Multam em 16 mil pesos um cuentapropista em Santiago de Cuba, e ela é ameaçada por gravá-lo

O caso, amplamente divulgado nas redes sociais, se soma a uma série de denúncias por abusos de autoridade e repressão econômica contra trabalhadores autônomos na ilha.

Cobrança de multa (Imagem de Referência)Foto © ACN

Uma mulher cubana foi multada em 16 mil pesos no povoado de Dos Caminos, no município de San Luis, Santiago de Cuba.

O fato foi documentado em um vídeo compartilhado pelo jornalista Mario J. Pentón, onde se ouve a senhora visivelmente alterada, recusando-se a assinar a sanção imposta por duas inspetoras estaduais.

A seu lado, sua neta tenta defendê-la e grava a cena como prova do que ocorreu. Em resposta, uma das inspetoras ameaça acusá-la se o vídeo for publicado: “Se você me publicar, te acuso”, disse. “Não me ameaçava”, responde a jovem no meio da troca tensa.

A jovem, consternada, insiste que não está ameaçando ninguém e se limita a gravar o que considera um ato de injustiça. “Ela é minha avó”, diz com a voz trêmula enquanto tenta explicar a situação.

As imagens refletem não apenas a desesperação de uma família diante de uma multa que consideram injusta, mas também o clima de intimidação que os cidadãos enfrentam ao tentar documentar a atuação das autoridades.

Embora os detalhes exatos que motivaram a sanção não sejam conhecidos, a reação dos presentes sugere uma cena comum na Cuba atual: mulheres trabalhadoras punidas por tentarem se sustentar como podem e cidadãos ameaçados por exercerem seu direito de gravar eventos públicos.

Em março passado, um vendedor de carrinho identificado como Damián foi obrigado pela polícia, também em Santiago de Cuba, a vender seus produtos a preços irrisórios para evitar o confiscamento de sua mercadoria e, mesmo assim, recebeu uma multa de 36 mil pesos.

“De onde Damián vai tirar esse dinheiro se ele é um lutador como qualquer outro?”, perguntou um testemunha do fato, refletindo o desespero daqueles que apenas tentam sobreviver em meio a uma crise sem precedentes.

Um mês depois, outro incidente abalou a província quando um cocheiro, supostamente após receber uma multa de 16 mil pesos, agrediu com um facão uma inspectora em Palma Soriano. Embora a versão oficial tenha tentado desvincular a sanção do fato, várias fontes confirmaram que o conflito surgiu após uma inspeção direta.

Estes casos fazem parte de um sistema institucionalizado de multas que transformou a pressão econômica em uma ferramenta de controle social. Segundo números do próprio regime, somente no primeiro trimestre de 2025 foram impostas mais de 425 mil multas no país, com uma arrecadação superior a mil milhões de pesos.

Santiago de Cuba figura entre as províncias com maior número de sanções, em meio a uma inflação descontrolada e salários que não são suficientes para cobrir as necessidades básicas.

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