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O humorista Nelson Gudín enviou uma mensagem de apoio ao seu colega Jorge Fernández Era após o episódio de agressão física e ameaças de morte do qual foi vítima por parte de oficiais da Segurança do Estado.
“Têm que te agredir porque te temem, porque contra ti não têm armas, porque os venceste diante dos olhos de toda Cuba e do mundo”, disse Gudín, conhecido em Cuba por sua popular persona de El Bacán, reagindo à postagem onde, neste domingo, Fernández Era relata a agressão.
“Assim ganhou Mandela e Gandhi. Assim mataram Lorca e tantos outros. Assim silenciaram Virgílio, Dulce María”, continuou Gudín, que emigrou para Miami em 2021.
El Bacán dedicou um poema a Fernández Era, que compôs há alguns anos “pensando na Pátria” ao lado do poeta Alexander Besú Guevara como homenagem à “grandeza” de Fernández Era.
"A pátria será sempre tão aberta, / tão de todos e toda a palavra, / que é lá onde nascemos. Ela, / no viajante, de caminhos anda, / e junto ao náufrago, de Deus navega", lê-se em uma de suas estrofes.
Outros humoristas, artistas e amigos demonstraram seu apoio a Fernández Era, após a agressão.
"Meus respeitos para você e para sua esposa, não nos conhecemos pessoalmente, mas seus atos me fazem admirá-los e apoiá-los, e sentir um desgosto tão grande por esse sistema que as palavras não são suficientes para descrevê-lo", comentou a atriz Susana Pérez.
“Quando nem conseguem sustentar com dignidade uma ideia disfuncional, isso acontece. Meu abraço e meu respeito”, disse, por sua vez, Ulises Toirac.
Relato da agressão
Este domingo, Fernández Era chamou de “fascistas” os oficiais da Segurança do Estado que o agrediram na última sexta-feira e relatou o episódio de agressão física e ameaças de morte das quais foi vítima.
Assim, informou que a denúncia que tentou fazer contra seus agressores na unidade da polícia de Diez de Outubro não foi adiante, pois disseram-lhe que se tratava de danos menores, apesar de ter "certificado de lesões em mãos, expedido no hospital Miguel Enríquez".
Com relação à agressão da qual foi vítima, Fernández Era relatou que, após se recusar a ficar em casa e não realizar seu habitual protesto no Parque Central, um oficial o conduziu até “a Unidade de Zanja”, onde “me mantiveram em celas junto a outros cinco detidos por cerca de uma hora, até ser transferido para uma sala de aproximadamente três metros quadrados com apenas duas cadeiras, a minha sem encosto”.
Na sala, ele foi interrogado por dois oficiais da Segurança do Estado, entre eles um que se identificou como Yoan.
“Em meio da discussão, com a covardia que emana de suas entranhas, o tal Yoán me deu socos em duas rodadas enquanto o outro me segurava”, contou Fernández Era, que já na sexta-feira havia mostrado as agressões físicas em seu corpo.
“El resto foi uma sessão de tortura psicológica não menos injuriosa, que incluiu a promessa de arrancar meus dentes um por um e a ameaça de ‘me retirar do caminho’ por meio de ‘alimentos da despensa contaminados, buracos nas calçadas e ruas, automóveis descontrolados…’ e outros meios à sua disposição que não consigo lembrar, tamanha foi a eficácia da surra”, disse sobre as ameaças de morte.
Fernández Era considera que tem “razões de sobra para atribuir aos seus captores o adjetivo de fascistas, entre elas o desapego à Constituição da República e à Lei de Processo Penal, que estabelecem que ninguém deve ser conduzido a uma cela sem cometer um crime, e que aos detidos não pode ser negado o direito de se comunicarem com seus familiares ou a algo tão humano como tomar água”.
“Não se deve esperar deles 'beijinhos', mas também não se deve esperar que estabeleçam uma emulação socialista com seus comparsas da tirania batistiana, pois para isso não morreu tanta gente”, disse.
Régime cubano reprime a Fernández Era por suas ideias políticas
Em abril, agentes da Segurança do Estado prenderam este intelectual cubano quando ele se preparava para realizar sua habitual protesto cívica no Parque Central, uma ação que ele tem repetido todos os dias 18 nos últimos dois anos.
A esposa dele, Laideliz Herrera Laza, denunciou que o interceptaram na esquina de sua casa e o levaram para a Unidade de Aguilera.
O escritor exige o fim do regime totalitário em Cuba, respeito aos direitos civis e o cessar das violações ao devido processo por parte da PNR, da Procuradoria e da Segurança do Estado.
A repressão contra vozes críticas continua sendo uma constante em Cuba, onde as autoridades criminalizam a protesto pacífico e qualquer forma de dissenso público.
Perguntas frequentes sobre a repressão e apoio a Jorge Fernández Era em Cuba
O que aconteceu com Jorge Fernández Era e por que ele foi agredido?
Jorge Fernández Era, um escritor e humorista cubano, foi vítima de uma agressão física e ameaças de morte por parte de oficiais da Segurança do Estado em Cuba. A agressão ocorreu após sua negativa em suspender sua habitual protesto pacífico no Parque Central de Havana.
Como reagiram outros artistas e figuras públicas diante da agressão a Fernández Era?
Numerosos artistas e figuras públicas, incluindo o humorista Nelson Gudín e a atriz Susana Pérez, demonstraram seu apoio a Jorge Fernández Era. Gudín, conhecido como El Bacán, dedicou um poema a Fernández Era e expressou que o agrediram "porque te temen".
O que Jorge Fernández Era disse sobre a repressão em Cuba?
Jorge Fernández Era denunciou a repressão em Cuba, qualificando seus agressores de "fascistas" e criticando o uso da força contra vozes críticas. Fernández Era exige o fim do regime totalitário em Cuba e respeito aos direitos civis.
Que medidas foram tomadas após a denúncia de Fernández Era?
Apesar da denúncia apresentada por Jorge Fernández Era, a polícia cubana não tomou medidas legais, argumentando que se tratava de "danos menores". Isso foi criticado como uma demonstração do desinteresse pelo devido processo em Cuba.
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