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O vallista cubano Orlando Ortega se despediu nesta segunda-feira das pistas deixando um legado olímpico competindo pela Espanha.
O nacionalizado espanhol, medalha de prata nos 110 metros com barreiras das Olimpíadas do Rio de Janeiro 2016, anuncia sua aposentadoria após ter sido afetado por várias lesões, informou em sua conta do Instagram.
“El sofrimento tem um limite, nem sempre se pode colocar a saúde em risco. Uma nova lesão antecipa o que já era um objetivo na minha cabeça, aposentar-me na pista a 100%”, disse.
"Lamentavelmente, não pôde ser, mas fico com a satisfação de ter tentado. Despeço-me da alta competição, mas não do amor por este esporte", publicou Ortega em suas redes sociais", acrescentou.
Ortega agradeceu à sua família, à sua avó falecida, à sua esposa e filha, e a Artemisa, sua terra natal, assim como à Federação Espanhola, ao seu Comitê Olímpico e ao Conselho Superior de Esportes.
“Encerro este capítulo repleto de momentos inesquecíveis. Saio com a cabeça erguida, orgulhoso da minha carreira esportiva e sabendo que, graças a Deus, consegui alcançar o que muito poucos conseguiram no atletismo”, avaliou
O saltador lembrou de seus títulos, como a medalha de bronze nos Mundiais de Doha 2019 e nos Europeus de Berlim 2018
“Vou embora com vontade de continuar porque meu espírito sempre foi e será o de um vencedor e um grande competidor”, afirmou.
“Meu amor por este esporte é tão grande que eu seria capaz de sacrificar minha vida inteira, mas não posso continuar sendo egoísta, nem comigo mesmo, nem com minha família, que também sacrificou muito em busca do meu sonho, um sonho que já realizei com sobras, mas a vontade de continuar não me deixava perceber isso. Aprendi o suficiente para entender que, apesar de ter sido por uma lesão, este é o melhor momento para dizer ADEUS”, confessou no comunicado sentido.
Finalmente, enviou uma mensagem ao esporte onde triunfou: “Atletismo, chegou o momento de te ver e desfrutar de ti sob outra perspectiva. Levo comigo o orgulho de poder olhar para trás e ver que lutei com paixão, assim como agora olho para o futuro com a mesma intensidade e entusiasmo.”
Sua saída de Cuba
Há alguns anos, Ortega falou sobre os momentos difíceis que viveu quando chegou à Espanha e confessou que esteve “à beira da depressão”.
“Eu saí de Cuba e cheguei a um país novo onde praticamente não conhecia ninguém, não tinha nada. Cheguei a estar à beira da depressão, parei para pensar se havia tomado uma boa decisão, não acreditava que tivesse tomado. Mas eu me sentei e disse a mim mesmo: ‘Você já está aqui, agora é só seguir em frente’, o próximo passo é fazer as coisas direitinho e eu vou fazer direito porque me sacrifiquei, vou continuar treinando ainda mais duro e quando sair para competir, vou lutar pelos meus sonhos”, relatou.
O cubano abandonou a delegação oficial da ilha no mundial de atletismo de Moscou 2013, onde havia chegado como um dos favoritos a medalha por ser o terceiro no ranking mundial daquele ano e sexto nos Jogos Olímpicos de Londres 2012.
Após sua saída, foi criticado pelo instituto de esportes de Cuba que, em uma declaração oficial, disse sobre o atleta:
“A decisão de renunciar à causa do país que o permitiu se formar como atleta priva-o da honra que representa competir nas fileiras de um movimento esportivo firmemente baseado em seus valores.”
Ortega fixou sua residência na Espanha. Os dirigentes do Instituto de Esportes de Cuba (INDER) tentaram impedir que Ortega competisse sob a bandeira espanhola e, obviamente, também não o aceitavam sob a bandeira cubana.
A Espanha não apenas o acolheu como emigrante em 2013, mas também o apoiou como atleta, mesmo sem saber se o COI permitiria sua participação.
O medalhista olímpico é neto da lendária Cristina Echevarría, campeã dos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg 1967 (4x100), e de Orlando Ortega, que foi jogador de futebol em sua Cuba natal.
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