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A crise energética em Cuba continua a piorar e atinge com maior força as províncias do centro e leste do país, onde os apagões ultrapassam as 20 horas diárias, deixando a população em uma situação desesperadora.
A falta de geração elétrica, as avarias nas termoelétricas e o déficit de combustível levaram o Sistema Electroenergético Nacional (SEN) a uma situação limite, com um déficit de geração próximo a 1.600 megawatts (MW).
Situação crítica em Ciego de Ávila e outras províncias
A província de Ciego de Ávila enfrenta uma crise elétrica tão grave que o diretor geral da Empresa Elétrica avileña, Daniel Pérez García, a comparou a uma "desconexão do Sistema Elétrico Nacional".
Em declarações ao Periódico Invasor, detalhou que o panorama não vai melhorar. O território continuará sofrendo com os apagões até que as centrais termoelétricas (CTE) voltem a se sincronizar e aumente a geração.
Essa realidade também afeta outras províncias do centro e leste do país, onde a população fica sem eletricidade durante quase todo o dia.
Este terça-feira, o relatório oficial da UNE registrava oito unidades de geração elétrica fora de serviço devido a falhas ou manutenção, incluindo:
- Unidade 3 da CTE Santa Cruz
- Unidade 3 da CTE Renté
- Unidades 1 e 2 da CTE Felton
- Unidade 2 da CTE Santa Cruz (manutenção)
- Unidades 3 e 4 da CTE Cienfuegos (manutenção)
- Unidade 5 da CTE Renté (manutenção)
Apagões de mais de 20 horas diárias
A falta de geração levou a que, em várias províncias do centro e leste do país, os apagões se estendam até 20 horas diárias, deixando apenas curtos intervalos de tempo com serviço elétrico.
Essa situação impacta gravemente a vida cotidiana da população, afetando a conservação de alimentos, o preparo de refeições e o funcionamento de eletrodomésticos essenciais.
“Já não é apenas o desconforto de não ter luz, é que não conseguimos cozinhar, os ventiladores não funcionam e as crianças não conseguem dormir. É insuportável”, comentou um residente de Camagüey nas redes sociais.
Uma solução à vista?
A União Elétrica de Cuba (UNE) anunciou que está trabalhando na incorporação de novas fontes de energia renovável para aliviar a crise, com a construção de três parques solares fotovoltaicos em Ciego de Ávila. No entanto, as obras sofreram atrasos devido à falta de suprimentos e roubos de materiais, o que coloca em dúvida sua efetividade a curto prazo.
No caso do parque solar localizado em Grego, que deveria contribuir com 21,87 MW ao SEN no dia 29 de março, as autoridades alertaram que a data de sincronização pode ser adiada. Enquanto isso, a situação continua insustentável para os moradores das províncias mais afetadas.
Indignação e desespero na população cubana
Os cubanos expressaram sua frustração nas redes sociais e em meios locais, denunciando a falta de respostas e soluções por parte do governo.
Alguns comentários nas redes sociais refletem a desesperação de quem sofre com os cortes constantes. “Sempre nos toca a parte difícil, a zona centro-oriental é a mais prejudicada. Não há coragem para cortar a energia em Havana”, disse um usuário.
“Nos tiraram até a dignidade”, comentou outra pessoa, enquanto um internauta exigia ao governo que parasse de falsear as informações sobre a crise energética: “É melhor que fiquem calados a que continuem mentindo”.
A crise energética em Cuba já dura mais de cinco anos consecutivos em estado grave e não há uma solução imediata. As autoridades não têm dado respostas sobre quando as condições do serviço elétrico poderão melhorar. Enquanto isso, a população do centro e leste da ilha continua mergulhada em apagões intermináveis e uma qualidade de vida cada vez mais deteriorada.
Perguntas frequentes sobre a crise energética em Cuba
Qual é a situação atual do sistema elétrico em Cuba?
A crise energética em Cuba se intensificou, afetando principalmente as províncias do centro e leste do país. Os apagões superam 20 horas diárias, devido a um déficit de geração próximo de 1.600 megawatts (MW), com várias unidades fora de serviço por avarias ou manutenção. Esta situação impacta gravemente a vida cotidiana da população, que enfrenta dificuldades para realizar atividades essenciais como cozinhar e conservar alimentos.
Quais medidas o governo cubano está tomando para resolver a crise energética?
A União Elétrica de Cuba (UNE) anunciou esforços para incorporar novas fontes de energia renovável, como a construção de parques solares em Ciego de Ávila. No entanto, essas iniciativas sofreram atrasos devido à falta de suprimentos e roubos de materiais, o que coloca em dúvida sua efetividade a curto prazo. Até agora, não há indícios claros de uma solução imediata para o problema energético.
Como a crise energética afeta a população cubana?
A população cubana está enfrentando um deterioro significativo em sua qualidade de vida devido a apagões prolongados. Os cidadãos enfrentam problemas para cozinhar, conservar alimentos e utilizar eletrodomésticos essenciais, o que gera uma grande frustração e desespero. Além disso, a falta de eletricidade afeta as crianças, que têm dificuldades para dormir sem ventiladores, e toda a população que é obrigada a modificar sua rotina diária.
Qual tem sido a reação da população cubana diante dos constantes apagões?
A população cubana tem expressado sua frustração e descontentamento através das redes sociais e protestos. Os cidadãos criticam a falta de respostas e soluções efetivas por parte do governo, e denunciam uma distribuição desigual do fornecimento elétrico. Além disso, têm ocorrido manifestações em várias províncias, refletindo o crescente mal-estar social diante da crise energética persistente.
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