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Os Estados Unidos podem enfrentar um duro golpe econômico se a queda do turismo internacional continuar, com perdas estimadas em 23 bilhões de dólares no produto interno bruto (PIB) e até 230 mil empregos em risco, segundo um estudo liderado pela economista Jennifer Thorvaldson, da empresa Implan.
A diminuição de 10% nas chegadas de visitantes estrangeiros projetada para este ano, com base na queda de viajantes por via aérea em março, é resultado de uma combinação de fatores: disputas comerciais, tarifas, maiores controles migratórios e uma percepção negativa sobre as políticas dos Estados Unidos, especialmente entre os turistas canadenses.
Setores chave como a restauração, a hospedagem e o entretenimento seriam os mais afetados, com perdas de empregos que superam os 120.000 postos. Concretamente, mais de 50.000 empregos poderiam desaparecer em restaurantes, quase 45.000 em hotéis e cerca de 25.000 em entretenimento.
Além disso, o comércio varejista, incluindo os postos de gasolina, perderia cerca de 19.500 postos de trabalho. As perdas totais em rendimentos laborais ultrapassariam os 13.000 milhões de dólares, precisou a economista à revista Fortune.
“O impacto no emprego é desproporcional devido à escassa automação nos setores de serviços”, alertou Thorvaldson. Além disso, para cada dólar não gasto por turistas estrangeiros, a economia americana perde 1,19 dólares adicionais, segundo suas estimativas.
Embora abril tenha mostrado uma recuperação parcial nas chegadas devido ao atraso da Semana Santa, o relatório da Oxford Economics alerta que a tendência geral continua preocupante.
A firma agora estima uma queda de 8,7% nos viagens internacionais para os EUA, em comparação com uma projeção anterior de 9,4%. Entre maio e julho, as reservas aéreas estão 11% abaixo das de 2024.
Cidades como Nova York, Las Vegas e Miami, assim como áreas fronteiriças com o Canadá, estão entre as mais vulneráveis.
Segundo uma pesquisa da Longwoods International, três em cada cinco canadenses consideram menos provável viajar para os EUA nos próximos 12 meses devido ao atual clima político e comercial. Em abril, as visitas de canadenses por terra caíram 35% e de avião 20%.
Além disso, a força do dólar em relação a moedas como o iene japonês ou o real brasileiro torna as viagens para os EUA menos vantajosas, o que pode levar os turistas a buscar destinos alternativos.
Endurecimento das políticas migratórias e seu impacto no turismo para os EUA.
A queda projetada do turismo internacional para os Estados Unidos em 2025 se insere em um contexto de endurecimento das políticas migratórias e restrições de viagem implementadas pela administração do presidente Donald Trump.
Diversas companhias aéreas europeias, como Lufthansa, British Airways, Air France, KLM e Iberia, reduziram ou cancelaram rotas para cidades americanas como Nova Iorque, Miami, Los Angeles e Chicago, redirecionando suas operações para destinos na América Latina, Caribe e Canadá, onde a demanda é maior.
O Ministério das Relações Exteriores da Espanha atualizou suas recomendações de viagem para os Estados Unidos, alertando sobre novas exigências de visto, vigilância rigorosa nas fronteiras e consequências legais por infrações migratórias. Essas medidas afetam especialmente aqueles que visitaram Cuba desde 2021 e pessoas transexuais, devido às exigências nos formulários migratórios.
Além disso, o governo dos Estados Unidos emitiu advertências sobre a prática do "turismo de nascimento", indicando que negará vistos B1/B2 àqueles que buscarem obter a cidadania para seus filhos ao dar à luz no país.
Essas políticas geraram uma percepção de risco entre os turistas, que temem ser rejeitados ou detidos ao chegar ao país, mesmo com visto aprovado. Essa situação levou companhias aéreas e agências de viagem a relatar cancelamentos significativos.
Em conjunto, essas medidas contribuíram para uma diminuição nas reservas de turistas internacionais para os Estados Unidos, afetando negativamente o setor de turismo e a economia do país.
Aranceles, tensões comerciais e rejeição social minam o atrativo turístico dos EUA.
A diminuição do turismo internacional para os Estados Unidos não se deve apenas ao endurecimento das políticas migratórias e controles de fronteira, mas também à onda de tarifas impulsionada pela administração do presidente Trump.
No início de 2025, foram implementadas tarifas de 25% sobre as importações do Canadá e do México, além de um imposto adicional de 10% sobre a maioria das importações dos Estados Unidos, o que gerou um deterioramento nas relações com importantes parceiros comerciais como Japão, Alemanha e a União Europeia.
Acorde a Newsweek, dados do buscador de hotéis Trivago revelam quedas significativas nas reservas de turistas provenientes do Japão, México e Canadá, com uma baixa de dois dígitos em comparação com anos anteriores.
A Alemanha também experimentou uma diminuição, embora mais leve. As estatísticas coincidem com um relatório do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), que projeta uma queda do gasto turístico internacional nos EUA de 181 bilhões de dólares em 2024 para menos de 169 bilhões em 2025.
Este descenso também tem um componente social. Em destinos como La Jolla, Califórnia, foram registradas expressões de rejeição aos turistas, como grafites com a mensagem “Vão embora, turistas”, o que contribui para uma percepção de hostilidade que desestimula as viagens.
A isso se soma a emissão de advertências de viagem por parte de vários países, alarmados com o tratamento que seus cidadãos poderiam receber ao chegarem ao solo dos Estados Unidos.
Por outro lado, enquanto o interesse dos europeus em viajar para os EUA diminui, a demanda dos americanos por visitar a Europa cresceu. De acordo com o Financial Times, em maio e junho, as reservas transatlânticas para os Estados Unidos diminuíram 2,4%, enquanto as reservas dos EUA para a Europa cresceram 2,1%.
O CEO da Trivago, Johannes Thomas, resumiu o sentimento geral: “Em tempos de incerteza, as pessoas ficam mais perto de casa”. As companhias aéreas, por sua vez, também relatam uma demanda enfraquecida.
Ben Smith, diretor executivo da Air France-KLM, apontou que muitos passageiros estão adiando decisões de viagem até terem maior clareza sobre as mudanças nas fronteiras e nas regulamentações.
Esse ambiente de tensões diplomáticas, restrições administrativas e rejeição percebida tem enfraquecido gravemente a posição dos Estados Unidos como destino turístico global.
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