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Em uma jogada legal que despertou reações na opinião pública, a defesa de Derek Rosa, o adolescente acusado de assassinar a sua mãe em Hialeah, solicitou a exclusão do julgamento de uma das provas mais contundentes do caso: sua própria confissão à polícia.
A moção foi qualificada por alguns como uma tentativa legítima de garantir um devido processo, enquanto para outros representa um obstáculo para o esclarecimento da verdade.
Durante uma audiência realizada nesta sexta-feira no tribunal criminal de Miami-Dade, os advogados de defesa argumentaram que la confissão foi obtida sem que Derek, de apenas 13 anos na época do crime, compreendesse plenamente seus direitos constitucionais.
Afirmam que “não entendeu o que implicava falar com os investigadores sem a presença de um advogado”, o que representa uma grave violação de suas garantias processuais.
Segundo documentos apresentados em tribunal - citados pela mídia local - a defesa argumenta que foi lida ao menor uma advertência incorreta ao explicar seus direitos, motivo pelo qual solicitam uma audiência formal para discutir a legalidade de tal interrogatório.
Outras solicitações e tensões na sala
Na audiência, que contou com a participação virtual de Derek Rosa - embora não tenha aparecido na câmera - também foram abordados outros temas que geram tensão entre a defesa e a acusação.
Uno dos pontos álgidos foi a filtragem de imagens e vídeos obtidos de uma câmera instalada no dormitório onde Irina García dormia com sua filha recém-nascida.
Estas imagens, captadas na noite do crime, teriam chegado às mãos de meios de comunicação e circularam nas redes sociais.
A defesa exigiu saber “quem tirou as fotos e vídeos da noite do crime e os filtrou”, enfatizando que “quando se souber o nome de quem o fez, isso terá relevância”.
No entanto, o juiz Richard Hersch considerou, por enquanto, que esse assunto é “irrelevante” para o processo judicial.
Outro elemento que gerou debate é uma conversa gravada entre Frank Ramos - parceiro de Irina García e padrasto de Derek - e uma mulher a quem supostamente ele teria contado detalhes do crime.
A defesa pede que seja incluído como prova, mas a promotoria insiste que foi uma conversa “gravada sem consentimento” e que não contém informações de primeira mão.
Saúde mental na balança
A defesa também solicitou que os registros de saúde mental de Derek Rosa permaneçam confidenciais até o momento do julgamento.
O menor foi diagnosticado com autismo e transtorno de déficit de atenção, condições que a defesa considera fundamentais para entender seu estado emocional e cognitivo no momento do crime.
No entanto, o juiz Hersch indicou que a promotoria deve ter acesso a essa informação para garantir um processo justo: “considera relevante que a promotoria os tenha, para ter acesso ao diagnóstico e tratamento”.
A saúde mental de Derek pode ser um aspecto central no julgamento. Inclusive, uma médica do sistema correccional pode testemunhar sobre isso, embora a promotoria tenha alertado que ainda não recebeu evidência médica formal e está considerando solicitar uma avaliação independente.
Teoria alternativa do crime: Um novo suspeito?
Em uma reviravolta que pode reconfigurar a narrativa do caso, há algumas semanas a defesa introduziu uma “teoria alternativa do crime”.
Segundo documentos judiciais citados pela rede Univision, áudios e mensagens de redes sociais vinculados a Frank Ramos podem sugerir a existência de outro possível suspeito, diferente de Derek Rosa.
O advogado de defesa José Báez tem insistido em obter mais provas relacionadas ao padrasto do adolescente, incluindo informações sobre voos supostamente ligados à esposa legal de Ramos e suas filhas, que estavam em Cuba na data do crime.
Embora o estado tenha entregado esses documentos, a identidade das menores foi protegida por razões de privacidade.
Cronograma do julgamento e próxima audiência
O juiz Richard Hersch marcou o início do julgamento para 22 de setembro de 2025.
Espera-se que a seleção do júri comece no final de junho.
A próxima audiência está marcada para o dia 9 de julho, onde serão discutidos aspectos chave como a admissibilidade de provas e novas moções da defesa.
Derek Rosa, que agora tem 14 anos, está detido no centro para adultos Metro West, aguardando para enfrentar um julgamento por assassinato em primeiro grau.
O caso tem chocado a comunidade de Hialeah e do sul da Flórida desde que foi conhecido o brutal assassinato de Irina García, uma mãe de 39 anos que estava cuidando da sua filha recém-nascida quando foi esfaqueada.
Vídeos recentes obtidos pela Univision mostraram a avó de Derek Rosa e um de seus netos chegando ao complexo de apartamentos após o crime, assim como o interrogatório ao qual a avó foi submetida pela polícia.
A opinião pública permanece dividida. Em cada audiência judicial, comparecem tanto pessoas que apoiam o adolescente quanto outras que exigem justiça pela vítima.
Perguntas frequentes sobre o caso de Derek Rosa e o assassinato de sua mãe em Hialeah
Por que a defesa de Derek Rosa quer excluir sua confissão do julgamento?
A defesa argumenta que Derek Rosa, que tinha 13 anos no momento do crime, não compreendeu plenamente seus direitos constitucionais ao confessar à polícia sem a presença de um advogado. Por isso, consideram que sua confession foi obtida de maneira inadequada e buscam excluí-la do julgamento para garantir um devido processo.
Que teoria alternativa a defesa apresenta sobre o crime?
A defesa de Derek Rosa introduziu uma teoria alternativa que sugere que Frank Ramos, o padrasto de Derek, poderia ser um possível suspeito do crime. Eles baseiam essa teoria em mensagens e áudios de Ramos que descrevem detalhes do homicídio que, segundo a defesa, só poderiam ser conhecidos por alguém que esteve presente na cena do crime.
Qual é o papel da saúde mental de Derek Rosa em sua defesa?
A defesa de Derek Rosa solicitou que seus registros de saúde mental sejam mantidos em sigilo, uma vez que o menor foi diagnosticado com autismo e transtorno de déficit de atenção. Consideram que essas condições são essenciais para compreender seu estado emocional e cognitivo no momento do crime e poderiam ser um ponto central no julgamento.
Por que Derek Rosa continua detido em uma prisão para adultos?
O juiz Richard Hersch negou repetidamente o pedido da defesa para transferir Derek Rosa para um centro de detenção juvenil. Apesar de sua pouca idade, o juiz considera que ele deve permanecer na prisão para adultos até o julgamento, que enfrentará como adulto pela acusação de assassinato em primeiro grau.
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