Semeadura de primavera em Pinar del Río: sem sementes, combustível ou fertilizantes

A campanha de plantio em Pinar del Río enfrenta uma crise devido à falta de insumos e eletricidade, afetando a produção de manga e grãos.


A campanha de semeadura de primavera em Pinar del Río tem sido afetada por uma situação crítica com o abastecimento de sementes, combustível e fertilizantes.

As dificuldades não se limitam apenas ao déficit de energia elétrica, mas também enfrentam uma situação crítica com combustíveis e fertilizantes, além de pesticidas, produtos químicos e biológicos, disse à imprensa local Ortelio Rodríguez Perugorría, subdelegado agrícola na Delegação Provincial de Agricultura.

O funcionário reconheceu ainda que “outro tema complexo é a semente, sobretudo de hortaliças, devido a problemas nos frigoríficos, pelo que tiveram que recorrer a outras províncias”.

“Termina uma campanha de frio e de tabaco muito difíceis, e entramos em uma primavera muito forte. As máquinas de irrigação por sistema de pivô central mal funcionam devido à falta de eletricidade, por isso tentamos, ao concluir a campanha de tabaco, aproveitar os sistemas solares de irrigação para dar prioridade à semente, usar as estufas e os canteiros”, lamentou.

Das 5.000 toneladas de manga que eram colhidas tradicionalmente, Pinar del Río obterá nesta campanha apenas 2.000.

Rodríguez Perugorría atribuiu os problemas também à seca e ao adiamento da campanha de cultivo do tabaco, que geraram atrasos no uso de terras dedicadas a grãos e oleaginosas como o milho e o feijão caupí.

Na atual campanha de primavera, a agricultura pinareña prevê um plano de semeadura de 35.567 hectares: mais de 12.000 de raízes, cerca de 5.000 de hortaliças e aproximadamente 17.000 de grãos. Rodríguez Perugorría não esclareceu quanto essas cifras diminuem em relação aos anos anteriores.

Díaz-Canel "repreende" camponeses

Em um país onde mais de 70% dos alimentos são importados, e onde os mercados estão desabastecidos e os preços disparados, o governante cubano Miguel Díaz-Canel Bermúdez repreendeu neste sábado os camponeses do país pela baixa produção agrícola, ao afirmar que “há muita terra a cultivar”, sem reconhecer o papel do Estado na ineficiência estrutural do sistema agropecuário cubano.

Durante o encerramento do Congresso Nacional da Associação Nacional de Agricultores Pequenos (ANAP), o mandatário reiterou velhas promessas de transformação produtiva, culpando o setor campesino por não aproveitar melhor as terras em usufruto, apesar das múltiplas restrições impostas pelo próprio governo.

“Este congresso vai ser realmente histórico se conseguirmos mudar a situação da produção de alimentos no país... e há muito terra para cultivar, há muita terra para colocar em produção”, disse Díaz-Canel, em um discurso que ignorou os graves problemas de acesso a insumos, tecnologia e autonomia que enfrentam os produtores cubanos.

Apesar de admitir que em etapas anteriores o país contou com abundantes recursos que foram malgastados “sem alcançar eficiência”, o governante não assumiu responsabilidade institucional nem propôs reformas profundas ao modelo centralizado que mantém o campo cubano atado.

Em suas palavras, também houve espaço para criticar os intermediários na comercialização de alimentos, acusando-os de elevar injustamente os preços para a população e de se beneficiarem sem agregar valor.

“Cada vez que há um intermediário, o preço vai subindo para a população (...) Existem quatro ou cinco pessoas ganhando mais do que o produtor”, denunciou.

No entanto, sua crítica omite um ponto essencial: é o próprio Estado quem desenha e regula a cadeia de distribuição, limita a liberdade dos produtores para vender, impõe preços máximos e monopoliza o acesso a mercados e insumos.

Recentemente, em Las Tunas, o governante assegurou que “temos muito mais terra cultivada do que em outras etapas. No entanto, os dados de produção nacional contam uma história muito distinta.

Segundo cifras oficiais, a produção de arroz, um dos principais alimentos da dieta cubana, mal alcança 30% do que foi colhido em 2018, evidenciando o fracasso das políticas implementadas por seu governo.

Perguntas frequentes sobre a crise agrícola em Pinar del Río

Quais são os principais problemas que a agricultura enfrenta em Pinar del Río?

A agricultura em Pinar del Río enfrenta uma grave escassez de insumos básicos como sementes, combustível e fertilizantes, o que complica significativamente as campanhas de plantio. Além disso, a falta de energia elétrica afeta o funcionamento das máquinas de irrigação, o que agrava a situação das culturas.

Como a falta de recursos afeta a produção agrícola em Cuba?

A falta de recursos impede o correto desenvolvimento das campanhas agrícolas, resultando em uma baixa produção de alimentos essenciais. Isso contribui para o desabastecimento dos mercados e para o aumento de preços, afetando diretamente a população cubana.

O que Miguel Díaz-Canel disse sobre a situação agrícola em Cuba?

O governante cubano, Miguel Díaz-Canel, culpou os camponeses pela baixa produção agrícola, sem assumir a responsabilidade do Estado na ineficiência do sistema agropecuário. Díaz-Canel ignorou os problemas de acesso a insumos e as restrições impostas pelo governo, e criticou os intermediários por encarecer os preços dos alimentos.

Qual é o impacto da seca em Pinar del Río sobre a agricultura?

A seca gerou atrasos na utilização de terras dedicadas a culturas como o milho e o feijão caupí, complicando ainda mais a situação agrícola na região. Essa situação se soma à falta de recursos e energia, agravando o impacto sobre a produção agrícola.

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