A petrolífera estatal mexicana Pemex aumentou em 2024 os envios de petróleo a Cuba, que enfrenta uma das piores crises energéticas da sua história, assolada por apagões massivos e cortes de eletricidade constantes.
Segundo informou a agência Reuters, a subsidiária Gasolinas de Bienestar exportou no ano passado para a ilha 20.100 barris por dia (bpd) de petróleo bruto e 2.700 bpd de produtos petrolíferos, operações avaliadas em 600 milhões de dólares, de acordo com os relatórios enviados pela Pemex à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC).
Em 2023, os envios haviam começado em julho e totalizaram 16.800 bpd de petróleo bruto e 3.300 bpd de produtos refinados, totalizando 400 milhões de dólares.
Apesar de ser uma das petrolíferas mais endividadas do mundo, com compromissos financeiros superiores a 101 bilhões de dólares e dívidas com fornecedores próximas a 20 bilhões, a Pemex afirma que as vendas para Cuba representaram 2,8% de suas exportações totais de petróleo e 0,7% dos produtos derivados.
A empresa mexicana indicou em seu relatório que as vendas de Gasolinas de Bienestar são feitas "por meio de contratos denominados em pesos às taxas vigentes do mercado", e assegurou ter procedimentos para garantir que a legislação aplicável seja cumprida, destacou Reuters.
No entanto, a agência lembrou que no passado várias fontes descreveram essas remessas como doações.
A Pemex, por sua vez, classifica-os como vendas, sem detalhar como são realizados os pagamentos nem se existe algum tratamento especial.
No obstante, em 2024 o México anunciou que ampliaria para 3.800 o número de médicos cubanos contratados para trabalhar em seu território, como parte de um programa iniciado durante o mandato de Andrés Manuel López Obrador e que se mantém vigente sob o atual governo, um dado que casualmente coincide com o aumento de remessas de petróleo.
Até o momento, a petrolífera mexicana não respondeu às consultas sobre a continuidade dessas exportações em 2025 nem sobre suas possíveis condições.
As perdas da Pemex por seus envios a Cuba
Em fevereiro passado, uma investigação do portal Contra a Corrupção revelou que a Pemex acumula uma dívida superior a 300 milhões de dólares como consequência dos envios de petróleo para Cuba durante os últimos dois anos.
Estas operações foram geridas através de sua filial Gasolinas Bienestar SA de CV, criada em 2022 para manejar exclusivamente esse tipo de exportações.
Em seu primeiro ano de funcionamento, Gasolinas Bienestar registrou perdas e um endividamento de 5,836 milhões de pesos mexicanos, segundo documentos oficiais da Secretaria de Economia.
Entre julho de 2023 e setembro de 2024, esta subsidiária exportou para Cuba petróleo bruto e derivados por mais de 15.600 milhões de pesos, sem conseguir reverter sua situação financeira deficitária.
Solo entre janeiro e setembro de 2024, a filial enviou uma média de 31.300 barris diários de petróleo bruto e 2.900 de produtos refinados, com um valor estimado de 500 milhões de dólares à taxa de câmbio desse período.
Apesar deste volume, que representou um aumento de 86% em relação ao ano anterior, a empresa fechou o ano com um capital contábil mínimo e uma dívida acumulada que ameaça a estabilidade da Pemex.
O relatório também aponta que as exportações para Cuba, embora formalizadas sob contrato com a Pemex Exploración y Producción, foram concebidas inicialmente para mercados centro-americanos.
No entanto, na prática, foram redirecionadas para a ilha, o que gerou questionamentos sobre sua legitimidade e colocou em risco um crédito de 800 milhões de dólares com os Estados Unidos pela suposta entrega gratuita de petróleo ao regime cubano.
Apesar das crescentes críticas e dos riscos financeiros, o governo mexicano tem apoiado a continuidade desses envios sob a presidência de Claudia Sheinbaum.
Além disso, o Instituto Nacional de Transparência (INAI) ordenou à Pemex que revelasse informações detalhadas sobre os montantes, condições e responsáveis por essas operações, em um esforço para esclarecer a verdadeira extensão do apoio energético a Havana.
A resolução, adotada por unanimidade no dia 15 de janeiro de 2025, obriga a estatal de petróleo a detalhar a quantidade de combustível enviado, seu valor comercial, datas de envio e recebimento, nomes e cargos dos responsáveis, condições comerciais relevantes, assim como a rubrica orçamentária correspondente.
Para dimensionar a dependência de Cuba em relação ao México, basta sinalizar que em 2023 os envios de petróleo da nação norte-americana superaram os provenientes da Rússia, transformando-se nesse ano no principal fornecedor de petróleo para a ilha.
Perguntas frequentes sobre as exportações de petróleo do México para Cuba
Quanto petróleo o México exportou para Cuba em 2024 e qual foi seu valor?
O México exportou petróleo para Cuba no valor de 500 milhões de dólares entre janeiro e setembro de 2024, com uma média de 31.300 barris diários de petróleo bruto e 2.900 barris diários de outros produtos petrolíferos.
Por que a Pemex aumenta os envios de petróleo a Cuba?
A Pemex aumentou suas exportações de petróleo para Cuba para suprir a redução de envios da Venezuela, e para responder à crise energética que afeta a ilha, em um contexto de apagões massivos e constantes cortes de eletricidade.
Como a crise energética em Cuba afeta sua população?
A crise energética em Cuba levou a apagões em massa, que afetam severamente as atividades diárias da população, provocando um crescente descontentamento social. Essa situação é atribuída à escassez de combustível e problemas logísticos na distribuição de energia.
Como Cuba paga o petróleo que recebe do México?
Embora não tenham sido revelados detalhes precisos sobre as condições de pagamento pelo petróleo recebido do México, especula-se que Cuba possa estar utilizando algum tipo de troca, possivelmente relacionada aos médicos cubanos enviados ao México como parte de acordos de cooperação na área da saúde.
Quais desafios a Pemex enfrenta com os envios de petróleo para Cuba?
A Pemex enfrenta uma dívida de mais de 300 milhões de dólares pelos envios de petróleo a Cuba, o que aumentou seu endividamento. Além disso, as operações resultaram em perdas líquidas para sua filial, o que agrava a situação financeira da empresa estatal.
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