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Um bicitaxista camagüeyano que faleceu na quinta-feira de manhã enquanto trabalhava permaneceu várias horas em plena via pública antes de ser trasladado para a Medicina Legal.
O fato ocorreu na interseção das ruas General Gómez e San Miguel, no centro histórico da cidade, sob um calor intenso que chegava a 34 °C, com uma sensação térmica superior a 39 °C.
Segundo o relatório da mídia independente La Hora de Cuba, o homem morreu em cima de seu bicitáxi por volta das 11:00 da manhã.
"Um policial tomou seu pulso e disse que ele estava morto. Não houve primeiros socorros. Cobriram-no com alguns plásticos e ele ficou ali durante algumas horas, à vista de dezenas de curiosos e três policiais com seu carro. À 1h30 da tarde, o corpo foi removido do local pelas autoridades", detalha o texto.
Ainda não foi divulgada a causa oficial da morte, mas em uma publicação anterior, o Observatório Cubano de Direitos Humanos (OCDH) indicou que o falecido havia percorrido cerca de dois quilômetros desde o hospital provincial antes de desmaiar.
O organismo acompanhou a publicação com uma imagem - pixelizada para proteger a identidade do falecido - na qual se via o corpo ainda sobre o assento do triciclo, inclinado para a frente, rodeado por uma patrulha policial e vários testemunhos.
"Os bicitaxistas costumam trabalhar pedalando por horas sob o sol, em troca de pagamentos que variam entre 30 centavos de dólar e 10 dólares, dependendo da distância percorrida e da carga transportada, já que as autoridades proíbem a instalação de motores elétricos em seus veículos, uma solução que muitos adotam para cuidar de sua saúde, embora corram o risco de multas ou apreensões", precisou La Hora de Cuba.
"Além do calor e do esforço físico que fazem, soma-se a terrível situação de acesso a alimentos, medicamentos e atendimento de saúde adequados, que transforma esses homens em alvos fáceis de fadiga e diversas doenças", concluiu.
Nos comentários da postagem, uma jovem identificada como Tahimi Carballo, residente nos Estados Unidos, afirmou ser sua neta de criação.
"Vocês não sabem a tristeza que sinto ao ver essa foto, é meu avô e o mais triste é que não pude me despedir dele", expressou.
Carballo desmentiu que seu avô fosse um idoso. Como esclareceu, ele tinha apenas 56 anos, estava aparentemente bem e ninguém na família esperava uma morte tão repentina.
"Ele tinha mais de 20 anos nessa profissão, uma única vez consegui que ele deixasse para um trabalho em uma empresa e durou menos de um ano para voltar ao bicitáxi, ele aparentemente estava saudável, mas o estresse que se vive dia a dia cobra seu preço", detalhou.
A foto do falecido, compartilhada nas redes sociais, provocou indignação na Internet.
A inação da Polícia gerou críticas severas.
"Uma vez aprendi que, se você se deparar com um caso assim, mesmo que acredite que a pessoa esteja morta, deve dizer que sente o pulso, com o objetivo de enviá-la urgentemente a um hospital. Assim, você evita que o cadáver fique horas e horas exposto ao olhar dos curiosos, jogado até a chegada do Instituto Médico Legal...", destacou uma usuária.
"Deveriam tê-lo levado ao hospital, talvez ele apenas tivesse desmaiado. Se os policiais são analfabetos, que saberão eles sobre pulso", questionou outra.
"Talvez fosse uma hipoglicemia", afirmou um técnico da eletricidade.
"Não são médicos, não podem declarar alguém como morto sem que um profissional de saúde o avalie. Talvez fosse uma hipoglicemia, um desmaio ou algo reversível se agissem a tempo", questionou uma trabalhadora da saúde. "Deixaram-no jogado como se fosse lixo", escreveu outro usuário.
"A polícia não é médica para atestar que está falecido, tinham que chamar algum profissional de saúde para confirmar o diagnóstico. É um horror o que está acontecendo, cada notícia pior que a anterior. É uma vergonha ver as barbaridades que são cometidas. Quem sabe se prestavam primeiros socorros...", questionou uma trabalhadora da saúde.
Em Cuba, os condutores de bicitaxi -muitas vezes homens mais velhos- realizam longas jornadas sob o sol por apenas alguns poucos dólares por dia.
As autoridades proíbem a instalação de motores elétricos nesses veículos, obrigando os trabalhadores a depender exclusivamente de seu esforço físico, mesmo em condições climáticas extremas e sem garantias mínimas de saúde ou segurança.
Este trágico episódio evidencia novamente o abandono institucional que milhares de cubanos idosos enfrentam, obrigados a continuar trabalhando até o colapso em um país com uma rede de proteção social cada vez mais deteriorada.
Enquanto o regime insiste em discursos de resistência, a realidade para muitos se resume em fadiga, miséria e morte silenciosa no meio da rua.
Perguntas frequentes sobre a situação dos bicitaxistas e a resposta institucional em Cuba
Por que o cadáver do bicitaxista permaneceu várias horas na rua?
O cadáver do bicitaxista permaneceu várias horas na rua devido à falta de uma resposta oportuna por parte das autoridades. Segundo testemunhas, um policial verificou sua morte, mas não foram prestados primeiros socorros nem o corpo foi removido imediatamente, o que gerou indignação entre os presentes. Este fato reflete o colapso dos serviços de emergência em Cuba e a falta de respeito em relação aos cidadãos falecidos.
Quais são as condições de trabalho dos bicitaxistas em Cuba?
Os bicitaxistas em Cuba trabalham sob condições extremamente difíceis, pedalando durante longas horas sob o sol por um pagamento irrisório. As autoridades proíbem o uso de motores elétricos, o que obriga os trabalhadores a depender exclusivamente de seu esforço físico. Além disso, enfrentam problemas de acesso a alimentos e serviços de saúde adequados, o que os torna vulneráveis a doenças e fadiga extrema.
Que críticas surgiram em torno da atuação da Polícia neste caso?
A atuação da Polícia foi duramente criticada por não fornecer primeiros socorros nem garantir atendimento médico imediato. Muitos cidadãos questionaram que os policiais não são médicos e, portanto, não deveriam declarar alguém como morto sem que um profissional de saúde o confirme. A demora no transporte do corpo e a falta de intervenção médica oportuna foram vistas como uma demonstração de negligência institucional.
Como a crise econômica em Cuba afeta os trabalhadores mais velhos, como os bicitaxistas?
A crise econômica em Cuba obriga muitos trabalhadores mais velhos a continuarem laborando em condições precárias para sobreviver. As pensões não são suficientes para cobrir as necessidades básicas, e as aposentadorias não são suficientes para viver dignamente. Isso obriga os idosos a realizarem trabalhos extenuantes, como conduzir bicitaxis, expondo-se a situações de risco para sua saúde e bem-estar.
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