Autoridades de Granma não sabem o que fazer com tanto manga: Em risco milhares de toneladas da próxima colheita

estima-se uma produção de entre 25.000 e 30.000 toneladas de manga na província de Granma, mas a infraestrutura para coleta, transporte e processamento é insuficiente. A fruta pode se perder por falta de combustível, planejamento e mercado.

A colheita de manga na província oriental supera a capacidade de armazenamento e processamentoFoto © Facebook/István Ojeda Bello

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A próxima colheita de manga na província de Granma, que se estende de maio a agosto, pode se tornar mais uma campanha marcada pela improvisação, pelo subaproveitamento e pela perda de milhares de toneladas de fruta, reconheceram funcionários do setor agrícola.

O chefe do departamento de comercialização da Delegação Provincial da Agricultura, Rogelio Solano Socarrás, informou que se espera colher entre 25.000 e 30.000 toneladas, uma cifra superior à do ano anterior. No entanto, ele admitiu que durante o pico de maturação - entre 15 de maio e 10 de junho - a capacidade logística de coleta, transporte e processamento na província será superada.

A indústria alimentícia, principal responsável pelo processamento do mango, tem capacidade instalada para apenas 5.000 toneladas, o que representa menos de 20% do volume estimado. Desses números, 1.000 toneladas de polpa são destinadas à elaboração de compotas infantis, conforme declarações de Solano ao jornal provincial La Demajagua.

De acordo com cálculos preliminares, a província oriental demandará nesta colheita cerca de 15.000 toneladas “que incluem as fábricas, minindústrias, a rede de mercados agropecuários, pontos de venda, o consumo social e o turismo, em menor quantidade”, afirmou o texto.

Tudo isso em meio a uma crise de combustível que condiciona o transporte da fruta de áreas montanhosas como Bartolomé Masó, Buey Arriba e Guisa, além de Yara e Bayamo, principais polos de produção.

“Estamos na batalha por encontrar mercados e outros destinos para o restante do mango, porque não queremos que isso se perca, organizamos os pontos de coleta, buscamos seu transporte com alternativas e um uso ótimo do pouco combustível disponível, para que chegue ao destino previsto”, disse Solano, sem especificar a que alternativas se refere nem como serão implementadas.

A fonte referiu-se a medidas para o sistema empresarial que, alegou, “evidenciam uma maior motivação nos produtores e, com isso, um melhor encadeamento para evitar a perda da matéria-prima”.

No entanto, não há detalhes sobre incentivos, pagamentos garantidos ou acesso a insumos, temas-chave em campanhas anteriores que terminaram com toneladas de manga estragada por falta de planejamento.

A urgência de aproveitar ao máximo a colheita inclui também abastecer a rede de comércio, gastronomia e centros sociais, especialmente hospitais e escolas, com preços "acessíveis", mas não se especifica como isso será alcançado nem quais volumes chegarão realmente à população.

Prevê-se manter abertos pontos de venda localizados nas instalações da própria indústria conservadora e utilizar "outros meios" de comercialização que aproximem o produto das comunidades. A viabilidade dessas medidas dependerá, mais uma vez, de condições que o próprio governo admite não controlar totalmente.

As ineficiências do modelo produtivo levam a que ano após ano milhares de toneladas de mangas se estraguem e outros produtos agrícolas nos campos do país, apesar da grave escassez de alimentos que os cubanos enfrentam.

Estas colheitas se perdem por causa da burocracia e da ineficácia das empresas estatais do Ministério da Agricultura na coleta, distribuição e venda de produtos agrícolas.

Incluso, têm surgido casos de várias toneladas de mangues apodrecendo do lado de fora de fábricas de conservas, antes de serem oferecidos à população.

No obstante, as autoridades atribuíram tal situação à escassez de combustível, entre outras limitações de recursos.

Isso contrasta com a letania das autoridades e organizações de massa do regime sobre alcançar a soberania alimentar e a exigência para que os cubanos cultivem em seus quintais e em qualquer espaço disponível de terra, por menor que seja.

Perguntas frequentes sobre a crise da colheita de manga em Granma

Qual é o principal problema com a colheita de manga em Granma?

O principal problema com a colheita de manga em Granma é a falta de capacidade logística para processar e distribuir a fruta. Espera-se uma produção de 25.000 a 30.000 toneladas, mas a capacidade de processamento é inferior a 20% dessa quantidade. Isso pode levar a uma perda significativa da colheita devido à falta de planejamento e recursos logísticos.

Como a crise de combustível afeta a colheita de manga em Granma?

A crise de combustível em Cuba complica o transporte da fruta de áreas de difícil acesso, o que afeta significativamente o transporte do manga a partir dos principais centros de produção, como Bartolomé Masó, Buey Arriba e Guisa. Sem um transporte eficiente, grande parte da colheita corre o risco de se perder.

Quais medidas o governo cubano está tomando para evitar a perda de manga?

O governo cubano está em busca de mercados e destinos alternativos para a manga, tentando otimizar o uso do pouco combustível disponível e organizando pontos de coleta. No entanto, não foram detalhadas as alternativas específicas nem como serão implementadas.

Qual é o impacto das ineficiências do modelo produtivo na agricultura cubana?

As ineficiências do modelo produtivo em Cuba levam à perda de milhares de toneladas de produtos agrícolas, como o manga, a cada ano. A falta de planejamento, burocracia e a ineficácia das empresas estatais resultam na podridão de produtos nos campos, agravando a escassez alimentar no país.

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