Sindicados independentes exigem ao regime cubano liberdade sindical, justiça econômica e democracia

A Associação Sindical Independente de Cuba (ASIC) exige liberdade sindical e justiça econômica e acusa o regime de reprimir direitos e bloquear reformas trabalhistas.

Trabalhadores cubanos (Imagem referencial)Foto © Facebook / Ministério do Comércio Interior de Cuba

A Associação Sindical Independente de Cuba (ASIC) entregou nesta semana à Assembleia Nacional do Poder Popular um extenso conjunto de reivindicações que exige reformas profundas nas áreas trabalhista, econômica e política do país.

Sob o título "Manifesto de Reivindicações pela Liberdade Sindical, Justiça Econômica e Democracia em Cuba", o documento denuncia as violações sistemáticas dos direitos trabalhistas e questiona a legitimidade do modelo político vigente na Ilha.

Segundo publicou a organização em sua conta do X, as exigências visam "liberdade sindical, justiça econômica e democracia, frente a um regime que reprime direitos e bloqueia reformas trabalhistas".

O texto sugere que o atual sistema centralizado e autoritário, em vez de garantir direitos, é utilizado para justificar a negação sistemática de liberdades fundamentais.

"Se perseguem as iniciativas produtivas que estão fora do controle estatal, bloqueando a prosperidade de milhares de cubanos. Isso vulnera direitos essenciais como o trabalho, a propriedade e a livre iniciativa econômica", aponta.

A ASIC afirma que o modelo atual não permite mudanças reais, por isso defende uma transformação total baseada no pluralismo político, na autonomia cidadã e na proteção efetiva dos direitos econômicos, trabalhistas e sindicais.

Enfatiza que o regime mantém um monopólio sindical absoluto por meio da Central de Trabalhadores de Cuba (CTC), subordinada ao Partido Comunista, o que priva os trabalhadores de seu direito de se organizar livremente.

Também exige que as missões de trabalho cubanas no exterior sejam regidas pelas normas internacionais da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o reconhecimento pleno do direito ao empreendedorismo e uma reforma integral do regime tributário para o setor privado.

Da mesma forma, a instituição solicita uma auditoria para a GAESA, a publicação das contas bancárias e investimentos no exterior da família Castro e seus aliados, bem como a prestação de contas pública dos altos funcionários do governo.

A ASIC agrupa dez demandas-chave:

Reformas democráticas como garantia do mudança econômica estrutural.

2- Libertação imediata e incondicional de todos os presos políticos.

3- Contratação internacional e missões de trabalho sob normas internacionais.

4- Emprego sem discriminação e salários justos.

5- Reconhecimento pleno do direito ao empreendedorismo e à propriedade privada.

6- Reforma integral do regime tributário para o setor privado.

7- Garantia do direito à organização sindical livre e independente.

8- Fim do assédio e garantia de financiamento para o empreendedorismo.

9- Desvinculação total da CTC do controle político do trabalho.

10- Transparência institucional e combate à corrupção e ao nepotismo.

A organização também faz um apelo a trabalhadores, empreendedores e acadêmicos para apoiar esta agenda como parte de um novo pacto social centrado na dignidade humana.

Fundada em 2016, a ASIC tem sido uma das vozes mais ativas em prol dos direitos trabalhistas em Cuba, enfrentando constante repressão por parte do governo.

Perguntas frequentes sobre as demandas sindicais e a situação laboral em Cuba

Quais demandas a Associação Sindical Independente de Cuba (ASIC) apresentou ao governo cubano?

A ASIC apresentou um conjunto de reivindicações que inclui reformas democráticas, a libertação de prisioneiros políticos e o reconhecimento do direito à organização sindical independente. As reivindicações também abrangem a contratação internacional de acordo com normas da OIT, emprego sem discriminação, e salários justos, entre outros aspectos. Essas exigências visam uma transformação integral do sistema político e econômico em Cuba.

Por que se critica o modelo sindical cubano atual?

O modelo sindical cubano é criticado porque a Central de Trabalhadores de Cuba (CTC) está sob controle estatal, o que impede uma verdadeira representação dos trabalhadores. Acusa-se a CTC de operar como colaboradora do poder político em vez de defender os direitos trabalhistas. A repressão laboral, especialmente em setores como o cultural e educacional, e a falta do direito à greve são também pontos de forte crítica.

Qual é a situação atual dos direitos trabalhistas em Cuba?

A situação dos direitos trabalhistas em Cuba é crítica, com violações sistemáticas e repressão a qualquer tentativa de organização autônoma. Os trabalhadores enfrentam demissões injustificadas, salários insuficientes e condições de trabalho precárias. Além disso, as missões de trabalho no exterior são caracterizadas por práticas de exploração laboral.

Como a repressão estatal impacta a vida dos trabalhadores e sindicalistas em Cuba?

A repressão estatal impacta significativamente a vida dos trabalhadores e sindicalistas em Cuba, que enfrentam assédio, detenções arbitrárias e violações de seus direitos básicos. Esse ambiente de repressão desestimula o ativismo e a luta por melhorias laborais, perpetuando um sistema que facilita a exploração e o controle estatal sobre a força de trabalho.

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