As vozes cubano-americanas no Congresso dos Estados Unidos celebraram nesta sexta-feira as sanciones impostas pelo Departamento de Estado ao governante cubano Miguel Díaz-Canel, sua família e altos cargos militares, qualificando-as como um ato de justiça há muito esperado, justo quando se completam quatro anos das históricas protestas de 11 de julho.
“Finalmente, o títere patético do ditador está sendo sancionado por suas violações contra o povo cubano”, escreveu o representante Carlos Giménez no X, enquanto sua colega María Elvira Salazar afirmou que “já era hora de termos uma liderança com tolerância zero em relação aos tiranos”.
As sanções, anunciadas pelo secretário de Estado Marco Rubio, proíbem a entrada nos EUA de Díaz-Canel, do ministro da Defesa Álvaro López Miera, do ministro do Interior Lázaro Álvarez Casas, e de seus familiares diretos. Também foram impostas restrições a funcionários judiciais e penitenciários acusados de reprimir e torturar manifestantes do 11J, embora seus nomes não tenham sido revelados.
Também, o congressista Mario Díaz-Balart agradeceu diretamente ao presidente Donald Trump e a Rubio por “usar as ferramentas legais” necessárias para punir aqueles que “continuam aterrorizando brutalmente quem apenas exige liberdade”. Díaz-Balart criticou a administração anterior por supostamente ter priorizado o apaziguamento do regime em detrimento da segurança nacional.
Por sua vez, o senador Rick Scott alertou que “a violência contra manifestantes pacíficos terá consequências” e expressou seu apoio aos estudantes que recentemente se manifestaram na Universidade de Havana, citando um artigo do Wall Street Journal.
A pergunta que muitos cubanos se fazem
Desde La Habana, Miguel Díaz-Canel qualificou a sanção como um ataque à “verdadeira independência” de Cuba e afirmou que o que incomoda os EUA é “que tenhamos saúde e educação gratuitas”.
Mas nas redes sociais, muitos cubanos questionaram a contradição de um regime que sempre demonizou os EUA, mas que se incomoda quando proíbem a entrada de sua classe dirigente.
O chanceler Bruno Rodríguez falou de uma “guerra econômica impiedosa” e o vice-chanceler Carlos Fernández de Cossío disse que se tratava de uma “suposta sanção” que assumem “com orgulho”.
As sanções desta sexta-feira reavivam os ecos de 11 de julho de 2021, quando milhares de cubanos saíram às ruas pedindo liberdade e foram reprimidos com violência. Mais de uma centena de pessoas ainda permanece na prisão por participar dessas manifestações.
Embora cheguem com quatro anos de atraso, para muitos no exílio e dentro da ilha, essas medidas são um sinal de que a repressão não ficará impune. “Os Estados Unidos nunca esquecerão a tenacidade do povo cubano”, afirmou um alto funcionário ao Miami Herald.
A mensagem também é clara: haverá consequências para aqueles que levantarem a mão contra o seu próprio povo.
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