A ativista cubana Yamilka Lafita, conhecida nas redes como Lara Crofs, compartilhou neste domingo uma profunda reflexão nas redes sociais, na qual ressignifica a frase propagandística “O que vem será um ano melhor”, um slogan repetido ao longo de anos pelo regime de Havana.
Longe de assumir isso como um lema vazio, Lafita transformou-o em um grito de resistência cidadã, enraizado no sofrimento, na dignidade e na esperança dos cubanos que não se rendem, como se pode apreciar em sua publicação no Facebook.

Em seu texto, a ativista, vítimas em numerosas ocasiões de repressão e assédio por parte do regime, revisita como essa expressão tem sido utilizada desde que o governante Miguel Díaz-Canel assumiu o poder em 2018, como uma ferramenta para sustentar uma ilusão oficialista que não corresponde à realidade do país.
Denuncia que a frase tem servido para encobrir uma crise crescente e justificar a inação do poder, enquanto Cuba se afunda em uma precariedade generalizada.
"Isso é dito a partir do privilégio de aqueles que não fazem filas, não sentem fome, não têm medo da polícia e não sofrem com apagões", escreveu com clareza.
Ao longo de sua reflexão, descreve os sintomas de uma crise estrutural: inflação incontrolável, escassez de alimentos e medicamentos, colapso dos serviços básicos, apagões de mais de 20 horas em algumas províncias e uma migração em massa que esvazia lares e alimenta o desarraigo.
Também lembra o deterioro do sistema educativo e de saúde, e a repressão que marcou um ponto de virada desde as protestas de 27 de novembro de 2020 e, sobretudo, a de 11 de julho de 2021.
“A criminalização do dissenso substituiu qualquer forma de diálogo ou reforma”, afirmou Lafita, sublinhando que a institucionalização do medo tem sido uma ferramenta central do controle estatal.
No entanto, longe de se resignar, a ativista propõe reapropriar-se do lema, afirmando que ele não pertence mais ao discurso oficial, mas ao povo que resiste diante da fome, da escuridão, da prisão, do exílio ou da memória.
“Vamos fazer dela a nossa”, sublinhou, invocando mães, jovens, idosos e toda uma nação que permanece de pé apesar das adversidades.
“Quem vem será um ano melhor, mas não porque isso seja determinado pelo poder, e sim porque será elevado pelo povo”, expressou em um dos trechos mais poderosos do texto.
Além disso, concluiu com uma visão esperançosa: este novo ano, diz, “não será imposto: será conquistado. Não será um presente do poder: será fruto da coragem, do sacrifício e da verdade”.
Por último, encerrou sua publicação com uma citação do líder opositor Oswaldo Payá: “A liberdade não é um sonho, é o caminho”.
Devido ao seu ativismo, Lafita foi, em várias ocasiões, assediada pelo regime. Em abril, por exemplo,
Compartilhou no Facebook capturas de tela de mensagens intimidatórias enviadas de uma conta oficialista e com tom abertamente violento.
“Lembre-se de que qualquer um pode ter um acidente... Fogo e morte para os vermes”, diz uma das mensagens, que também insulta a ativista e questiona seu direito de residir e se expressar livremente em Cuba.
Recentemente, denunciou uma nova escalada no assédio que vem sofrendo, após vandalizarem o interfone de sua residência e um agente da Segurança do Estado a ameaçar diretamente caso não atendesse a uma convocação sem fundamentos claros.
O caso gerou manifestações de apoio dentro do ativismo cubano e foi vinculado por outras mulheres opositoras a uma campanha sistemática de intimidação do regime contra as vozes críticas.
O ataque ao porteiro deixou Crofs sem visibilidade para identificar quem se apresenta em sua residência, o que considera uma grave violação de sua segurança, em um contexto onde já foi alvo de assédio.
Embora haja pelo menos oito goleiros semelhantes em sua área, apenas o dele foi destruído. “Estou cega”, escreveu.
Perguntas frequentes sobre a situação atual em Cuba e o ativismo de Yamilka Lafita
Quem é Yamilka Lafita, conhecida como Lara Crofs?
Yamilka Lafita, também conhecida como Lara Crofs, é uma ativista cubana que denunciou a repressão e o assédio por parte do regime em Cuba. É conhecida por seu trabalho humanitário e seu ativismo em prol dos direitos humanos, assim como por ser uma voz crítica do governo cubano. Apesar das ameaças e do assédio, Lafita continua a lutar pela liberdade e pelo bem-estar de seu povo.
Qual é o significado que Yamilka Lafita atribui à frase “O que vem será um ano melhor”?
Yamilka Lafita resignifica a frase “O que vem será um ano melhor” como um grito de resistência cidadã. Longe de considerá-la um slogan vazio do regime, a ativista a transforma em um chamado à esperança e à dignidade do povo cubano que luta por uma mudança real, afirmando que o melhor ano será resultado do esforço e da coragem do povo, não do poder.
Quais problemas Cuba enfrenta atualmente, de acordo com a ativista Lara Crofs?
Cuba enfrenta uma crise estrutural com sintomas como inflação incontrolável, escassez de alimentos e medicamentos, colapso de serviços básicos e apagões prolongados. Além disso, há um deterioro nos sistemas de saúde e educação, repressão estatal e uma migração em massa. Lafita denuncia que a frase oficial “O que vem será um ano melhor” apenas maquila essa crise.
Como tem sido a repressão contra Yamilka Lafita por parte do regime cubano?
Yamilka Lafita tem sido vítima de ameaças de morte, assédio, vigilância policial e hacks em suas contas de redes sociais. Ela denunciou essas práticas repressivas, que incluem cerco policial e ameaças diretas para impedi-la de sair de casa. Lafita mantém-se firme em sua decisão de não abandonar Cuba nem se calar diante das injustiças.
Arquivado em: