Johana Tablada diz que a canção "Patria y Vida" não pegou em Cuba

"O governo de Biden deve levar o Grammy pela produção e pela cara promoção da música", disse Tablada de la Torre em um post no Twitter, pouco depois de anunciado a nomeação do tema nas categorias Melhor Música Urbana e Canção do Ano.

Protestos em Cuba (I) e Johana TabladaFoto © Reuters e Twitter de Johana Tablada

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Johana Tablada de la Torre, subdiretora geral da Direção de Estados Unidos do Ministério das Relações Exteriores, assegurou que a canção "Patria y Vida" "não pegou em Cuba".

"Governo de Biden deve levar o Grammy pela produção e cara promoção da canção", disse Tablada de la Torre em um post no Twitter logo após ser anunciada a indicação do tema nas categorias Melhor Canção Urbana e Canção do Ano.

Da mesma forma, afirmou que o atual inquilino da Casa Branca mente ao dizer que desde seu governo "fizeram tudo o que podiam para ajudar o povo cubano e que ofereceram vacinas a Cuba".

A mensagem de Tablada de la Torre recebeu críticas por parte de usuários da internet, que o criticaram pelo uso das redes para disseminar mentiras que apenas favorecem a ditadura.

"Se você diz que a canção não fez sucesso em Cuba, isso é apenas um reflexo da distância que existe entre vocês, dirigentes, e o povo comum", escreveu o jornalista José Raúl Gallego.

O internauta Javier Vigoa lembrou à funcionária do MINREX que em Cuba a polícia obriga os cidadãos a retirar a canção de suas próprias casas porque é "contrarrevolucionária"

"Isso acontece em nosso país... simplesmente alucinante. Não pisoteiem mais nossos direitos", acrescentou.

O escritor Ariel Maceo Téllez lembrou que nas protestas do 11 de julho, em mais de 60 localidades de Cuba, o que se gritava era "Fora a ditadura" e "Pátria e Vida".

"Vocês fizeram lobby por Biden, esperando um suposto descongelamento. Supõe-se que tenham que conviver com isso", destacou.

As tentativas de desqualificar "Patria y Vida" por parte do discurso oficial, dos meios de comunicação estatais e dos representantes do governo são constantes desde que a canção foi lançada, e ainda mais com o auge que alcançou dentro da ilha, onde os cubanos se identificaram com a mensagem da música, interpretada por Yotuel Romero, Maykel "Osorbo" Castillo, El Funky, Descemer Bueno e Gente de Zona.

Embora o regime tenha adotado diferentes medidas para tentar silenciar a canção, seja pela publicação de outras respostas musicais ou atribuindo ao ditador Fidel Castro a autoria da frase, a realidade é que aqueles cubanos que ecoam a mensagem divulgada pelo tema podem enfrentar acusações legais.

O Ministério do Interior explicou na televisão estatal que gritar Patria e Vida "é um crime de incitação à delinquência", depois que mais de mil cidadãos que participaram das manifestações pacíficas do 11J foram encarcerados.

Em uma tentativa de censurar a notícia e evitar que se conheça na ilha o impacto que a canção tem, a EGREM eliminou da lista de indicados ao Grammy Latino a Patria e Vida, embora tenha aproveitado para comemorar que o disco "Cha, Cha, Chá: Homenagem ao tradicional", com a participação da Orquestra Aragón, Alain Pérez e Issac Delgado, competirá na categoria de Melhor Álbum Tropical Tradicional.

Desde o Governo dos Estados Unidos, a quem Johana Tablada de la Torre atacou com sua mensagem no Twitter, celebraram a decisão da Academia Musical de incluir a canção entre os indicados porque "inspira esperança e liberdade aos cubanos".

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Lázaro Javier Chirino

Jornalista da CiberCuba. Licenciado em Estudos Socioculturais pela Universidade da Ilha da Juventude. Apresentador e jornalista em rádio e televisão