Violência em Cuba: Comoção pelo assassinato de um homem em Manzanillo

Edilberto Álvarez Fonseca, de 70 anos e residente na cidade de Manzanillo, em Granma, foi assaltado na semana anterior por cinco indivíduos, que lhe tiraram a vida para roubá-lo.

Edilberto Álvarez Fonseca, outra vítima mortal da violência em CubaFoto © Facebook/Crímenes e desaparecidos em Cuba

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O brutal assassinato de um homem idoso na semana anterior na cidade de Manzanillo, província de Granma, causou grande comoção na comunidade e corrobora a insegurança que se vive no país devido ao crescente aumento da criminalidade e dos crimes violentos.

A vítima foi identificada nas redes sociais como Edilberto Álvarez Fonseca, de 70 anos e residente nessa localidade do oriente de Cuba, que nas primeiras horas da madrugada da última quarta-feira foi atacada por cinco indivíduos, com o intuito de roubar, segundo um relatório no grupo do Facebook “Crímenes y desaparecidos en Cuba”.

Captura de Facebook/Crimes e desaparecidos em Cuba

A publicação precisou que no dia do assassinato, Álvarez, “um homem respeitável e querido por todos, saiu de sua casa às 4:00 da manhã para realizar alguns trâmites de sua patente de trabalho”, quando “foi assaltado por um grupo de cinco pessoas, segundo uma senhora que testemunhou o fato”, ocorrido perto do Parque Céspedes.

O senhor “tentou se defender retirando uma arma branca de sua bolsa”, e conseguiu ferir dois dos assaltantes, um deles, no rosto, indicou o relatório. Mas, “lamentavelmente, ele recebeu uma estocada em um braço, afetando uma artéria, o que provocou seu falecimento”.

“Não me deixem morrer”, implorou Álvarez nos últimos momentos de sua vida, afirmaram testemunhas. Segundo a nota, diante do pedido de auxílio do homem, a mesma senhora chamou a polícia, e uma patrulha o levou ao hospital, mas, infelizmente, ele perdeu muito sangue e faleceu.

De acordo com esta versão dos fatos, um familiar da vítima, sob condição de anonimato, indicou que, no mesmo dia do crime, a polícia informou à família que havia prendido três dos assassinos, e, no dia do enterro, que havia detido um quarto. No entanto, “não obtiveram mais informações sobre o caso”.

A quase uma semana dos acontecimentos, tanto as autoridades quanto a imprensa oficial ainda mantêm silêncio sobre o crime e a prisão dos suspeitos.

Familiares da vítima e vizinhos do local onde o assassinato ocorreu confirmaram o trágico evento.

Eva Bazán, familiar de Álvarez, relatou o ocorrido em um texto comovente: “É necessário ser firme com a criminalidade e as drogas. Ontem, por volta das 4h30 da manhã, no parque de Manzanillo, nas instalações da Onat, cinco bandidos mataram meu irmão de coração Edilberto Álvarez Fonseca, um homem digno e íntegro. Ele estava prestes a fazer alguns trâmites nessa entidade e foi agredido para serem levados seus pertences, exigiam dinheiro”.

Captura de comentário no Facebook

“Ele se defendeu com uma pequena faca que trazia na bolsa, mas eram muitos. Fizeram-lhe um grande Corte no braço, cortando as veias. Pediu ajuda. Quando a polícia chegou, o levou ao Celia [Hospital Celia Sánchez Manduley] ainda com vida, mas morreu”, revelou Bazán.

A mulher condenou o crime e, em meio à dor pela sua perda, exigiu uma ação contundente das autoridades: “Será que a criminalidade e as drogas vão fazer o que quiserem ou faz falta o Bukele para ensinar os ladrões a respeitar? Uma vez o General do Exército disse: ‘Aquele que mata com ferro, morre com ferro’. A pena de morte não é aplicada, mas os ladrões matam pessoas boas como é o caso. Depois recebem 20 anos, passado um pouco mais da metade estão soltos e nós choramos por nosso irmão do coração. Crescemos juntos, sua irmã é minha cunhada e ele era um verdadeiro cavalheiro romântico, educado e um homem de caráter. Mão dura, Presidente. As ruas não são dos criminosos, são dos homens e mulheres de bem. Esta dor que tenho me fez expressar tudo isso. Mão dura, caramba.”

