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A ex-lutadora cubana Lisset Hechavarría Medina, campeã pan-americana e uma das pioneiras da luta livre feminina na Ilha, enfrenta hoje uma situação crítica que comoveu a comunidade esportiva.
Segundo detalhou em Facebook o ex-lutador e influenciador Roly Damaso, a atleta se encontra em condições de extrema precariedade, com problemas psiquiátricos visíveis e residindo em uma moradia em péssimas condições, enquanto seus dois filhos pequenos, de seis e oito anos, dependem dela.
Damaso relatou que Lisset, em seus momentos de lucidez, retorna à sua precária casa, mas grande parte do tempo está em situação de rua. Seu estado de saúde é alarmante e seu comportamento evidencia um deterioro que requer atenção médica urgente.
"Ele não está trabalhando. Sua moradia está em condições muito ruins, algo inaceitável se considerarmos sua trajetória esportiva e o nível de vida digno e empreendedor que sempre teve", destacou.
O denunciante também foi enfático ao apontar a responsabilidade das instituições oficiais.
"Esta ex-atleta precisa de atenção médica profissional, um emprego estável e melhorias nas condições de sua casa. Tudo isso só pode ser garantido pelo INDER de Santiago de Cuba e pelo governo cubano. O que hoje suas colegas de equipe oferecem é admirável, mas não é suficiente nem sustentável", apontou.
Uma glória esportiva no abandono
A história de Lisset Hechavarría é marcada por conquistas que um dia encheram de orgulho o esporte cubano.
Nascida em 28 de abril de 1984, em Santiago de Cuba, foi uma das primeiras mulheres cubanas a alcançar resultados internacionais na luta, abrindo caminho para gerações posteriores.
Em seu currículo destacam-se a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara em 2011, sete medalhas em Campeonatos Pan-Americanos (orações em 2013 e 2014) e outro título de ouro nos Jogos Centro-Americanos de 2014 em Veracruz.
No entanto, o presente contrasta dramaticamente com o seu passado: hoje sofre com o esquecimento institucional, a falta de atenção médica especializada e a precariedade social.
Críticas às autoridades e censura
Após a denúncia pública, Damaso afirmou que o regime cubano ordenou desmentir a publicação sobre a situação da atleta, o que ele classificou como mais uma demonstração de censura oficial: "É a forma da liderança sem temor a Deus", expressou.
Os comentários dos internautas refletem uma mistura de indignação e tristeza.
"Esses genízaros comunistas os usam e depois os abandonam", escreveu um cubano de Pinar del Río.
A treinadora Yoennis Chapman Toledo, de Las Tunas, pediu a atletas e glórias esportivas de Cuba e do mundo que se unam para ajudar sua companheira: "Ela é uma verdadeira guerreira dentro e fora dos colchões de luta. É hora de ajudar".
Outro treinador de luta nos Estados Unidos lamentou a gravidade do caso: "Os nervos são uma doença delicada, complexos de tratar. Veremos como podemos apoiar uns aos outros."
Um santiaguero, surpreso com a notícia, lembrou que no ano passado conversou com Lisset. "Eu a vi nervosa, mas não pensei que chegaria a esse ponto."
Outros usuários foram mais críticos: "É o que vivem muitas das nossas glórias esportivas: abandonadas e em situações precárias. Os mais jovens não escaparão disso. Está acontecendo com todos, não apenas com glórias do esporte, mas também com médicos, professores e trabalhadores em geral".
Uma queda que interpela
A dramática situação de Lisset Hechavarría reflete um padrão que afeta muitos atletas cubanos após a aposentadoria: esquecimento, miséria e falta de apoio institucional.
Enquanto o governo se orgulha em atos oficiais das conquistas históricas do esporte cubano, as histórias de vida daqueles que conquistaram essas medalhas mostram o outro lado: precariedade e abandono.
"Somente com a verdade poderemos exigir soluções das autoridades competentes", concluiu Damaso em sua publicação.
Perguntas frequentes sobre o abandono de atletas em Cuba
Qual é a situação atual de Lisset Hechavarría, a ex-lutadora cubana?
Lisset Hechavarría, ex-lutadora e campeã pan-americana, se encontra em uma situação crítica. Vive em condições de extrema precariedade, com problemas psiquiátricos visíveis e em situação de rua. Apesar de seu destacado percurso esportivo, não recebe o apoio necessário do governo cubano nem do INDER, enfrentando um abandono institucional preocupante.
Qual é a responsabilidade das autoridades cubanas no caso de Lisset Hechavarría?
As autoridades cubanas, especificamente o INDER e o governo de Santiago de Cuba, têm a responsabilidade de garantir atendimento médico, emprego e condições de vida dignas para Lisset Hechavarría. Até o momento, não cumpriram com essas obrigações, deixando a ex-atleta no esquecimento.
Existem outros casos de abandono de glórias esportivas em Cuba?
Sim, há múltiplos casos de abandono de glórias esportivas em Cuba. Exemplos incluem o ex-lutador Arturo Díaz, que enfrenta condições deploráveis em um hospital, e Margarita Skeet, uma destacada jogadora de basquete que vive em total abandono. Esses casos refletem um padrão sistemático de desatenção a antigos atletas por parte do governo cubano.
Como a comunidade reagiu à situação de Lisset Hechavarría?
A comunidade esportiva e os internautas demonstraram indignação e tristeza diante do caso de Lisset Hechavarría. Muitos criticaram a censura e a desinformação por parte do regime cubano. Atletas e treinadores pediram solidariedade e apoio para ajudar Lisset, evidenciando o descontentamento generalizado com o tratamento das glórias esportivas em Cuba.
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