O músico cubano-americano Willy Chirino enviou uma mensagem contundente aos imigrantes que chegam aos Estados Unidos em meio à atual crise migratória: “Aqui não se vem para ser preguiçoso e ficar em um canto bebendo cerveja, aqui se vem para trabalhar, para trabalhar… se você trabalha aqui, você triunfa”, afirmou em uma entrevista com o locutor Enrique Santos.
Durante a conversa, publicada no canal de YouTube Enrique Santos Show, Chirino expressou sua preocupação com a gestão da fronteira e o impacto social da entrada maciça de pessoas sem controle. “Obama deportou 2.500.000 latino-americanos, chegou Trump e deportou 1.700.000, veio Biden e não somente deve ter deportado sabe Deus quantos 700.000, mas deixou entrar 21 milhões de pessoas, que você não sabe de onde são”, afirmou.
O artista comparou a situação atual com a crise do Mariel em 1980, quando Fidel Castro “esvaziou as prisões e os manicômios” para enviar presos e doentes aos Estados Unidos. “Isso foi um desastre, Jimmy Carter era o presidente”, lembrou, advertindo que hoje o cenário se agrava com ameaças como o narcotráfico e o fentanil: “Esse homem abriu a fronteira e o que entrou aqui foi…”, acrescentou em alusão a Biden.
Durante os dois mandatos de Barack Obama (2009-2017), os Estados Unidos registraram o maior número histórico de deportações formais: mais de 3 milhões de expulsões, alcançando um pico de 409.849 no ano fiscal de 2012, segundo os dados do Department of Homeland Security (DHS).
Por sua vez, Donald Trump, em seu primeiro mandato (2017-2021), acumulou aproximadamente 943 000 deportações formais, bastante abaixo do recorde de Obama, segundo o Yearbook of Immigration Statistics do DHS. No caso de Joe Biden, até o ano fiscal de 2023, foram registradas cerca de 1,1 milhão de remoções, com um aumento notável em 2024 que encerrou com 271 484 deportações, o número mais alto da última década.
Estes números correspondem exclusivamente a deportações formais geridas pelo ICE. Não incluem expulsões rápidas ou devoluções administrativas (como as realizadas sob o Título 42).
Gloria Estefan pede humanidade e critica a polarização
As declarações de Chirino contrastam com a postura de Gloria Estefan, que em entrevistas recentes manifestou sua preocupação com a perseguição a imigrantes e a crescente divisão política no país. “Nunca vi os Estados Unidos tão polarizados como agora”, disse a Jorge Ramos em julho, lembrando que, apesar de ter vivido a segregação racial, não havia testemunhado um clima tão tenso.
En outra conversa com Canela News, a intérprete de “Mi tierra” relatou um episódio que presenciou em um voo doméstico, quando agentes migratórios separaram uma mãe de seu bebê: “Qual era a necessidade de tirar o menino dos braços daquela mãe se de qualquer maneira ambos iriam sair? Não entendo por que é preciso perder a humanidade. Isso me assusta”, afirmou. Nesta mesma entrevista, Estefan reconheceu que devem existir regras, mas questionou os métodos: “Este país foi feito por imigrantes. Obviamente há pessoas que se aproveitam, criminosos que se aproveitam, e é preciso ter regras. Mas não é necessário ir a esse extremo”.
Um contexto migratório cada vez mais tenso
O debate sobre imigração ocorre enquanto o governo de Donald Trump endurece sua política migratória. No início de 2025, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que “todos os imigrantes ilegais são criminosos” por terem violado as leis de imigração, deixando claro que não haverá distinções entre aqueles que têm antecedentes e aqueles que apenas buscam regularizar sua situação.
As detenções e deportações em massa se intensificaram, afetando também milhares de cubanos que chegaram durante a crise migratória dos últimos anos. Enquanto Chirino insiste que o sucesso depende do trabalho e do esforço individual, Estefan clama para que não se perca a humanidade em meio à aplicação das leis.
O debate reflete a diversidade de opiniões dentro da comunidade cubana nos Estados Unidos, em um momento em que a imigração continua a marcar a agenda política e social do país.
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