O governante cubano Miguel Díaz-Canel Bermúdez visitou recentemente os municípios de Jobabo e Colômbia, na província de Las Tunas, onde admitiu que persistem sérios problemas sociais e econômicos que afetam a tranquilidade da população.
Durante o resumo da exame realizado pela máxima instância partidária em ambas as demarcações, Díaz-Canel insistiu que "os problemas não podem nos sobrecarregar", e pediu às autoridades locais que mantivessem a resiliência diante da adversidade, segundo reportou o oficialista Periódico 26.
Um dos principais temas abordados foi a crescente corrupção nas relações entre entidades estatais e o setor não estatal da economia, que inicialmente foi promovido como um complemento necessário.
Díaz-Canel reconheceu que foram detectadas irregularidades graves na locação de espaços e no pagamento de serviços e produtos com fundos públicos, e anunciou que se pedirá responsabilidade penal nos casos mais graves.
"Frente a isso, mais controle popular, envolver mais o povo na fiscalização desses vínculos", ameaçou o governante, que em outras ocasiões fez declarações semelhantes.
Também alertou sobre o aumento do tráfico de drogas no país, advertindo que "a Revolução não foi feita para permitir um flagelo como esse que destrói as famílias", embora seja um problema crescente na nação que dirige.
En seu discurso, abordou também outras manifestações de marginalidade que, segundo suas palavras, nem sempre têm sua origem nas carências econômicas, e embora não tenha oferecido mais detalhes, podem ser apontadas ao regime como causa desse problema.
O próprio mandatário reconheceu que, apesar da instalação de painéis solares em sistemas de abastecimento de água, a pressão do serviço não melhorou em muitas comunidades pequenas.
Esta contradição, admitida publicamente, reflete as falhas de gestão nos projetos promovidos como soluções para a crise, algo que acontece com bastante frequência.
Díaz-Canel também abordou o tema da bancarização, admitindo que existe um "problema conceitual" ao associar a digitalização de pagamentos à falta de dinheiro em espécie, o que tem afetado amplos setores da população, especialmente em áreas rurais.
No plano econômico, expressou um otimismo moderado sobre a possibilidade de que a empresa açucareira Colombia produza meladura este ano, o que aliviaria parcialmente a situação energética e econômica local.
No entanto, a produção de cana na região enfrenta problemas, como a presença de cepas envelhecidas que afetam a qualidade da matéria-prima, destacou a fonte oficial.
O balanço realizado pelos comunistas, apesar de alguns avanços nas mobilizações populares para a produção agropecuária, revelou fortes preocupações com o serviço elétrico, o abastecimento de água, a inflação, os problemas derivados da bancarização, o uso ineficiente da terra e o aumento da criminalidade no gado de grande porte.
Roberto Morales Ojeda, secretário de Organização do Comitê Central, em sua intervenção criticou a baixa vinculação da liderança política municipal com a população e reconheceu que muitas das questões levantadas em visitas anteriores não foram resolvidas.
Morales também lamentou que a quantidade de quadros do governo que são membros do Partido seja insuficiente, embora tenha esclarecido que a militância não é obrigatória para ocupar um cargo público.
No entanto, esse fato evidencia a apatia política que existe no país, onde a maior parte da população vê o Partido como um obstáculo ao desenvolvimento, mais do que como uma força propulsora.
Finalmente, Morales antecipou que a partir de maio começará um segundo ciclo de visitas aos municípios, focadas não em diagnósticos, mas em avaliar o que foi transformado desde a última inspeção: "As avaliações serão pelos resultados", ameaçou o dirigente.
Como parte desta visita a Las Tunas, e das declarações do governante cubano, que evidenciam que está muito afastado dos problemas do país, Díaz-Canel insistiu na necessidade de "trabalhar duro" e fortalecer a relação com o povo como receita para enfrentar a crise econômica e social que asfixia a ilha.
Também visitou o Instituto Politécnico Agropecuário Manifiesto de Montecristi, no município de Jobabo, onde concluiu, de maneira brilhante, que esse centro educacional "tem de tudo".
Durante a visita do governante a um asilo de idosos na província oriental, a imprensa oficialista destacou que "a comida estava bastante boa" e "a atenção, maravilhosa", evidenciando mais uma vez a desconexão dos meios de propaganda do regime com a dura realidade que o povo cubano enfrenta.
Perguntas frequentes sobre a situação social e econômica em Cuba sob a liderança de Díaz-Canel
Quais são os problemas sociais e econômicos mais graves que persistem em Cuba, segundo Díaz-Canel?
Díaz-Canel admitiu que persistem sérios problemas sociais e econômicos em Cuba, tais como a corrupção, o tráfico de drogas e a marginalização, que afetam a tranquilidade da população. Também mencionou problemas na bancarização e na produção agrícola que impactam negativamente a economia do país.
Quais medidas propõe Díaz-Canel para combater a corrupção em Cuba?
Díaz-Canel anunciou que será solicitada responsabilidade penal nos casos mais graves de corrupção e propôs um maior controle popular, envolvendo a população na fiscalização das relações entre entidades estatais e o setor não estatal.
Como a crise energética está afetando a vida cotidiana em Cuba?
A crise energética em Cuba levou a apagões prolongados, afetando tanto a produção quanto o acesso a serviços básicos como água potável. Esses apagões geraram um crescente descontentamento social, impactando gravemente a qualidade de vida dos cubanos.
Qual é a postura de Díaz-Canel sobre a bancarização em Cuba?
Díaz-Canel defende a bancarização como uma medida necessária para o funcionamento econômico do país, apesar das críticas e problemas associados, como a falta de dinheiro em espécie e as falhas nos serviços bancários, que afetam especialmente as áreas rurais.
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