Autoridades saem em defesa de um funcionário acusado de corrupção em Havana

O governo local de La Lisa, Havana, negou que seu presidente, Yoamel Acosta Morales, tenha sido preso por corrupção, após uma denúncia divulgada nas redes sociais pelo meio La Tijera.

Yoamel Acosta continua em funções, segundo autoridades locaisFoto © Collage Facebook / La Tijera e Ampp La Lisa

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A Assembleia Municipal do Poder Popular de La Lisa, em Havana, negou neste domingo que seu presidente, Yoamel Acosta Morales, tenha sido preso por corrupção, após o meio digital La Tijera publicar que o funcionário estava sob investigação por um suposto desfalque de motos elétricas.

Según a publicação de La Tijera em sua página de Facebook, Acosta Morales —também deputado da Assembleia Nacional do Poder Popular e militante do Partido Comunista de Cuba (PCC)— teria sido detido pelas autoridades após a constatação do desaparecimento de 20 motos elétricas destinadas a entidades do município.

Captura Facebook / La Tijera

A nota mencionava, além disso, que o dirigente já havia sido relacionado a irregularidades anteriores na gestão de recursos estatais, embora não tenha apresentado documentação oficial que respaldasse essas acusações.

Horas depois, a Assembleia Municipal de La Lisa emitiu um comunicado em Facebook intitulado “Desmentido Oficial frente a falsas alegações sobre o Presidente da Assembleia Municipal”, no qual qualificou a informação como “desprovida de veracidade” e assegurou que Acosta Morales “continua exercendo suas funções com total comprometimento e transparência”.

Captura Facebook / Ampp La Lisa

“Não existe nenhuma evidência que comprove as acusações feitas por esse meio”, indica o texto, que também convidou a cidadania a se informar “por meio dos canais oficiais” e a não se deixar influenciar por “campanhas de desinformação”.

O comunicado acrescentou que o funcionário atualmente lidera ações de limpeza, reorganização de serviços comunitários e atendimento a bairros vulneráveis dentro do plano integral de melhoria do município.

Até o momento, não foi publicada evidência independente que confirme ou desminta de maneira conclusiva as versões apresentadas por ambas as partes.

Tampouco foi emitida uma declaração do governo provincial de Havana nem do Partido Comunista sobre o caso.

A situação gerou um debate nas redes sociais, onde cidadãos e usuários de ambas as fontes expressaram opiniões divididas.

Alguns pedem maior transparência institucional diante de qualquer denúncia de irregularidades, enquanto outros ressaltam a necessidade de verificar a informação antes de divulgá-la em plataformas digitais.

Em um contexto onde o acesso a dados oficiais é limitado e os meios de comunicação estatais e alternativos apresentam versões distintas dos fatos, a confirmação independente de denúncias de corrupção em Cuba continua sendo um desafio, o que deixa a população entre a desconfiança e a falta de informações verificáveis.

Enquanto o governo de La Lisa nega as denúncias contra Yoamel Acosta Morales, outros líderes do Partido Comunista começaram a reconhecer publicamente que os casos de corrupção não são isolados.

Desde Las Tunas, um funcionário admitiu que “tudo será sabido”, em uma tentativa de conter o crescente descontentamento devido aos escândalos recentes.

Um dos processos mais visíveis foi o de uma alta funcionária do governo condenada a 15 anos de prisão por delitos econômicos.

O veredicto, divulgado pela imprensa oficial, detalhou práticas sistemáticas de desvio de recursos e falsificação de documentos, embora tenha evitado mencionar redes de cumplicidade dentro das estruturas de poder.

De forma paralela, na província de Mayabeque expôs-se um fraude milionário no comércio de carvão, que envolveu um trabalhador por conta própria e revelou fissuras profundas no controle institucional sobre as exportações.

A operação, segundo a investigação, se estendeu por meses com a cumplicidade de entidades estatais.

Além disso, em Sancti Spíritus, cinco funcionários foram sancionados administrativamente por negligência e irregularidades relacionadas à gestão de recursos públicos.

Embora o caso não tenha chegado aos tribunais, evidenciou um padrão de impunidade onde as consequências raramente se traduzem em responsabilidades penais.

Perguntas frequentes sobre corrupção e roubo de motos em Cuba

Está Yoamel Acosta Morales envolvido em um caso de corrupção em Havana?

A Assembleia Municipal de La Lisa negou as acusações de que Yoamel Acosta Morales estaria envolvido em um caso de corrupção relacionado ao desfalque de motos elétricas. A informação foi considerada "desprovida de veracidade" e foi assegurado que o funcionário continua exercendo suas funções com compromisso e transparência.

Como a situação dos roubos de motocicletas elétricas afeta os cidadãos em Cuba?

Os roubos de motos elétricas tornaram-se um dos delitos mais comuns e preocupantes em Cuba, afetando significativamente os cidadãos que dependem desses veículos para sua mobilidade diária. A falta de efetividade policial e a escassa recuperação dos veículos furtados levaram a população a recorrer a denúncias públicas e recompensas para tentar recuperar seus bens.

Qual é o nível de transparência na gestão de denúncias de corrupção em Cuba?

O acesso a dados oficiais em Cuba é limitado e os meios estatais e alternativos frequentemente oferecem versões diferentes dos fatos. Isso dificulta a confirmação independente de denúncias de corrupção, gerando desconfiança e falta de informação verificável entre a cidadania.

Quais medidas estão sendo tomadas para combater o aumento de roubos de motos em Cuba?

Apesar das denúncias e do aumento de furtos, não se observam medidas efetivas ou contundentes por parte das autoridades para combater este tipo de crime. As denúncias públicas e as recompensas são os mecanismos mais utilizados pelos cidadãos para tentar recuperar seus veículos.

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