Sobrevivente da masacre do remolcador 13 de Março: “Foi um crime premeditado pelo governo cubano”

Gustavo Martínez perdeu a sua mulher e uma filha de meses na tragédia.

Gustavo Martínez GutiérrezFoto © Captura de vídeo YouTube / ADN Cuba

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Gustavo Martínez, sobrevivente do afundamento do remolcador 13 de Março que perdeu a esposa e uma filha de meses, recordou a tragédia que completou 29 anos na última quinta-feira.

“Perdi a minha esposa, Juliana Enríquez Carrasana, que era de Placetas, Villa Clara, vivia em Cuatro Caminos, Havana, perdi minha menina Helen, faltavam 5 dias para ela completar 6 meses. Meu sogro Reinaldo, de 48 anos, muitos amigos...”, contou Martínez em um áudio enviado ao meio independente Cubanet.

“Foi uma história muito triste, muito dura, muito drástica, muito brutal, onde não houve compaixão nem escrúpulos. ‘Afundem-no’ e o afundaram, foi assim”, acrescentou este cubano, que qualificou o ocorrido como “um crime premeditado do governo cubano”.

"Sofri muito, estava bastante depressivo e pensava que a vida já não valia nada. Restou-me um filho homem, isso me deu forças para continuar lutando, ele tinha 9 anos na época. Já experimentei o limite do sofrimento de um ser humano", conclui seu testemunho.

Na madrugada de 13 de julho de 1994, 68 pessoas embarcaram no rebocador, atracado no cais Salvamento a poucos passos da antiga usina elétrica de Tallapiedra. À frente do grupo estava Fidencio Ramel Prieto Hernández, chefe de operações do Porto de Havana, e o objetivo de todos era emigrar para os Estados Unidos.

Ao passar pela base da Marinha de Guerra, perto do cais das lanchinhas de Regla e Casablanca, o rebocador foi interceptado por embarcações da Empresa Estatal de Serviços Marítimos (EESM), que, com manobras violentas que se prolongaram por um tempo, acabaram provocando o afundamento da embarcação. Um total de 37 pessoas morreram, entre elas 10 crianças.

Os cerca de trinta sobreviventes foram levados para a estação de Jaimanitas e, em seguida, para o bastião da Segurança do Estado, em Villa Marista.

29 anos depois daquela tragédia, os culpados não foram levados à justiça. O governo cubano tentou apresentar o ocorrido como um acidente. As autoridades cubanas nunca realizaram um processo judicial e acabaram por silenciar o caso, apesar das inúmeras tentativas de familiares e ativistas para levar os responsáveis aos tribunais.

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