Tribunal de Miami ordena à Expedia pagar 29,8 milhões a cubano-americano após ganhar demanda sob a Lei Helms-Burton

Trata-se de uma decisão sem precedentes.

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Em uma vitória legal histórica, um júri federal do Distrito Sul da Flórida concedeu nesta sexta-feira a um demandante cubano-americano uma indenização de 29,8 milhões de dólares contra cada um dos quatro réus corporativos da Expedia no primeiro julgamento com júri realizado sob a Lei Helms-Burton (Echevarría et al. contra Expedia Group, Inc. et al.).

"O veredicto representa uma vitória contundente para os demandantes, que apresentaram ações com base no Título III da Lei [Helms-Burton], que permite aos cubano-americanos reivindicar danos e prejuízos às entidades que negociam bens confiscados pela ditadura comunista de Castro, destacou em sua página o escritório Rivero & Mestre, que foi o vencedor do caso."

“Esta é uma grande vitória não apenas para nosso cliente, mas também para a comunidade cubano-americana em geral, cujas propriedades foram usurpadas injustamente e exploradas por empresas americanas em colaboração com a ditadura comunista cubana”, declarou Andrés Rivero.

“Nos orgulha ter contribuído para garantir a justiça sob uma lei que nunca antes havia sido testada diante de um júri”, acrescentou.

A lei também prevê uma indenização por danos e prejuízos triplicada contra o demandado que, tendo recebido notificação prévia da reclamação, não tenha interrompido seu tráfego nem compensado os proprietários dos bens confiscados.

O júri decidiu a favor dos demandantes, concedendo $9.950.000 a título de danos e prejuízos triplicados a cada réu, o que resultou em uma sentença total de $29.850.000 contra cada um deles.

O demandante: Mario Echevarría

O jornalista Wilfredo Cancio, que teve acesso à demanda, precisou em artigo publicado em Café Fuerte que o beneficiado com a sentença é Mario Echevarría, um cubano-americano naturalizado em 1983.

Echevarría reclamou a titularidade de terrenos localizados em Cayo Coco, que foram expropriados de sua família em 1959 como parte da Lei de Reforma Agrária implementada pelo regime cubano.

Acusações contra Expedia Group

A demanda apontou diretamente para Expedia Group e suas subsidiárias -Hotels.com LP, Hotels.com GP e Orbitz LLC- argumentando que as plataformas digitais dessas empresas ofereciam reservas de hotéis em propriedades construídas sobre terrenos expropriados, obtendo benefícios econômicos sem autorização legal.

Na ilha de Cayo Coco, situada na costa norte de Cuba, estão os hotéis Iberostar Mojito, Iberostar Colonial e Pullman Cayo Coco, indicados na demanda como envolvidos no tráfico da propriedade confiscada.

O juiz federal Federico Moreno, que presidiu o caso, afirmou em sua decisão que as empresas demandadas "obtiveram benefícios econômicos ao oferecer reservas nesses hotéis, sem investigar se estavam localizadas em terrenos confiscados".

Falta de diligência por parte da Expedia

Durante o julgamento, um funcionário da Expedia testemunhou que nem a empresa matriz nem suas filiais solicitaram ao governo cubano documentação relacionada à propriedade dos hotéis.

Tampouco consideraram as implicações legais decorrentes da Lei Helms-Burton ao oferecer esses serviços.

Possibilidade de apelação

Embora não tenha sido confirmado, o Expedia Group - uma das maiores plataformas de viagens do mundo, com sede em Seattle e com receitas anuais superiores a 13,6 bilhões de dólares - pode recorrer da decisão a uma instância judicial superior.

A reclamação de Echevarría teve início em 2019, quando, junto a outros três cubano-americanos, entrou com uma ação por propriedades em Varadero e Santa Cruz del Norte.

No entanto, o caso foi arquivado em 2020.

Em 2023, Echevarría reativou a demanda de forma individual, conseguindo levá-la a julgamento.

A Lei Helms-Burton, promulgada em 1996 durante a administração de Bill Clinton, permaneceu suspensa em seu Título III por mais de duas décadas, devido ao receio de conflitos diplomáticos.

Sua reativação em 2019, durante o primeiro mandato do presidente Trump, abriu as portas para litígios como este, que estabelecem precedentes na luta pelos direitos sobre propriedades confiscadas em Cuba.

Rivero & Mestre é um escritório de renome que se especializa na representação de clientes em disputas comerciais complexas, tanto em tribunais estaduais e federais dos Estados Unidos quanto em arbitragens nacionais e internacionais.

Desde seus escritórios em Miami e Nova York, a firma construiu uma sólida reputação em litígios relacionados a instituições financeiras; direito antitruste; propriedade intelectual e controvérsias comerciais e de investimento na América Latina.

Perguntas frequentes sobre o caso da Expedia e a Lei Helms-Burton

O que é a Lei Helms-Burton e como ela afeta as empresas?

A Lei Helms-Burton permite aos cidadãos estadounidenses processar empresas que se beneficiam de propriedades confiscadas pelo regime cubano após 1959. Esta lei foi reativada pela administração Trump, permitindo que ações legais sejam apresentadas nos Estados Unidos contra entidades que operam em propriedades expropriadas em Cuba.

Por que a Expedia foi processada com base na Lei Helms-Burton?

Expedia foi processada por oferecer reservas em hotéis construídos em terrenos expropriados em Cuba, especificamente em Cayo Coco, sem compensação aos proprietários originais. O júri concedeu aos demandantes uma indenização de 29,8 milhões de dólares por danos e prejuízos triplicados.

O que implica a decisão judicial contra a Expedia?

O veredicto judicial estabelece que a Expedia e suas subsidiárias devem pagar 29,8 milhões de dólares a cada demandante, o que marca um precedente no uso do Título III da Lei Helms-Burton. Este veredicto destaca a responsabilidade das empresas em investigar a legalidade das propriedades com as quais operam em Cuba.

A Expedia pode apelar da decisão do tribunal?

Expedia tem a opção de apelar a decisão junto a uma instância judicial superior. Ainda não foi confirmado se a Expedia procederá com uma apelação, mas dada a magnitude do caso, é uma possibilidade que pode ser explorada para tentar reverter a decisão.

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