O governo cubano qualificou nesta quinta-feira como "racista" e prejudicial a decisão dos Estados Unidos de restringir parcialmente a entrada de cidadãos cubanos em seu território, em uma lista que Cuba integra junto com outras sete nações, entre elas a Venezuela.
El ministro de Relaciones Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, denunciou na rede social X que a “nova proibição de entrada em #EEUU de nacionais de vários países tem um fundo racista com apoio de políticos anticubanos”.
Rodríguez também alertou que a medida “prejudica o contato entre as famílias cubanas”, em referência aos entre 1,5 e 2,5 milhões de cubanos e descendentes de cubanos que, segundo diversos estudos, residem nos EUA.
Por último, afirmou que a nova restrição “diana os intercâmbios pessoais, profissionais, acadêmicos e culturais entre os dois países”.
Forte reação da população: “Desde quando a vocês se importam com a família cubana?"
A publicação do chanceler no X provocou uma enxurrada de comentários críticos por parte dos internautas, muitos dos quais expressaram sua indignação pela menção à separação familiar.
“Desde quando a vocês se importa a família cubana? Vocês que a separaram desde o primeiro dia. Assassinos, estão muito assustados, lhes resta pouco. Abaixo a ditadura!”, questionou um cidadão.
“Você e seu governo promovem isso. Continuam submetendo o povo a condições desumanas. Devo detalhá-las?”, apontou outro.
“Quem começou com a divisão das famílias? O HDGP maior que nosso país deu, a Pedra. Agora, porque estão afogados, precisam dos apátridas, vermes, dissidentes, excubanos, etc. Vá para sin... por sua fotingo. HDGP”, exclamou um terceiro indignado, que atribuiu a Fidel Castro o início da separação das famílias.
Outro comentário concluiu: “Blá blá, se vocês são os que têm atrapalhado por 70 anos, sempre tirando os dólares do exílio.”
A nova ordem executiva dos EUA.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira uma ordem executiva que proíbe a entrada em seu território a cidadãos de 12 países e impõe restrições parciais a outros sete, incluindo Cuba.
A ordem, que entrará em vigor no próximo dia 9 de junho, proíbe totalmente a entrada de cidadãos do Afeganistão, Mianmar, Chade, República do Congo, Guiné Equatorial, Eritreia, Haiti, Irã, Líbia, Somália, Sudão e Iémen.
Assim como, impõe limitações aos nacionais de Burundi, Cuba, Laos, Serra Leoa, Togo, Turcomenistão e Venezuela, sob o argumento de "riscos para a segurança nacional".
Sobre o caso cubano, o texto oficial afirma que a ilha "é um Estado patrocinador do terrorismo. O Governo de Cuba não coopera nem compartilha informações suficientes em matéria de cumprimento da lei com os Estados Unidos. Historicamente, Cuba tem se negado a aceitar o retorno de seus nacionais passíveis de deportação".
A isso se soma que "de acordo com o Relatório de Excedência de Vistos (Overstay Report), Cuba teve uma taxa de excedência nos vistos B-1/B-2 de 7,69% e uma taxa de excedência nos vistos F, M e J de 18,75%".
"Portanto, é suspensa a entrada nos Estados Unidos de cidadãos cubanos como imigrantes e como não imigrantes sob as categorias de visto B-1, B-2, B-1/B-2, F, M e J."
Subraya que "os funcionários consulares deverão reduzir a validade de qualquer outro visto de não imigrante emitido a cidadãos cubanos na medida permitida pela lei".
A Casa Branca precisou que as restrições parciais permitem certas exceções para residentes permanentes legais nos EUA, pessoas com vistos válidos, solicitantes de vistos em categorias específicas e indivíduos cuja entrada seja considerada de interesse nacional.
Segundo funcionários do governo, a proclamação foi acelerada após o ataque antisemita ocorrido no domingo em Boulder, Colorado, embora já estivesse sendo avaliada anteriormente.
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