Vizinhos de Baracoa seguem incomunicados: Ainda sem reparar a ponte colapsada pelo furacão Oscar

Mais de 500 moradores de Boca de Miel, em Baracoa, continuam sem ponte após a passagem do furacão Oscar em outubro. Dependem de uma cayuca (pequena embarcação) paga para atravessar o rio e não têm respostas oficiais.

Ante a falta da ponte, os habitantes de Boca de Miel precisam atravessar de barco até BaracoaFoto © Rádio Baracoa

Vídeos relacionados:

Mais de cinco meses após a passagem do furacão Oscar, os habitantes da comunidade Boca de Miel, em Baracoa, continuam sem uma solução para o colapso da ponte de madeira que os conecta ao restante da cidade.

Segundo denunciou Radio Baracoa no Facebook, a estrutura permanece inutilizável desde outubro do ano passado, e não há resposta oficial sobre a sua reparação.

Captura Facebook / Rádio Baracoa

A ponte, localizada sobre a foz do rio Miel, tem sido durante décadas a única via de acesso direto entre a comunidade costeira e a Cidade Primada de Cuba.

Seu deterioro, causado pelo impacto do furacão, obrigou os vizinhos a depender de uma cayuca (pequena embarcação) para cruzar de uma margem à outra, em troca de pagamento e dentro de um horário limitado, já que a embarcação só opera quando seu operador está disponível.

Vizinhos consultados pela mídia local expressaram que esta situação afeta não apenas sua economia, mas também sua mobilidade diária, o acesso a serviços médicos, trabalho, educação e abastecimento básico.

“O horário do cayuquero é restrito, e se alguém precisa passar fora desse horário, simplesmente fica à deriva”, relataram.

A ponte de madeira havia sido restaurada em várias ocasiões anteriores, mas seu colapso atual deixou sem conexão terrestre mais de 500 pessoas, sem que até agora as autoridades ofereçam uma alternativa viável ou um cronograma de reconstrução.

A comunidade de Boca de Miel permanece em uma situação de isolamento forçado, enquanto continuam as promessas não cumpridas e o silêncio institucional, em uma das áreas historicamente mais vulneráveis do leste cubano.

Na seção de comentários da publicação nas redes sociais, vários internautas compartilharam suas opiniões e frustrações diante da prolongada inação das autoridades.

“Essa ponte é indispensável para as centenas de pessoas que a cada dia passam por ela”, escreveu Daylen Lobaina, que lamentou que os moradores de Boca de Miel tenham que caminhar vários quilômetros para chegar ao trabalho ou à escola se não conseguirem atravessar na canoa.

Além de questionar a falta de uma solução oficial, também denunciou o tratamento injusto ao cayuquero, a quem —segundo afirma— são impostas exigências como coletes salva-vidas e outras condições “que ele não tem como adquirir”. “Mas isso as autoridades não veem”, concluiu.

Fuentes Yula reivindicou uma solução duradoura e não improvisada: “É preciso que consertem, mas que seja algo que valha a pena, não apenas uma solução temporária, porque depois caem na mesma situação”, advertiu.

Destacou que a ponte não serve apenas aos moradores de Boca de Miel, mas também a residentes de cinco comunidades, incluindo trabalhadores, estudantes, vendedores e visitantes, cujas mobilidades diárias são gravemente afetadas.

“Quando se trata de doentes, há muito trabalho, e a situação fica ainda mais difícil fora do horário do transporte da cayuca”, explicou.

Yunet Paján Giral também lamentou a situação da ponte, qualificando-a como uma vergonha: “É uma pena que essa ponte ainda esteja assim, por onde passam crianças, idosos, grávidas”.

Sua maior preocupação é a falta de resposta em situações de emergência: “Quando alguém adoece, retiram o botiquim às seis da tarde e não podem circular à noite porque é proibido”, denunciou.

“Mas para essa situação não há recursos… que pena”, concluiu com evidente frustração.

O furacão Oscar, que atingiu a terra no leste de Cuba em 20 de outubro de 2024, provocou uma devastação generalizada na infraestrutura viária de Guantánamo, com várias localidades isoladas e danos severos em pontes e estradas.

Em um primeiro balanço, foram relatadas numerosas zonas rurais isoladas, particularmente em Baracoa, Imías e Maisí, onde as chuvas intensas e os deslizamentos dificultaram o acesso terrestre, agravando a crise humanitária nessas regiões. O furacão devastou trechos-chave da rede viária, incluindo vias nacionais como a estrada Cantillo-La Tinta.

Poucos dias após o impacto, as autoridades restabeleceram parcialmente o tráfego entre Guantánamo e Imías, embora apenas através de um caminho provisório, o que permitiu iniciar a distribuição de alimentos e doações essenciais.

O passo reaberto agilizou o acesso às áreas afetadas e reduziu o tempo de viagem de sete para duas horas, facilitando a logística de apoio às comunidades impactadas. No entanto, a circulação deveria ser mantida com cautela, uma vez que os trabalhos de reabilitação continuariam em andamento.

A gravidade da situação levou o Exército Oriental de Cuba a desplegar uma ponte tática de origem russa no trecho entre Jesús Lores e Imías, com capacidade para suportar veículos de até 12 toneladas.

Esta estrutura militar, instalada por unidades de engenharia, permitiu restaurar a conexão em uma área vital para a mobilidade e o transporte, após a destruição da ponte anterior pela cheia do rio Guajacal. A instalação da ponte provisória foi fundamental para reativar o tráfego e garantir a continuidade do abastecimento na região.

Perguntas frequentes sobre a ponte colapsada em Baracoa e a situação após o furacão Oscar

Por que os moradores de Boca de Miel continuam sem comunicação?

Os moradores de Boca de Miel continuam incomunicados porque a ponte de madeira que os conectava com o resto de Baracoa desabou após a passagem do furacão Oscar há mais de cinco meses. Apesar das promessas, as autoridades não ofereceram uma solução viável nem estabeleceram um cronograma para a sua reparação.

Como a falta da ponte afeta os habitantes de Boca de Miel?

A falta da ponte afeta a mobilidade diária dos habitantes de Boca de Miel, limitando seu acesso a serviços médicos, trabalho, educação e abastecimento básico. Atualmente, dependem de uma cayuca para atravessar o rio, o que implica custos adicionais e horários restritos.

Quais outras infraestruturas foram afetadas pelo furacão Oscar no leste de Cuba?

O furacão Oscar causou danos severos na infraestrutura viária no leste cubano. Várias estradas e pontes foram destruídas, afetando a comunicação e o transporte em localidades como Imías e Maisí. Além disso, mais de mil casas sofreram danos significativos em Baracoa e Maisí.

Qual é a situação atual da eletricidade e da conectividade em Baracoa?

A comunidade de Baracoa continua enfrentando sérios problemas de eletricidade e conectividade. Muitas residências dependem de instalações improvisadas, o que gera baixa voltagem e impede o uso normal de eletrodomésticos. Além disso, a falta de telefonia e internet complica ainda mais a vida cotidiana dos habitantes.

Arquivado em:

Equipe Editorial da CiberCuba

Uma equipe de jornalistas comprometidos em informar sobre a atualidade cubana e temas de interesse global. No CiberCuba, trabalhamos para oferecer notícias verídicas e análises críticas.