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O cubano Michel Duarte Suárez, de 50 anos, declarou-se culpado nesta quarta-feira por ter participado de um plano que liderou a partir do Panamá para controlar a conta bancária de uma pessoa idosa, roubar mais de 800.000 dólares e lavar os ganhos com a ajuda de cúmplices no sul da Flórida.
Duarte admitiu sua culpabilidade por um crime de conspiração para cometer fraude bancária e fraude postal e outro de roubo de identidade agravado, pelos quais pode ser condenado a até 30 anos de prisão, além de dois anos adicionais obrigatórios, consecutivos a qualquer pena de prisão imposta, informou a Fiscalia federal dos EUA.
O cidadão cubano foi imputado inicialmente em setembro de 2023, mas nessa data residia na Cidade do Panamá, Panamá. Em janeiro de 2025, foi preso nesse país e transferido para o sul da Flórida para enfrentar as acusações por suas múltiplas fraudes.
Sobre Duarte pesava uma ordem de extradição emitida pelo governo dos Estados Unidos, por fraude bancária e lavagem de dinheiro. No início deste ano, agentes da Interpol o detiveram após a busca e apreensão em seu apartamento, localizado no setor de Paitilla, na capital panamenha.
Movendo os fios de Panamá
Os documentos judiciais registram que, em março de 2022, Duarte informou a um informante confidencial que tinha acesso à conta bancária de uma vítima idosa, que na época tinha 82 anos.
Como parte da conspiração fraudulenta, Duarte criou e enviou por correio dezenas de cheques falsificados do Panamá para o sul da Flórida, para o banco da vítima, com instruções para que fossem descontados e para devolver a ela 50% do produto do fraude por meio de uma transferência bancária para sua empresa com sede em Miami, Online Electronics.
Os cheques fraudulentos tinham assinaturas falsificadas, que imitavam a assinatura da vítima em seu cartão para aquela mesma conta bancária, no Truist Bank.
De esse modo, Duarte e seus sócios conseguiram roubar $803,146 da conta bancária da pessoa idosa, durante um período de quatro meses, “por meio da emissão de mais de 80 cheques fraudulentos a vários beneficiários diferentes, incluindo pelo menos cinco indivíduos e várias empresas”, afirma uma declaração assinada pelo acusado, seu advogado e um promotor do Ministério Público dos Estados Unidos em Miami, citada pelo jornal Miami Herald.
A sentença do cubano está marcada para o próximo dia 29 de setembro em um tribunal de Miami, diante da juíza de Distrito dos Estados Unidos, Kathleen M. Williams.
O promotor federal adjunto Alexander Thor Pogozelski está responsável pelo caso e o promotor federal adjunto Marx Calderón, pelo processo de confisco de bens. Os fatos foram investigados pelo FBI, pelo Serviço Secreto dos EUA e pelo Escritório do Inspetor Geral da Corporação Federal de Seguro de Depósitos (FDIC).
A trama do “Emperador”
O histórico criminal de Duarte é extenso. A venda de carros roubados, clonagem de cartões, falsificação de documentos… formam uma trama de estelionatos e outros crimes que foram descobertos pelas autoridades do Panamá em 2019, levando à prisão do cubano no dia 2 de novembro daquele ano, no distrito de Arraiján, durante a Operação Emperador.
O Ministério Público na província de Panamá Oeste o imputou pelos crimes de estelionato e associação ilícita para delinquir, conforme relatado na imprensa local.
A detenção ocorreu em decorrência de uma investigação policial sobre a venda de um veículo roubado na Costa Rica e introduzido ilegalmente no Panamá. O carro foi vendido através de um site na internet.
A vítima da fraude fez a denúncia às autoridades, após sua residência ser invadida em duas ocasiões pela Autoridade Nacional de Alfândega e pela Direção de Investigação Policial, devido à posse do veículo, uma caminhonete tipo pick up.
A pessoa pagou a Duarte por meio de um cheque no valor de $20.000.
A fiscalia regional de Panamá Oeste revelou a existência de uma rede de venda de carros roubados, na qual supostamente estavam envolvidos o cubano e outros indivíduos, que simulavam ser os proprietários dos veículos à venda.
As investigações do Ministério Público associaram o acusado à inscrição de outros três veículos no Município de Colón e à falsificação de documentos para vendê-los.
O juiz de Garantias determinou a medida cautelar de detenção provisória de Duarte, a pedido do Ministério Público, por sua implicação em um caso de uso indevido de cartões de crédito.
Além disso, as autoridades também o acusaram de clonagem de cartões de crédito, em um processo judicial no distrito de Arraiján, onde, após uma busca, a polícia apreendeu cartões em branco, impressoras, fitas magnéticas, computadores, discos rígidos e 1.700 dólares.
Na audiência, Duarte pediu perdão à sua vítima e disse estar disposto a devolver o dinheiro recebido. Além disso, alegou que todos os equipamentos e insumos encontrados em sua residência faziam parte do seu trabalho de compra e venda de dispositivos informáticos.
Perguntas frequentes sobre o caso de fraude bancário de Michel Duarte Suárez
Quem é Michel Duarte Suárez e do que é acusado?
Michel Duarte Suárez é um cidadão cubano de 50 anos que se declarou culpado de participar em um esquema para controlar a conta bancária de uma pessoa idosa em Miami, roubar mais de 800.000 dólares e lavar os lucros. Ele foi acusado de conspiração para cometer fraude bancária e fraude postal, bem como roubo de identidade agravado.
Como operava o esquema de fraude de Michel Duarte a partir do Panamá?
Duarte Suárez dirigiu a fraude de Panamá comunicando-se com um informante confidencial para controlar a conta de sua vítima. Ele criou e enviou mais de 80 cheques falsificados de Panamá para o sul da Flórida, com instruções para cobrálos e devolver a ele 50% do fraude através de transferências bancárias para sua empresa em Miami.
Qual é a possível condenação para Michel Duarte Suárez?
Michel Duarte Suárez pode enfrentar até 30 anos de prisão por conspiração para cometer fraude bancária e fraude postal, além de dois anos adicionais obrigatórios por roubo de identidade agravado. Sua sentença está programada para 29 de setembro em um tribunal de Miami.
Quais são os antecedentes criminais de Michel Duarte Suárez?
Michel Duarte Suárez tem um extenso histórico criminal que inclui a venda de carros roubados, clonagem de cartões e falsificação de documentos. Ele foi preso em 2019 no Panamá por estelionato e associação criminosa, o que reflete um padrão de comportamento delituoso.
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