O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou nas últimas horas novos detalhes sobre um de seus projetos mais ambiciosos de defesa nacional: um escudo antimiséis denominado “Domo Dourado”.
Trata-se de um artefato projetado para proteger o território continental dos Estados Unidos de ataques aéreos provenientes de qualquer parte do mundo ou até mesmo do espaço.
Desde o Escritório Oval, Trump anunciou que o sistema deveria estar “completamente operacional” antes do término de seu mandato atual, em 2029.
O projeto terá um custo estimado de 175 bilhões de dólares, dos quais 25 bilhões serão alocados inicialmente, segundo ele.
Esses fundos fazem parte do pacote legislativo que inclui sua reforma fiscal e lei de orçamentos, atualmente em debate no Congresso, onde busca o apoio dos republicanos para sua aprovação.
“Estará pronto em três anos”, assegurou o mandatário durante uma coletiva de imprensa na qual expôs o caráter revolucionário do sistema.
“Uma vez construído, o ‘Domo Dourado’ será capaz de interceptar mísseis mesmo que sejam lançados de qualquer ponto do mundo”, destacou Trump durante sua apresentação.
Um escudo nacional sem precedentes
Inspirado no Domo de Ferro israelense, o “Domo Dourado” aspira a ir muito além.
“Em termos de tecnologia, será muito mais avançado do que o que existe”, indicou Trump, segundo informou a BBC Mundo.
Ao contrário do sistema israelense, projetado para interceptar ameaças de curto alcance em um país de dimensões comparáveis a Nova Jersey, o sistema proposto por Trump busca abranger um país 450 vezes maior, com capacidades para interceptar mísseis balísticos, hipersônicos e de cruzeiro.
“Interceptará mísseis, incluindo os lançados do outro lado do mundo ou do espaço”, afirmou o presidente em seu discurso, destacando que o sistema também “se integrará com nossas capacidades de defesa existentes”.
Liderança do projeto e contratantes
O responsável por supervisionar o desenvolvimento do sistema será o general Michael A. Guetlein, vice-presidente de operações espaciais da Força Espacial dos Estados Unidos.
Guetlein afirmou que o sistema é necessário "diante do aumento de capacidades que outros países têm adquirido".
“Nossos adversários modernizaram rapidamente suas forças nucleares, construindo mísseis balísticos capazes de carregar ogivas nucleares e mísseis hipersônicos capazes de atacar os Estados Unidos em uma hora, viajando a 9.600 km por hora”, acrescentou.
Entre as empresas que já competem para participar na construção do sistema estão gigantes tecnológicos e contratistas de defesa como SpaceX, Palantir, Anduril, Lockheed Martin, L3Harris Technologies e RTX Corp.
Céticos e preocupações orçamentárias
No entanto, especialistas do setor e ex-funcionários do Pentágono expressaram sérias dúvidas sobre a viabilidade do projeto no prazo proposto.
O contra-almirante aposentado Mark Montgomery declarou à CNN que “a criação de um sistema de defesa contra mísseis balísticos pode ser possível em um prazo de 7 a 10 anos, mas mesmo assim, terá sérias limitações”.
Alguns analistas afirmam que o custo real pode ser muito mais elevado.
A Oficina de Orçamento do Congresso estimou que o sistema poderia alcançar 542 bilhões de dólares em 20 anos, apenas para as partes espaciais do projeto.
Segurança compartilhada com o Canadá
Em que parece ser um movimento estratégico para ampliar a cooperação continental em matéria de defesa, Trump revelou que o Canadá o havia chamado por telefone para participar do projeto.
Em um comunicado à Reuters, o escritório do primeiro-ministro canadense Mark Carney confirmou que Ottawa e Washington “estão debatendo como negociar uma nova relação econômica e de segurança, que naturalmente inclui o fortalecimento do NORAD e iniciativas relacionadas como o ‘Domo Dourado’.”
Herança da Guerra Fria
Durante sua apresentação, Trump lembrou que a ideia de um escudo defensivo já havia sido impulsionada pelo presidente Ronald Reagan na década de 1980 com a chamada Iniciativa de Defesa Estratégica, conhecida popularmente como “Guerra das Estrelas”.
No entanto, o projeto naquele momento foi finalmente cancelado devido aos enormes custos e desafios tecnológicos.
Agora, com tecnologia mais avançada e um orçamento reformulado, Trump retoma essa visão como "muito importante para o sucesso e até mesmo a sobrevivência do nosso país, pois o mundo exterior é muito cruel", declarou.
É viável o “Domo Dourado”?
A magnitude do projeto implica criar uma rede de centenas de satélites capazes de detectar, rastrear e interceptar mísseis nas primeiras etapas de sua trajetória, algo que, até agora, não tem sido tecnicamente possível no âmbito de um sistema nacional completo.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que o "Domo Dourado" será útil para interceptar mísseis, drones convencionais e até nucleares.
“Nunca houve nada parecido”, afirmou Trump.
O "Domo Dourado" é, para muitos, uma aposta audaciosa que pode transformar a arquitetura defensiva dos Estados Unidos.
Para outros, trata-se de uma ideia política grandiosa com viabilidade técnica e orçamentária incerta. Enquanto isso, sua construção continua sendo objeto de debate técnico, fiscal e geopolítico.
Perguntas frequentes sobre o "Domo Dourado" de Trump e suas implicações
O que é o "Domo Dourado" proposto por Trump?
O "Domo Dourado" é um escudo antimísseis projetado para proteger os Estados Unidos de ataques aéreos provenientes de qualquer parte do mundo ou até mesmo do espaço. Inspirado no Domo de Ferro de Israel, tem como objetivo interceptar mísseis balísticos, hipersônicos e de cruzeiro.
Quanto custará e quando estará em funcionamento o "Domo Dorado"?
O custo estimado do "Domo Dourado" é de 175 bilhões de dólares, com um investimento inicial de 25 bilhões. Trump espera que o sistema esteja completamente operacional antes do final de seu mandato atual, em 2029.
Quem liderará o projeto do "Domo Dourado" e quais empresas estão envolvidas?
O general Michael A. Guetlein supervisionará o desenvolvimento do "Domo Dourado", e entre as empresas interessadas em participar estão SpaceX, Palantir, Anduril, Lockheed Martin, L3Harris Technologies e RTX Corp.
Quais são as críticas e preocupações em relação ao "Domo Dourado"?
Especialistas e ex-funcionários do Pentágono duvidam da viabilidade do projeto dentro do prazo proposto e acreditam que o custo pode ser muito maior do que o estimado. O Escritório de Orçamento do Congresso sugeriu que o custo poderia alcançar 542 bilhões de dólares em 20 anos.
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