Decisão judicial bloqueia o veto de Trump à chegada de refugiados aos EUA: Essa é a causa

A medida executiva, que buscava interromper indefinidamente o reassentamento de pessoas refugiadas, foi declarada ilegal por um juiz.


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Um juiz federal em Seattle bloqueou a iniciativa do presidente Donald Trump de suspender o programa de admissão de refugiados nos Estados Unidos.

A medida executiva, que buscava interromper indefinidamente o reassentamento de pessoas refugiadas, foi declarada ilegal pelo juiz Jamal Whitehead, que argumentou que a ação do presidente excede sua autoridade e contraria a vontade do Congresso.

O contexto da demanda

Desde seu retorno à Casa Branca, Trump implementou uma série de ordens executivas para endurecer as políticas migratórias.

Entre elas esteve a suspensão do programa de reassentamento de refugiados sob a justificativa de que o país enfrenta “níveis recordes de migração” e que não tem a capacidade para absorver um número significativo de novos migrantes, especialmente refugiados.

Além de proibir a entrada de refugiados, sua administração começou a cortar fundos destinados a agências de ajuda que gerenciam o reassentamento e a integração dessas pessoas no país.

O programa de admissão de refugiados foi estabelecido pelo Congresso em 1980 e permitiu a chegada de mais de três milhões de pessoas que fogem da guerra, da perseguição ou de desastres naturais.

Este processo legal de migração se distingue do asilo, que é concedido a pessoas que já estão em território americano e solicitam proteção.

Apesar do respaldo histórico de democratas e republicanos, o programa tem sido objeto de controvérsia nos últimos anos.

Durante seu primeiro mandato, Trump também reduziu drasticamente o número de refugiados admitidos anualmente.

Atualmente, cerca de 600.000 pessoas em todo o mundo aguardam para serem reassentadas nos Estados Unidos. No entanto, a suspensão do programa deixou milhares em um limbo, incluindo indivíduos que já haviam sido aprovados pelo governo americano.

Os demandantes e seus argumentos

A demanda foi apresentada em Seattle por refugiados que foram diretamente afetados pela suspensão, assim como por grandes organizações humanitárias, entre elas International Refugee Assistance Project, Church World Service, HIAS e Lutheran Community Services Northwest.

Essas organizações alegaram que a medida de Trump as obrigou a demitir funcionários e reduzir suas operações, o que afetou gravemente os refugiados que já estavam em processo de reassentamento.

David Duea, diretor da Lutheran Community Services Northwest, denunciou a situação.

“Reassentamos pessoas dias antes da posse e agora ficaram sem ajuda. Isso significa aluguel, assistência para que as crianças entrem na escola e gestão de casos. Foi um ato desumano”, explicou, em declarações coletadas pela AP.

O Departamento de Justiça argumentou que a ordem executiva de Trump se baseava em uma lei que permite ao presidente negar a entrada a estrangeiros cuja admissibilidade "seria prejudicial aos interesses dos Estados Unidos".

No obstante, o juiz Whitehead considerou que a ação presidencial equivalia a “uma anulação efetiva da vontade do Congresso”, que estabeleceu o programa em 1980.

A decisão do juiz Whitehead

Whitehead rejeitou os argumentos do governo e declarou que a suspensão do programa violava a lei e os princípios da separação de poderes.

Em sua resolução preliminar, destacou: “O presidente tem uma ampla margem de discricionariedade [...] para suspender a admissão de refugiados, mas essa autoridade não é ilimitada”.

O juiz destacou as consequências humanitárias da ordem executiva, ao citar declarações de refugiados presos em zonas perigosas e de famílias separadas indefinidamente.

“Eu tenho refugiados que venderam tudo o que tinham antes de uma viagem que foi cancelada. Tenho cônjuges e filhos separados de suas famílias nos Estados Unidos, agências de reassentamento que despediram centenas de funcionários”, afirmou.

Do lado de fora do tribunal, organizações e ativistas comemoraram a decisão judicial.

Tshishiku Henry, um refugiado reassentado nos Estados Unidos em 2018 após fugir da guerra na República Democrática do Congo, compartilhou o que significou para ele ter sido admitido como refugiado.

“Foi um salva-vidas. Não apenas nos ofereceram segurança, mas também nos devolveram nosso futuro”, apontou.

O governo Trump, por sua vez, indicou que planeja recorrer da decisão ao Tribunal de Apelações do Nono Circuito.

Se o tribunal ou a Suprema Corte concederem uma suspensão, a ordem executiva poderá voltar a entrar em vigor enquanto o litígio prosseguir.

No entanto, se a decisão for mantida, o programa de admissão de refugiados precisará ser reativado temporariamente.

A controvérsia sobre o programa de refugiados reflete as profundas divisões em torno da política migratória americana. À medida que o caso avança no sistema judicial, o destino de milhares de pessoas que buscam segurança e estabilidade nos Estados Unidos continua em jogo.

Perguntas frequentes sobre a decisão judicial que bloqueia o veto de Trump a refugiados

Por que o juiz Jamal Whitehead bloqueou a ordem de Trump sobre refugiados?

O juiz Jamal Whitehead bloqueou a ordem de Trump porque considerou que excede a autoridade presidencial e contraria a vontade do Congresso, que estabeleceu o programa de admissão de refugiados em 1980.

Qual é o impacto da decisão judicial sobre o programa de refugiados?

A decisão judicial permite a reabertura temporária do programa de admissão de refugiados, afetando milhares de pessoas em processo de reassentamento que estavam em um limbo devido à suspensão da ordem de Trump.

Quais argumentos o Departamento de Justiça apresentou para defender a ordem de Trump?

O Departamento de Justiça argumentou que a ordem executiva de Trump estava amparada por uma lei que permite ao presidente negar a entrada de estrangeiros cuja admissão "seria prejudicial aos interesses dos Estados Unidos", mas o juiz Whitehead rejeitou esse argumento.

Quais organizações participaram da ação contra a suspensão do programa de refugiados?

Organizações como International Refugee Assistance Project, Church World Service, HIAS e Lutheran Community Services Northwest participaram da ação, argumentando que a medida de Trump os obrigou a reduzir operações e afetou gravemente os refugiados que já estavam em processo de reassentamento.

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