Uma residente do local também comentou detalhes do que aconteceu: “Isso ocorreu ao lado do prédio onde moro, o senhor pedia socorro e dizia que estava se esvaindo em sangue, que não o deixassem morrer. Quando os vizinhos saíram, ele já havia perdido muito sangue. Apesar de terem ajudado e do carro ter chegado rápido, a hemorragia era muito grande.”

Enquanto outra vizinha da área declarou: “Fico triste ao saber dessa notícia tão lamentável, o assassinato de um vizinho, um trabalhador honesto e decente. Que realidade amarga, nos últimos minutos de sua existência. Meus pêsames aos familiares e amigos.”

Daniel Herrero Pacheco evocou sua amizade com Álvarez: “Descanse em paz, querido amigo. Trabalhei com ele no MINAZ, foi uma pessoa muito culta e um bom amigo.”

Decenas de pessoas expressaram sua dor e também indignação pelo crime que ceifou a vida de Álvarez, assim como sua preocupação com a insegurança e o crescente perigo que a população enfrenta diante da escalada da criminalidade, que se intensificou à medida que a crise econômica se agrava no país.

“Estive há pouco em Manzanillo e realmente não queria acreditar no que me contavam que acontecia lá, é verdade que tudo se perdeu neste país e é o síndrome de um país com fome e miséria”, considerou Aileen Pérez.

“Que dor, que inquietação, que tristeza, que impotência, que filhos de... Aonde vamos parar”; “justiça, mãos duras contra esse tipo de atos, Cuba se tornou o país mais perigoso do mundo”, foram outras das opiniões de usuários.

Eledimir Santiesteban compartiu sua preocupação e fez um alerta: “Minhas condolências à família da vítima; sou da opinião de que é hora de impor um rigor maior à criminalidade, se continuarmos assim, nos tornaremos um país inseguro, onde as pessoas terão medo de sair às ruas. Fatos como esses devem ser julgados com severidade, já os criminosos roubam tanto em residências quanto assaltam tanto crianças quanto jovens ou idosos; vê-se jovens de capuz à noite e motos se movendo altas horas da madrugada, como se tudo fosse um plano elaborado pelos criminosos para cometer suas atrocidades. Se não agirmos hoje, amanhã será tarde.”

Con ele coincidiram numerosas pessoas, que exigem das autoridades agir com firmeza contra a criminalidade e que se faça justiça, com penas severas -incluindo a pena de morte- contra os autores de crimes como o que angustia toda Manzanillo há uma semana.

Perguntas frequentes sobre a violência e segurança em Cuba

O que aconteceu com Edilberto Álvarez Fonseca em Manzanillo?

Edilberto Álvarez Fonseca, um homem de 70 anos, foi assassinado em Manzanillo enquanto tentava se defender de um assalto por parte de cinco indivíduos. Este incidente reflete o crescente problema de insegurança em Cuba.

Qual é a situação da segurança em Cuba atualmente?

A segurança em Cuba está em crise, com um aumento alarmante de roubos e crimes violentos em várias províncias. Os cidadãos expressam preocupação pela falta de resposta eficaz por parte das autoridades.

Como a crise econômica está afetando a segurança em Cuba?

A crise econômica em Cuba está contribuindo para o aumento da criminalidade, já que o desespero e a escassez de recursos levam mais pessoas a cometer atos delituosos. Isso gerou uma maior insegurança entre a população.

Que ações estão tomando as autoridades cubanas diante da onda de violência?

As autoridades cubanas realizaram operações e prisões, mas a população critica a falta de eficácia e transparência nas ações do governo. Muitos cidadãos exigem medidas mais contundentes e eficazes para melhorar a segurança.

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