.

O novo carteiro continuou ignorando seu dever, até que Carmen o surpreendeu vendendo 20 jornais Girón a um só comprador por cinco pesos cada um, carregando uma mochila cheia de exemplares.

Com essa descoberta, o que eram suspeitas se transformou em provas. A afetada voltou à Direção Provincial de Correios e denunciou a especulação financeira em curso: um trabalhador estatal recebendo por um serviço que não presta e revendendo bens públicos para benefício próprio.

Embora após o escândalo tenham ocorrido “mudanças leves” e o carteiro tenha começado a cobrar por março e entregar alguns exemplares, o jornal Juventud Rebelde dominical continua desaparecendo sem explicação.

Carmen se pergunta com amargura quem será o destinatário daquele jornal que ela paga, mas nunca recebe.

Por isso, exige que lhe seja permitido retirar sua assinatura diretamente no escritório do Hospital Pediátrico, como fazem outros cidadãos, para evitar continuar sendo vítima de um sistema corrupto, ineficiente e cúmplice.

Enquanto isso, as autoridades do correio, informadas há meses, ainda não deram uma resposta pública nem resolveram um problema que afeta direitos básicos e que se repete em silêncio em muitos outros cantos do país.

Nos últimos meses, a imprensa oficial tem tentado mostrar melhorias nos serviços da estatal Empresa de Correos de Cuba, mas os relatórios de mais de 4.000 envios acumulados, denúncias de perdas e a saturação por novas importações como as motos elétricas evidenciam o contrário.

Con um sistema que continua colapsado, Correos de Cuba tentou justificar a lentidão de seus serviços em uma mistura de obstáculos estruturais, sobrecarga de mercadorias, demoras externas e falta de recursos básicos.

Semanas atrás, a entidade reconheceu como alterados, roubados ou perdidos apenas 0,02% dos mais de 745.000 envios geridos entre 2024 e o primeiro trimestre de 2025. No entanto, desviou a responsabilidade para os operadores postais e aduaneiros, alegando que os envios passam por mãos estrangeiras e cubanas antes de chegar ao país.

Embora os relatórios oficiais destaquem a diminuição das reclamações e os avanços logísticos, persistem problemas estruturais, altas demandas, enquanto a população continua denunciando atrasos e, especialmente, o roubo de conteúdo nos pacotes, o que desacredita a narrativa oficial do regime.

Em maio, o serviço de encomendas dos Correios de Cuba foi novamente colocado sob os holofotes devido à denúncia pública de uma cidadã cubana residente em Santa Marta, Matanzas, que recebeu perfis de alumínio em vez dos dois televisores Philips que havia enviado do Panamá.

Durante o próprio mês ressaltou a notícia de que o escritório da Empresa de Correios no município de Viñales, Pinar del Río, havia sido convertido em uma espécie de “correocuevita”: um ponto de venda de produtos básicos e outras mercadorias, em meio à escassez e à falta de receitas da entidade.

Perguntas frequentes sobre a corrupção e problemas nos Correios de Cuba

Por que a imprensa estatal está sendo vendida de forma clandestina em Matanzas?

A venda clandestina de imprensa estatal em Matanzas surge devido à corrupção dentro do sistema postal, onde um carteiro transforma os jornais em mercadoria para a venda informal. Embora isso seja do conhecimento das autoridades, não foram tomadas medidas eficazes para detê-lo, o que reflete uma desídia administrativa. Este problema é mais um exemplo da ineficiência e corrupção que caracterizam o regime socialista cubano.

Quais problemas enfrenta o serviço de Correios de Cuba?

Correos de Cuba enfrenta problemas estruturais, atrasos na entrega e roubos de conteúdo nos pacotes, o que desacredita a narrativa oficial de melhorias no serviço. Apesar de a entidade tentar justificar esses problemas com obstáculos estruturais e falta de recursos, a realidade é que o sistema está colapsado e não foram dadas soluções efetivas às múltiplas denúncias dos cidadãos.

Quais ações o governo cubano tomou diante das denúncias de corrupção nos Correios de Cuba?

O governo cubano tem dado uma resposta insatisfatória e evasiva às denúncias de corrupção nos Correios de Cuba. Embora a entidade tenha reconhecido problemas como atrasos e roubos, tem deslizado a responsabilidade para os operadores postais e aduaneiros, sem assumir plenamente sua responsabilidade. Esse tipo de resposta reflete a falta de vontade política para enfrentar a corrupção e melhorar os serviços postais na ilha.

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