O advogado da Flórida Willy Allen criticou fortemente a congressista María Elvira Salazar, que acaba de anunciar que apresentará um projeto de lei para conceder status legal aos cubanos com I-220A. Em uma entrevista concedida ao CiberCuba, Allen qualificou essa proposta legislativa como "um insulto" e aconselhou a representante republicana a parar de falar "cascarita de caña".
"Eu, publicamente, pedi desculpas por ter votado nela duas vezes. María Elvira, que era minha amiga, o que está dizendo é uma falta de respeito a qualquer pessoa que pense, que me insulta", disse visivelmente aborrecido.
Segundo explicou Allen, a congressista sabe que o que ela propõe já está contemplado na Lei de Ajuste Cubano. Além disso, ele a lembra que essa lei foi promovida em 1966 por dois congressistas democratas de Miami, quando os cubanos não eram uma comunidade influente nem decisiva no voto na Flórida, e que Lincoln Díaz-Balart conseguiu protegê-la em 1996, ao incluí-la na Lei de Democracia para Cuba.
"Não é necessário apresentar nenhum projeto de lei. A lei já existe e é a Lei de Ajuste Cubano. Essa congressista está zombando de nós quando diz que vai propor a lei. Ela não pode propor nada. É uma falta de respeito. Está falando bobagem", insistiu o advogado.
"Se ela realmente quisesse fazer algo, pressionaria sua amiga, a secretária do DHS (Departamento de Segurança Nacional), para que dissesse que a Lei de Ajuste Cubano se aplica aos cubanos I-220 A porque foram inspecionados e admitidos", ressaltou.
Na opinião do prestigioso advogado da Flórida, estamos diante de um problema administrativo. "Em vez de falar cascarita de cana sobre uma nova lei, argumente com seu governo que o que deve fazer é aplicar administrativamente o que já existe", concluiu.
Allen fez estas declarações esta quinta-feira em uma entrevista com CiberCuba, na qual analisou as consequências da decisão da Administração Trump de suspender os trâmites migratórios que os beneficiários do parole humanitário e da reunificação familiar têm em andamento neste momento.
É importante lembrar que Trump cancelou o parole logo após assumir o cargo em 22 de janeiro de 2025. No entanto, essa figura migratória, que permite a entrada nos Estados Unidos durante dois anos com permissão de trabalho, desde que se tenha um patrocinador financeiro, já estava comprometida. Em julho de 2024, a Administração Biden a suspendeu ao detectar irregularidades. Depois, retomou em setembro de 2024, mas nunca mais foi a mesma. Por fim, Trump a eliminou no início deste ano.
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