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Uma publicação nas redes sociais que mostra aves identificadas como gorrões mortos embalados e à venda por 1.000 pesos ou em troca de saldo móvel desencadeou uma onda de indignação cidadã e a rejeição frontal da organização Bem-Estar Animal Cuba (BAC), que qualificou o fato como um “ato de crueldade animal e afronta moral”.
Segundo a denúncia da filial do BAC em Havana (BAC-Habana) em seu perfil no Facebook, os animais estavam sendo oferecidos como animais de estimação ou como ingrediente para sopa, o que gerou não só repulsa, mas também apelos urgentes às autoridades para agir de acordo com a lei.
En BAC “condenamos com firmeza este ato de crueldade animal e de afronta moral. O pardal é um símbolo de ternura, resistência e liberdade para o povo cubano. Esta pequena ave faz parte do imaginário coletivo da nossa identidade e merece respeito”, sublinhou o comunicado.
A organização lembrou que o Decreto-Lei Nº 31 de Bem-Estar Animal, em vigor em Cuba desde 2021, proíbe expressamente a caça, captura, maus-tratos ou comercialização de animais silvestres sem autorização, considerando essas ações como infrações graves, conforme estabelecido nos artigos 5, 9, 14, 22 e 29.
Solicitou também às autoridades do Ministério da Agricultura, à Flora e Fauna Silvestre e à Procuradoria Geral da República que tomem providências para impedir que esses abusos se repitam.
“No podemos permitir que a necessidade ou a informalidade justifiquem a violência contra seres vivos. Nem tudo se vende. Nem tudo se come. Nem tudo se negocia.”, ressaltou.
Em outra publicação, o BAC indicou que anunciará no dia 8 de junho, às 15h00 (horário de Cuba), uma “iniciativa sem precedentes contra a crueldade animal de caráter internacional”, enquanto incentivou a população a se juntar e a não ficar em silêncio.
Comentários como “precisamos de uma marcha pacífica”, “aqui também há abusos com cavalos e cães”, mostram que o problema do maltrato animal não é isolado e afeta todo o país.
A publicação que exibe os pardais como mercadoria provocou uma reação em cadeia nas redes sociais, onde centenas de cubanos expressam seu absoluto repúdio e exigem justiça.
“Asco e repúdio”, “prisão para os maltratadores”, “até quando o silêncio institucional”, opinaram vários usuários, que denunciam tanto a venda ilegal quanto a inação das autoridades.
Em outro post, BAC lembrou que os pardais chegaram às ilhas da região como viajantes involuntários nos navios coloniais, trazendo consigo o eco de outras costas e adaptando-se com uma incrível facilidade ao calor e à brisa caribenha.
“Mais que simples aves, os pardais são um símbolo de resiliência e comunidade... Além de seu charme, desempenham um papel vital no equilíbrio urbano. Ao se alimentarem de insetos, ajudam a controlar pragas e são indicadores naturais da saúde de nossos ecossistemas. Cuidá-los é cuidar do ar que respiramos e do pulso de nossas ruas”, ressaltou a organização.
No final de abril, Lourdes Elena, tutora de uma gata chamada Lulita, denunciou que três moradores de seu edifício em Mayarí, província de Holguín, lançaram o animal de uma sacada do terceiro andar e, após a queda, o agrediram e incitaram um cachorro até provocar sua morte.
Contraditoriamente, dias depois, a denunciante foi indiciada por suposta difamação, o que gerou novas críticas contra as autoridades por sua gestão do caso.
Finalmente, o Departamento de Sanidade Animal (DSA) de Mayarí a um vizinho identificado como Manolo, após determinar que ele foi o único responsável pela morte da gata. Assim informou a rede Bem-Estar Animal Cuba (BAC) através de um comunicado publicado nas redes sociais.
Embora Cuba conta desde abril de 2021 com o Decreto-Lei 31 de Bem-Estar Animal, as espécies de rua continuam desprotegidas no país, refletindo também as carências estruturais de recursos e organizativas do sistema veterinário nacional.
Também foram denunciadas as condições em que se encontram os exemplares em vários zoológicos. Ao mesmo tempo que denunciam impunidade, abandono e abusos, os protetores de animais exigem uma lei realmente eficaz que supere o ineficaz decreto-lei atual.
Um dos casos mais indignantes ocorreu no início de abril, quando um indivíduo ofereceu uma coruja viva por 20.000 pesos em um grupo do Facebook em Havana.
Antes transcendeu um fato que provocou comoção: uma mulher em Gibara encontrou ladrões cozinhando seu gato depois de roubá-lo.
Outra situação reveladora foi exposta em março passado pela ativista Yenney Caballero, que denunciou publicamente a clínica veterinária Mascolive por se recusar a realizar uma intervenção cirúrgica em uma gata em estado crítico.
Perguntas frequentes sobre maus-tratos a animais e a legislação em Cuba
O que diz o Decreto-Lei de Bem-Estar Animal em Cuba sobre a comercialização de animais?
O Decreto-Lei de Bem-Estar Animal, em vigor desde 2021 em Cuba, proíbe a caça, captura, maus-tratos ou comercialização de animais silvestres sem autorização, considerando-as infrações graves. Também estabelece sanções para essas ações, que podem incluir multas e apreensão de animais.
Que medidas foram tomadas em relação à venda de pardais mortos em Cuba?
A organização Bem-Estar Animal Cuba (BAC) condenou a venda de pardais mortos, qualificando-a como um ato de crueldade animal e uma afronta moral. A BAC solicitou às autoridades do Ministério da Agricultura e da Procuradoria Geral da República que tomem medidas legais para evitar que esses abusos continuem.
Como a aplicação do Decreto-Lei de Bem-Estar Animal afeta a proteção dos animais em Cuba?
Apesar da existência do Decreto-Lei de Bem-Estar Animal, sua aplicação em Cuba tem sido considerada ineficaz por ativistas. As constantes denúncias de maus-tratos a animais evidenciam que as sanções não são suficientemente rigorosas e que a impunidade continua a prevalecer.
O que simbolizam os pardais na cultura cubana?
Para o povo cubano, os pardais são um símbolo de ternura, resistência e liberdade. Essas aves fazem parte do imaginário coletivo da identidade cubana e são vistas como um componente vital do equilíbrio urbano e ecológico, ajudando a controlar pragas e servindo como indicadores da saúde do ecossistema.
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