O regime cubano teme que uma queda de Maduro acelere sua própria crise econômica



La Havana observa com preocupação o endurecimento da pressão militar dos Estados Unidos sobre a Venezuela, temendo um efeito dominó que agrave o colapso econômico na ilha.

Miguel Díaz-Canel e Nicolás Maduro em La Havana (Imagem de Referência)Foto © Flickr/CiberCuba

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O regime cubano continua a observar com inquietação –e muita preocupação– a crescente pressão militar dos Estados Unidos sobre a Venezuela e a firme postura do secretário de Estado, Marco Rubio, em relação ao ditador Nicolás Maduro, uma combinação que, segundo especialistas, poderia precipitar um novo golpe econômico para Havana.

Segundo um relatório da agência EFE, a preocupação do regime cubano se concentra nas possíveis repercussões políticas e econômicas de uma mudança de poder em Caracas, seu principal aliado energético e financeiro.

Analistas consultados pela agência afirmaram que a perda do apoio venezuelano representaria um duro golpe para a debilitada economia cubana.

O ex-diplomata e analista Carlos Alzugaray indicou que em Havana “há consternação” pela possibilidade de um conflito entre os Estados Unidos e a Venezuela que poderia “transbordar para Cuba”, onde a situação interna já é descrita como uma “policrise” marcada pela inflação, pela escassez e pelos apagões prolongados.

Por sua vez, o cubano-americano Ricardo Herrero, diretor executivo do Cuba Study Group, explicou à EFE que o regime percebe "o risco de perder seu principal aliado e os subsídios de petróleo" justamente quando enfrenta uma economia em colapso.

Cuba recebe atualmente da Venezuela cerca de 32.000 barris diários, cerca de um quarto de suas necessidades energéticas.

Herrero acrescentou que, sem esse suprimento, a ilha seria obrigada a recorrer a fontes mais caras, como o México ou a Rússia, o que agravaria a inflação, o desabastecimento e o mal-estar social.

Além disso, advertiu que a perda de Caracas como parceiro obrigaria Havana a uma maior dependência de Moscovo e Pequim em um contexto de crescente rivalidade com Washington.

O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, qualificou recentemente a presença militar dos Estados Unidos no Caribe como uma “loucura” e uma “violação do direito internacional”, afirmando que a estratégia de Washington responde a “objetivos belicistas” que apenas trarão “violência e instabilidade”.

Alzugaray, no entanto, acredita que a eventual queda do chavismo não significaria necessariamente o fim do regime cubano.

“A Cuba teve uma grande resiliência. É possível que consiga resistir, embora os desafios atuais sejam muito mais graves do que no passado”, afirmou.

Ambos especialistas coincidiram que a economia cubana se encontra em uma posição de extrema fragilidade e que a ausência do apoio venezuelano pode acelerar seu deterioro estrutural, com efeitos diretos sobre a energia, o transporte e os serviços básicos.

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