Pedro Sánchez autorizou a venda de 24 toneladas de munição ao regime cubano

O Governo espanhol permitiu a exportação de munição para Cuba e de "armas de guerra" para Marrocos, em pleno veto a Israel. As operações foram geridas por meio de uma empresa e com a aprovação do Ministério da Defesa.

A Espanha exportou para Cuba 24 toneladas de munição em julho, avaliadas em 81.600 eurosFoto © Cubadebate

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O presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, autorizou a venda de 24 toneladas de “munições e projéteis” ao regime cubano e 1,5 toneladas de “armas de guerra” a Marrocos, segundo fontes do Ministério da Defesa citadas por Ok Diario.

As operações foram realizadas enquanto o governo espanhol mantinha seu veto a Israel e descartava aumentar os gastos com Defesa para 5% do Produto Interno Bruto (PIB), como exigem os parceiros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Os registros oficiais detalham que a exportação para Cuba, realizada em julho, teve um valor de 81.600 euros, enquanto a operação com Marrocos aproximou-se de 63.000 euros.

Ambas transações foram geridas por uma empresa, embora sua aprovação tenha dependido do Executivo.

"A exportação é realizada por uma empresa que solicita uma licença, mas deve ser aprovada pela Secretaria de Estado ou pelo Conselho de Ministros", explicaram as fontes.

Não é a primeira vez que o governo socialista autoriza vendas desse tipo ao regime cubano.

Anteriormente, a Espanha havia exportado armas de repressão policial por mais de 50.000 euros, usadas pelas forças de segurança cubanas durante protestos antigovernamentais, lembrou a fonte.

No caso marroquino, a venda de armas coincidiu com um conflito diplomático. No mesmo mês, Rabat fechou unilateralmente a alfândega comercial de Beni-Enzar, em Melilla, gerando um bloqueio econômico que a câmara municipal local atribuiu à “fraqueza da Espanha em relação a Marrocos.”

O episódio reforça as críticas à política externa de Sánchez, acusado pela oposição de manter relações comerciais com regimes autoritários enquanto impõe restrições a aliados tradicionais.

O governo cubano disponibilizou entre 2018 e o primeiro semestre de 2019 um total de 2.239.494 euros para comprar da Espanha material de defesa destinado à polícia da ilha.

Cuba adquiriu armas de fogo leves (canos de alma lisa, armas automáticas e rifles) destinadas inteiramente à polícia da ilha. No entanto, a maior parte do investimento se concentrou na categoria de Produtos e Tecnologia de Duplo Uso, que inclui materiais sensíveis como substâncias químicas, "microorganismos" e "toxinas", além de equipamentos de proteção e detecção, como trajes, luvas, calçados e dosímetros.

Segundo as estatísticas de 2020 do Ministério da Indústria, Comércio e Turismo da Espanha, as autoridades na ilha voltaram a comprar armamento do país ibérico, desta vez em plena pandemia, e por um valor de 1.202.500 euros, uma quantia comparável à de países com um PIB maior, como a Polônia ou a Eslovênia.

A maior parte desse investimento foi destinada à aquisição de “materiais energéticos e substâncias relacionadas” (categoria 8), que incluem explosivos, propulsantes, produtos pirotécnicos e combustíveis.

Adicionalmente, o regime gastou 2.500 euros na compra de armas leves (categoria 1), uma categoria que abrange pistolas, rifles, revólveres, metralhadoras e acessórios como silenciadores e miras ópticas.

No entanto, no final de 2022, ficou conhecido que o governo da Espanha, por meio da Junta Interministerial Reguladora do Comércio Exterior de Material de Defesa e de Duplo Uso (Jimddu), negou a venda de material antidistúrbios ao Ministério do Interior (Minint) cubano.

A operação rejeitada, avaliada em 350.000 euros, incluía 2.500 cartuchos de gases lacrimogêneos e 40 artefatos de luz, som e fumaça.

A decisão foi baseada no "respeito pelos direitos humanos no país de destino final" e na escassez de "respeito pelo Direito Internacional Humanitário por parte desse país", em conformidade com o critério 2 da Posição Comum da União Europeia sobre exportações de equipamentos militares, segundo o relatório da Jimddu correspondente ao primeiro semestre de 2022.

Perguntas frequentes sobre a venda de munições da Espanha para Cuba e Marrocos

Por que a Espanha vendeu munições ao regime cubano?

O governo de Pedro Sánchez autorizou a venda de 24 toneladas de munições e projéteis ao regime cubano como parte de um acordo gerido por uma empresa e aprovado pelo Executivo. Esta ação gerou críticas, uma vez que ocorre em um contexto onde o governo espanhol mantém relações comerciais com regimes autoritários enquanto impõe restrições a outros aliados.

Que impacto poderia ter essa venda de munições nas relações internacionais da Espanha?

A venda de munições para Cuba e armas para Marrocos poderia reforçar as críticas à política externa de Pedro Sánchez, que tem sido acusada de favorecer relações com regimes autoritários. Além disso, a Espanha enfrenta pressões da OTAN para aumentar seus gastos em defesa, e essas decisões podem afetar sua posição dentro da organização e seu relacionamento com aliados tradicionais como os Estados Unidos.

Quais são os antecedentes de vendas de armas da Espanha para Cuba?

A Espanha exportou armas de repressão policial para Cuba no passado, no valor superior a 50.000 euros, que foram utilizadas pelas forças de segurança cubanas durante protestos antigovernamentais. Além disso, entre 2018 e 2019, o regime cubano investiu mais de 2 milhões de euros em material de defesa proveniente da Espanha.

Como a venda de armas para Marrocos afeta as relações diplomáticas com a Espanha?

A venda de armas para Marrocos ocorre em um momento de conflito diplomático entre os dois países, já que Marrocos fechou unilateralmente a alfândega comercial de Beni-Enzar em Melilla, o que gerou um bloqueio econômico. Este contexto evidencia a "fragilidade da Espanha frente a Marrocos" e pode complicar ainda mais as relações bilaterais.

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