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O governo cubano reconheceu publicamente a existência de dívidas pendentes com empresas russas e
Assim confirmou o ministro do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, Oscar Pérez-Oliva Fraga, durante o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (PMEF) 2025, segundo relatou a agência RIA Novosti citada pelo site SNS FM.
"Cuba está disposta a saldar suas dívidas, mas precisa primeiro fortalecer sua economia e dispor dos recursos necessários", declarou o ministro durante o diálogo empresarial Rússia-Cuba.
Dívida reconhecida, pagamentos adiados
O funcionário não especificou o montante da dívida, mas reafirmou que Havana considera legítimos os compromissos assumidos com empresas russas em diferentes setores, e que sua intenção é cumpri-los quando possível.
Como parte de sua estratégia para melhorar sua capacidade de pagamento, o regime cubano planeja: desenvolver exportações não tradicionais, impulsionar o substituto de importações e aproveitar tecnologias russas para ganhar eficiência produtiva e melhorar o saldo comercial.
Por outro lado, durante sua visita à ilha em abril, o vice-primeiro-ministro russo Dmitri Chernishenko prometeu que seu país "ajudará a alcançar a soberania, o bem-estar econômico e a prosperidade” da Ilha.
A promessa chegou em um momento crítico para o castrismo, que atende a todos os requisitos para ser considerado um Estado falido, exceto o de perder o controle territorial.
Cuba busca manter vínculos com a Rússia
Durante o encontro, que reuniu representantes governamentais e empresariais de ambos países, a parte cubana expressou seu interesse em manter e ampliar a cooperação com Moscovo, especialmente em setores-chave como energia, biotecnologia, transporte e tecnologias industriais.
O diálogo faz parte dos esforços de Cuba para pressionar
Queda do turismo russo e apoio ao setor energético
No mesmo fórum, as autoridades cubanas projetaram uma redução de 50 por cento no turismo proveniente da Rússia em 2025, o que representa um golpe adicional para uma economia já altamente dependente de receitas em moeda estrangeira. A contração é atribuída a dificuldades logísticas, à inflação em ambos os países e à instabilidade global.
A véspera, enquanto isso, o ministro de Energia da Rússia, Serguéi Tsiviliov, comprometeu-se a impulsionar a modernização do sistema energético cubano, incluindo a construção de uma nova unidade geradora de 200 megawatts (MW) e a reparação de blocos existentes de 100 MW, conforme informaram meios como Telesur e News Rambler.
Linhas de crédito
Em setembro de 2024, o governo russo anunciou que planejava conceder novas linhas de crédito, informou a agência EFE.
"A Rússia tomará medidas adicionais para apoiar Havana, em particular, com a concessão de novas linhas de crédito", afirmou o secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Serguéi Shoigú, durante uma reunião em São Petersburgo com o ministro do Interior cubano, Lázaro Alberto Álvarez.
Embora ainda não se conheçam os detalhes dessa nova medida, que tem como objetivo reestruturar a dívida da ilha e conceder condições mais favoráveis para o pagamento, a parte russa já manifestou que busca ajudar diante das restrições comerciais e econômicas que o país enfrenta.
Em março daquele ano, o presidente russo, Vladímir Putin, autorizou a modificação dos acordos de crédito entre a Rússia e Cuba.
O portal de informação jurídica do Governo russo publicou que os protocolos são respaldados pelo presidente russo e têm impacto nos créditos estatais concedidos a Cuba entre 2009 e 2019 para a aquisição de hidrocarbonetos
As facilidades concedidas a Havana incluem a opção de saldar a dívida em rublos, o adiamento do plano de pagamentos inicialmente programado para 2023-2027 para o período de 2028-2040, e ajustes no cálculo das taxas por pagamentos atrasados.
Em novembro passado, o governante cubano Miguel Díaz-Canel se reuniu com o vice-primeiro-ministro da Rússia, Dmitri Chernichenko, que anunciou um crédito de 65 milhões de dólares para a ilha enfrentar a grave crise energética que enfrenta. Os resultados ainda não foram vistos.
O apoio financeiro russo não apenas ajuda Cuba em suas necessidades mais imediatas, mas também tem implicações políticas e estratégicas.
A Rússia utiliza esta assistência para fortalecer sua presença na América Latina, mantendo vínculos sólidos com um de seus aliados históricos na região.
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