Um pai de família que viveu nos Estados Unidos por quase três décadas enfrenta a deportação após ter sido detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE).
Embora tenha antecedentes criminais, sua família assegura que ele tem sido um cidadão exemplar durante os últimos 19 anos, e denuncia o tratamento que está recebendo enquanto permanece sob custódia.
Uma consulta rotineira com o ICE que mudou suas vidas
El passado 13 de junho, Juan Erles González, um cubano de 56 anos que chegou aos Estados Unidos em 1995, foi se apresentar como fazia há anos no escritório do ICE em Miramar, Flórida. No entanto, desta vez foi diferente.
Segundo sua filha, Ana Lisse González, naquela ocasião disseram que havia um novo “protocolo” e que ele deveria ser detido.
Foi transferido inicialmente para o centro de detenção de Krome, depois para Glades e, finalmente, para um centro no Texas.
Lá, ele assegura que foi informado de que seria liberado na fronteira no meio da madrugada.
Desde a sua detenção, Juan tem sido transferido entre pelo menos três centros de detenção e mal conseguiu se comunicar com sua família.
As chamadas que ele pode fazer são de apenas 30 segundos, denunciam seus entes queridos.
“Ele está muito triste, muito magoado por tudo o que está acontecendo, por como estão tratando ele”, afirmou em declarações à Telemundo 51 sua filha Ana Lisse, que pôde falar com ele recentemente. A falta de comunicação, a incerteza e a possibilidade real de deportação têm mergulhado sua esposa e filha em um estado de desespero.
Antecedentes do caso: uma condenação do passado que pesa no presente
Juan González chegou aos Estados Unidos após passar um ano e meio na base de Guantánamo.
Em 2007, perdeu seu status de residente permanente após ter sido condenado por conspiração para posse com a intenção de distribuir cocaína.
De acordo com sua esposa, Yojaimen Labiste, González cumpriu sua pena de 18 meses em uma prisão federal e desde então não teve mais problemas com a justiça.
"Ele cumpriu pelo crime que cometeu. Depois disso, trabalhou durante 19 anos, pagou seus impostos e se integrou plenamente à sociedade. Nunca mais teve problemas", insiste Labiste.
Um limbo migratório marcado por uma ordem de deportação antiga
Uma advogada de imigração consultada sobre o caso explicou que, embora González tivesse a residência, esta foi revogada devido ao seu crime, o que resultou em uma ordem de deportação.
No entanto, durante anos ele não foi deportado porque Cuba não o aceitava de volta, uma situação comum entre cidadãos cubanos com antecedentes nos EUA.
“Recentemente, o que temos visto é que foram abertas opções”, explica a advogada.
"Em alguns casos, Cuba está aceitando deportados, assim como outros países."
No entanto, em relação à possibilidade de ser simplesmente abandonado na fronteira sul, expressou seu ceticismo.
“Não ouvi nenhum relatório sobre isso. Não parece correto, mas tudo pode ser possível”, acrescentou, observando que um terceiro país deve aceitar formalmente o deportado antes que ele possa ser transferido.
A família suplica compaixão e humanidade
A família de Juan pede que se leve em consideração não apenas seu erro do passado, mas também seus anos de vida honesta nos Estados Unidos.
“Ele é um bom homem. Trabalhou duro, nunca mais cometeu um crime e sempre cumpriu com o que lhe pediam”, afirma sua esposa.
A incerteza sobre o futuro de Juan Erles González continua, enquanto sua família luta para dar visibilidade ao seu caso e apelar à compaixão das autoridades.
Não buscam negar o delito que cometeram, mas sim que se avalie o tempo decorrido desde então, sua reintegração à sociedade e o profundo vínculo que têm com sua família e sua vida nos Estados Unidos.
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