
Vídeos relacionados:
A Financiera Cimex S.A. (Fincimex) anunciou que, a partir de 7 de abril de 2025, estará disponível em Cuba a opção de realizar transferências entre cartões Clássica em dólares americanos (USD).
Se trata de um novo passo do regime para fortalecer o circuito comercial em divisas e ampliar o controle financeiro do conglomerado empresarial militar GAESA.
Um comunicado divulgado por Tiendas Caribe em suas redes sociais indica que essa nova medida visa "otimizar a operatividade dos cartões pré-pagos e ampliar suas funcionalidades". No entanto, o contexto revela uma estratégia mais ampla de captação de divisas por parte do Estado cubano.
Transferências entre cartões em USD: Uma nova forma de exclusão?
A tarjeta Clássica, gerida pela Fincimex e pela Corporación CIMEX, ambas entidades sob o controle da GAESA, tem sido alvo de intensa promoção estatal nos últimos meses.
Esta tarjeta permite a compra de produtos em dólares em lojas estatais como CIMEX, Tiendas Caribe e Trimagen, assim como em postos de serviços para a compra de combustível, e agora também servirá para transferências diretas entre usuários.
Entre os "benefícios" promovidos pelo regime destacam-se descontos de 10% nas instalações do Grupo Gaviota e entre 5% e 6% em outras lojas estatais. O cartão Clássico permite apenas recargas em USD, portanto apenas aqueles que têm acesso a dólares podem utilizá-lo.
Este mecanismo obriga aqueles que recebem remessas em outras moedas a convertê-las primeiro em dólares, o que implica uma perda de dinheiro no processo e reforça o monopólio estatal sobre o fluxo de divisas.
Uma medida que aprofunda a desigualdade
Lejos de representar uma melhoria no acesso a bens ou serviços, a nova funcionalidade de transferência entre cartões Clássicos contribui para consolidar uma economia dual profundamente desigual, onde apenas aqueles que dispõem de moeda estrangeira podem participar ativamente.
Enquanto o Estado reduz a disponibilidade de produtos em lojas que operam em pesos cubanos (CUP), amplia o acesso e a variedade em estabelecimentos que aceitam apenas dólares, criando um sistema de consumo excludente, alheio à maioria dos cubanos que dependem de salários estatais.
A crescente dependência do dólar americano reforça uma dolarização parcial, em aberta contradição com os discursos oficiais sobre “soberania monetária”. As novas lojas em dólares, que não aceitam Moeda Livremente Conversível (MLC), marcam uma nova fase de segmentação econômica e social em Cuba.
Perguntas frequentes sobre transferências em dólares entre cartões Clássica em Cuba
O que são os cartões Clássica e como funcionam em Cuba?
Os cartões Clássica são cartões pré-pagos em dólares americanos, geridos pela Fincimex e pela Corporación CIMEX, entidades sob o controle da GAESA. Esses cartões permitem a compra de produtos em lojas estatais de Cuba, mas só podem ser recarregados com dólares, o que limita seu uso a pessoas com acesso a moedas estrangeiras. Além disso, agora permitem transferências diretas entre usuários.
Por que o governo cubano autorizou transferências em dólares entre cartões Clássica?
O governo cubano autorizou essas transferências como parte de uma estratégia para captar mais divisas estrangeiras e fortalecer o controle financeiro do conglomerado GAESA. Embora oficialmente seja apresentada como uma melhoria na operatividade dos cartões, na realidade busca consolidar um sistema econômico que favorece aqueles que têm acesso a moeda estrangeira.
Qual é o impacto da funcionalidade de transferências em dólares na economia cubana?
A nova funcionalidade de transferências em dólares entre cartões Clássica reforça uma economia dual em Cuba, aprofundando a desigualdade econômica. Somente aqueles com acesso a dólares podem participar deste circuito financeiro, enquanto a maioria dos cubanos, que recebe seus rendimentos em pesos cubanos, fica excluída do acesso a bens e serviços essenciais.
Como a dolarização parcial afeta a população cubana?
A dolarização parcial em Cuba exacerba as desigualdades econômicas e cria um sistema de consumo exclusivo. A maior parte da população, que recebe seu salário em pesos cubanos, não pode acessar os produtos e serviços disponíveis apenas em dólares, enquanto o acesso a bens básicos se desloca cada vez mais para o circuito comercial em divisas.
Arquivado em: