Uma jovem cubana, que prefere permanecer anônima, foi presa pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) ao sair de seu trabalho, mesmo tendo permissão para trabalhar válida e tendo solicitado sua residência há dois anos.
Apesar da aplicação generalizada do Matter of Q. Li, que obriga a defender os casos em detenção e sem fiança, ela foi libertada sob fiança, com grilhões, há quinze dias, depois de passar um mês em um centro de detenção de imigrantes. Seu caso, segundo a advogada especialista em questões migratórias Liudmila Marcelo, é um mal menor neste momento. Ou seja, quase se pode dizer que teve sorte.
Em conversa com a CiberCuba a partir de Phoenix, Arizona, a jovem contou sua experiência. "Me pararam na frente do meu trabalho, quando eu estava saindo do estacionamento. Perguntaram se eu tinha documentos para trabalhar, mostrei meu visto de trabalho, tenho meu visto de trabalho, meu 'social' e me pararam porque não tenho residência, simplesmente porque ainda não recebi a residência pela qual apliquei há dois anos", comenta a esta plataforma por meio de áudios do WhatsApp.
Segundo a sua experiência, o centro de detenção é um lugar onde ela se encontrou com outras mulheres detidas. "Havia muitas, de várias nacionalidades. Quando você entra no primeiro dia, é difícil porque te deixam 12 horas em uma sala fria, onde os assentos são de alumínio, sem lençóis nem nada. Ali você fica por 12 horas até que passa para dentro. No refeitório, a comida não é muito boa", diz.
"Você passa aí todos os dias. Deixam você sair uma hora, 2 horas por dia, mas com o calor que faz... Enfim, quase não dá para sair. É igual a uma prisão. Entre advogado e fiança foram 6.000 dólares. Fiquei detida um mês e me deram liberdade há mais ou menos duas semanas."
"Me soltaram com grilhete. Não posso me afastar a uma hora da minha casa e tenho que esperar para ver a próxima consulta e não sei quando vão me tirar isso. Não tenho conhecimento disso. Eu já tinha feito o asilo, tinha uma autorização de trabalho por asilo e depois recebi a autorização de trabalho por residência, o benefício social, e me fecharam um tribunal", explica.
"Eu tenho que esperar a próxima audiência e ver se consigo a residência ou o que mais preciso fazer. Estou com todos os meus processos encerrados. Eles disseram que eu tinha um mandado de prisão do ICE, mas não era verdade porque eu não tinha mandado de prisão, nunca recebi nenhuma notificação nem nada, e isso também não apareceu na Corte."
A jovem entrou nos Estados Unidos em 26 de julho, há três anos. Saiu com I-220A, foi I-220B e agora é I-220R, uma figura migratória concedida àqueles que comparecem a uma consulta com o ICE.
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