Régimen se vitimiza após sanções dos EUA contra Díaz-Canel e a cúpula militar: “Não podem nos dobrar”

As sanções dos EUA contra dirigentes cubanos, incluindo Díaz-Canel, por violações dos direitos humanos, impedem sua entrada e a de familiares mais próximos no território norte-americano. A narrativa oficial de dignidade e resistência tropeça em questões incômodas: para que querem entrar em um país que acusam de inimigo?

O Chanceler Bruno Rodríguez lança mensagem de resistência diante da negativa de vistosFoto © Estudios Revolución

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O ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez Parrilla, assegurou em sua conta no X que, embora os Estados Unidos tenham imposto sanções migratórias a líderes políticos e militares cubanos, e mantenham uma “guerra econômica prolongada e impiedosa”, não conseguirão dobrar “a vontade deste povo nem de seus líderes”.

Pouco antes, o vice-ministro Carlos Fernández de Cossío destacou a ideia na própria rede social, qualificando a medida como um ato de “soberba e impotência” por parte de Washington.

“A sanción pretendida é assumida com orgulho, como expressão de quem serve a um povo digno, rebelde e indomável”, assegurou Fernández de Cossío.

Ambos os funcionários tentaram posicionar a negativa do visto como uma espécie de medalha de honra. Mas a reação nas redes sociais não foi exatamente de apoio ou orgulho nacional. As respostas inundaram as publicações com zombarias, contradições apontadas e uma pergunta comum: se tanto desprezam o "império", por que insistem em viajar para lá?

“Já começaram... Mas se os Estados Unidos são tão ruins, nos têm 'bloqueados' e tudo mais, por que seu presidente ou qualquer dirigente quer ir para lá?”, questionou uma usuária.

Outra resposta foi mais direta: “Se odeiam o império, não precisariam viajar para lá. Portanto, a retirada dos vistos não os afeta em nada.”

Muitos comentários concordaram que a vontade do povo não foi quebrada pelos Estados Unidos, mas pelo próprio governo cubano, que durante décadas reprimiu, censurou e empobreceu a população.

“Os Estados Unidos não conseguiram dobrar a vontade do povo #cubano, é verdade. Mas aqueles que a pisotearam durante décadas são os mesmos dirigentes que hoje se fazem de vítimas enquanto reprimem, mentem e vivem como reis. Não falem de dignidade quando o que defendem é seu poder, não o do povo”, escreveu um usuário em resposta direta a Rodríguez.

Outro comentarista destacou que no dia 11 de julho de 2021 "ficou demonstrado que o povo não os quer e os Estados Unidos não têm sanções contra o povo de Cuba; o povo de Cuba não é o PCC nem a quadrilha de criminosos que governa o país. Ocupem-se de dobrar o lixo que os está comendo vivos", e acompanhou sua opinião com imagens de lixeiras e entulhos que proliferam em Havana.

O contraste entre o discurso oficial e a percepção cidadã volta a ficar evidente. Enquanto no poder se tenta construir uma narrativa de firmeza ideológica, as ruas - ainda que virtuais - percebem oportunismo, incoerência e vitimização.

O governo dos Estados Unidos sancionou nesta sexta-feira o governante cubano Miguel Díaz-Canel por sua implicação em “graves violações dos direitos humanos”, no marco do aniversário dos protestos de 11 de julho de 2021 na ilha. A medida, anunciada pelo Departamento de Estado, inclui a proibição de entrada no país tanto para o mandatário quanto para seus familiares diretos.

Estas sanções poderiam impedir que Díaz-Canel participe de eventos internacionais, como a Assembleia Geral da ONU, onde esteve presente em ocasiões anteriores. Seu mandato presidencial está previsto para terminar em 2028.

A medida também revive antecedentes semelhantes: em 2019, o ex-presidente Donald Trump impôs sanções comparáveis a Raúl Castro e seus filhos.

Washington também sancionou o ministro das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba (FAR), Álvaro López Miera, e o ministro do Interior (MININT), Lázaro Alberto Álvarez Casas, proibindo-lhes a entrada no país junto com seus familiares diretos.

A medida, anunciada pelo Miami Herald com base em declarações de uma alta funcionária do Departamento de Estado, faz parte de um conjunto de ações para responsabilizar altos funcionários do regime cubano por violações sistemáticas dos direitos humanos.

As sanções, que incluem a revogação ou negação de vistos, foram impostas sob a seção 7031(c) da Lei de Apropriações do Departamento de Estado para o ano fiscal de 2025. Essa legislação estabelece que funcionários estrangeiros envolvidos em atos significativos de corrupção ou abusos graves contra os direitos humanos não são elegíveis para entrar no território dos Estados Unidos.

Além disso, foram impostas restrições de visto a vários funcionários judiciais e penitenciários cubanos não identificados, acusados de serem responsáveis ou cúmplices de detenções arbitrárias e atos de tortura contra os manifestantes do 11J. Por motivos de confidencialidade migratória, os nomes dos afetados não foram divulgados.

Como parte da ofensiva diplomática, o Departamento de Estado também atualizou sua Lista de Acomodações Proibidas em Cuba, e adicionou 11 novos hotéis, entre eles a conhecida como Torre K no Vedado habanero, junto com outras propriedades de luxo recentemente inauguradas, vinculadas ao conglomerado militar GAESA.

Perguntas frequentes sobre as sanções dos EUA ao governo cubano

Por que os EUA impuseram sanções ao governo cubano?

Os EUA impuseram sanções ao governo cubano devido a sua implicação em graves violações dos direitos humanos, especialmente no contexto dos protestos de 11 de julho de 2021 na ilha. Essas medidas incluem a revogação de vistos para altos funcionários do regime e seus familiares, como uma forma de responsabilizar o governo cubano por suas ações repressivas.

Qual tem sido a resposta do governo cubano às sanções dos EUA?

O governo cubano, por meio de seus funcionários, qualificou as sanções como um ato de "soberba e impotência" por parte de Washington. Funcionários como Bruno Rodríguez Parrilla e Carlos Fernández de Cossío tentaram transformar as sanções em uma espécie de medalha de honra, argumentando que os Estados Unidos não conseguirão submeter a vontade do povo cubano nem de seus líderes.

Como a população cubana tem reagido às sanções e ao discurso do governo?

A resposta da população cubana nas redes sociais tem sido, em sua maioria, crítica em relação ao governo. Muitos cubanos têm apontado a hipocrisia do regime ao criticar os EUA enquanto buscam viajar para lá e acusaram seus líderes de usar o embargo como desculpa para a repressão e a má gestão interna que empobreceram e oprimiram o povo durante décadas.

Qual é o impacto das sanções nas relações entre Cuba e Estados Unidos?

As sanções agravam ainda mais as tensões entre Cuba e os Estados Unidos, afetando a possibilidade de diálogo e cooperação entre os dois países. Além disso, essas medidas contribuem para um clima de confrontação que dificulta a possibilidade de melhorar as relações bilaterais, que já estão marcadas por um longo histórico de desconfiança e conflitos políticos.

Quais outras ações os EUA tomaram contra o regime cubano?

Além das sanções a dirigentes específicos, os EUA atualizaram sua Lista de Alojamientos Proibidos em Cuba, adicionando hotéis vinculados à GAESA, um conglomerado militar que controla grande parte da economia cubana. Essas ações fazem parte de um esforço mais amplo para responsabilizar o regime cubano pela violação dos direitos humanos e pela repressão política na ilha.

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Equipe Editorial da CiberCuba

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