Subdiretora do MINREX diz que hotéis cubanos se converteram em hospitais durante a pandemia e recebe críticas

Cubanos lembram a Johana Tablada das duras condições dos hospitais de campanha improvisados durante o pior da pandemia.

Hotel Habana Libre e Centro de isolamento para cubanosFoto © Twitter/Johana Tablada/CiberCuba

Vídeos relacionados:

Este artículo es de hace 4 años

A subdiretora cubana do MINREX para os Estados Unidos, Johana Tablada de la Torre, assegurou nesta quinta-feira que Cuba é o "país em que alguns hotéis, durante o pico da pandemia, se tornaram hospitais e centros de saúde".

Tablada ilustrou sua mensagem no Twitter com uma foto noturna do hotel Habana Libre, em Havana.

Tablada, que se tornou notória por suas habituais fake news nas redes sociais, insistiu que as instalações hoteleiras "aqui em Cuba são propriedade do povo".

É falso que o governo cubano tenha destinado instalações hoteleiras de primeiro nível a doentes ou convalescentes da COVID-19. De fato, essa foi uma das inúmeras reclamações dos cidadãos feitas nas redes sociais durante o verão passado, no auge da pandemia.

A finais de agosto, enquanto o sistema estatal de saúde se encontrava completamente colapsado, as autoridades cubanas determinaram que o hotel Ciego de Ávila, de categoria duas estrelas, e na província do mesmo nome, se transformasse em hospital pediátrico onde foram admitidos mais de 1.000 crianças e adolescentes que eram suspeitos ou que superaram lá a COVID-19.

Outro hotel, o Santa Clara Libre, da rede Isla Azul, também recebeu em setembro 63 pacientes grávidas infectadas com o vírus e seis crianças.

Estes são, até o momento, os únicos casos em que as autoridades destinaram instalações turísticas para acolher pacientes do coronavírus. Mesmo apesar de a maioria delas estar com uma ocupação muito baixa.

A resposta às mentiras da vice-ministra não demorou a chegar.

"Você não tem vergonha de dizer tantas mentiras? Nem vocês disponibilizaram hotéis como centros de saúde, nem o povo pode ir aos seus hotéis", respondeu à funcionária a ativista Saily de Amarillo.

"O que lembro são terminais de ônibus transformados em hospitais. Talvez seja difícil para mim reconhecer isso, será que seu tuíte é sarcasmo? Ou você é realmente um dissidente e faz essas coisas tão grotescas para desacreditar o governo cubano?", apontou outro tuiteiro.

"Somente por este tweet temos que sair para protestar. É uma mentira tão grande que provoca raiva e indignação. Apenas o humilde povo de Cuba sabe os horrores sofridos durante a pandemia, recluídos em lugares insalubres e desumanos", disse outro comentarista.

"Que pouca vergonha vocês têm! Enquanto várias províncias colapsavam por falta de oxigênio, medicamentos e leitos nos hospitais, mantiveram os hotéis fechados. Sério, que pouca vergonha!!!" acrescentou outro usuário.

Não é a primeira vez que a vice-ministra do MINREX divulga falsidades e é respondida em massa. Recentemente, a funcionária afirmou sem vergonhinha que a canção Patria e Vida "não pegou em Cuba" e no ano passado negou as criticadas reformas de um parque do Vedado, documentadas com fotos nas redes sociais.

Também incluiu CiberCuba no grupo de publicações que, segundo ela, recebem dinheiro como parte de uma operação do governo norte-americano para distorcer a realidade da ilha. Sua falsa acusação foi desmentida por nossa redação em um editorial.

A vice-ministra, diferente de sua mãe, a psicóloga Corolina de la Torre, apoia habitualmente os atos represivos e os mítines de repúdio contra opositores e ativistas cubanos.

Arquivado em:

Equipe Editorial da CiberCuba

Uma equipe de jornalistas comprometidos em informar sobre a atualidade cubana e temas de interesse global. No CiberCuba, trabalhamos para oferecer notícias verídicas e análises críticas.