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A subdiretora geral para os Estados Unidos do ministério de Relações Exteriores de Cuba (MINREX), Johana Tablada de la Torre, provocou um amplo rejeição ao qualificar como “indicação política” a ativista Rosa María Payá, recentemente eleita como comissária da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA.
“A nomeação por parte do secretário de Estado e autoproclamada defensora dos direitos humanos é uma das mais proeminentes defensoras da violação dos direitos humanos do povo de Cuba”, escreveu a funcionária na rede social X (anteriormente Twitter), comentando uma publicação também difamatória do chanceler Bruno Rodríguez Parrilla.
A desqualificação faz parte de uma ofensiva do aparato diplomático cubano contra a eleição da oposicionista. Nesse sentido, Rodríguez Parrilla também acusou os Estados Unidos de “chantagear” os Estados membros da OEA para impor uma “mercenária”, enquanto um comunicado oficial do MINREX assegurou que Havana “não reconhece autoridade alguma” dessa organização regional.
Um insulto com efeito bumerangue
Mas o que deveria ser um ataque de propaganda acabou se voltando contra o regime.
O termo “ponte a dedo” é amplamente utilizado entre os cubanos —dentro e fora da ilha— para se referir ao governante Miguel Díaz-Canel, designado diretamente por Raúl Castro sem eleições livres ou participação cidadã real.
Dezenas de usuários nas redes sociais reagiram com ironia e crítica direta. “Ah, mas essa claria sabe o que é isso de nomeação a dedo?”, escreveu um internauta. Outro foi mais contundente: “O que foi nomeado a dedo é o ditador de Cuba, que ninguém elegeu em eleições livres”.
También recordaram o assassinato não esclarecido de Oswaldo Payá e Harold Cepero, ocorrido em 2012 sob circunstâncias questionadas pela própria CIDH, e vincularam esse fato à repressão sistemática do regime contra a dissidência pacífica. “Payá coletou assinaturas para um plebiscito. Vocês o mataram. Essa foi a via pacífica para acabar com a ditadura”, apontou um usuário.
Otros se burlaram abertamente do lapso retórico de Tablada: “Alguém disse posto de dedo? Me chamavam?”, escreveu um usuário acompanhando o parlamento fictício com uma foto de Díaz-Canel. “Falando em postos a dedo... Canel”; “Isso está te afetando, Johana”, foram algumas das outras respostas que a diplomática do regime recebeu.
Tablada: A propaganda como ofício
Tablada de la Torre é uma figura amplamente reconhecida por sua defesa incondicional do regime cubano em fóruns internacionais.
Seu histórico inclui negações sobre provas de bases de espionagem chinesas em Cuba, ataques ao diplomata estadunidense Mike Hammer, e uma longa sequência de declarações alinhadas com a narrativa oficial que culpabiliza exclusivamente o embargo estadunidense por todos os problemas do país.
Seu papel, longe da diplomacia tradicional, parece mais vinculado à propaganda institucional. A contradição de usar o termo “indicação” —justamente quando se refere a uma ativista escolhida por votação na OEA— não apenas a desacredita, mas também evidencia o duplo padrão com que o regime julga os processos democráticos.
Rosa María Payá: Legitimidade e apoio
A diferença da liderança imposta por herança dentro do aparelho comunista cubano, Rosa María Payá foi nominada pelo governo americano e eleita por votação dos Estados membros da OEA, o que lhe confere legitimidade democrática e respaldo institucional. Sua eleição foi comemorada por diversas organizações de direitos humanos e defensores da liberdade na região.
Frente a isso, as desqualificações lançadas pela diplomacia cubana revelam não apenas intolerância, mas um profundo medo de que vozes dissidentes ocupem espaços de poder em organismos internacionais. Que a resposta tenha sido tão virulenta e repleta de contradições apenas confirma a incomodidade do regime diante de uma figura que encarna uma alternativa ao autoritarismo.
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