De campeã pan-americana a viver nas ruas: A dramática queda de Lisset Hechavarría, ex-lutadora cubana

A atleta enfrenta uma precariedade extrema, com problemas psiquiátricos visíveis e vivendo em uma casa em péssimas condições, com suas crianças de seis e oito anos.

Lisset HechavarríaFoto © Facebook / Roly Damaso

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A ex-lutadora cubana Lisset Hechavarría Medina, campeã pan-americana e uma das pioneiras da luta livre feminina na Ilha, enfrenta hoje uma situação crítica que comoveu a comunidade esportiva.

Segundo detalhou em Facebook o ex-lutador e influenciador Roly Damaso, a atleta se encontra em condições de extrema precariedade, com problemas psiquiátricos visíveis e residindo em uma moradia em péssimas condições, enquanto seus dois filhos pequenos, de seis e oito anos, dependem dela.

Damaso relatou que Lisset, em seus momentos de lucidez, retorna à sua precária casa, mas grande parte do tempo está em situação de rua. Seu estado de saúde é alarmante e seu comportamento evidencia um deterioro que requer atenção médica urgente.

"Ele não está trabalhando. Sua moradia está em condições muito ruins, algo inaceitável se considerarmos sua trajetória esportiva e o nível de vida digno e empreendedor que sempre teve", destacou.

Captura do Facebook / Roly Damaso

O denunciante também foi enfático ao apontar a responsabilidade das instituições oficiais.

"Esta ex-atleta precisa de atenção médica profissional, um emprego estável e melhorias nas condições de sua casa. Tudo isso só pode ser garantido pelo INDER de Santiago de Cuba e pelo governo cubano. O que hoje suas colegas de equipe oferecem é admirável, mas não é suficiente nem sustentável", apontou.

Captura de Facebook / Roly Damaso

Uma glória esportiva no abandono

A história de Lisset Hechavarría é marcada por conquistas que um dia encheram de orgulho o esporte cubano.

Nascida em 28 de abril de 1984, em Santiago de Cuba, foi uma das primeiras mulheres cubanas a alcançar resultados internacionais na luta, abrindo caminho para gerações posteriores.

Em seu currículo destacam-se a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara em 2011, sete medalhas em Campeonatos Pan-Americanos (orações em 2013 e 2014) e outro título de ouro nos Jogos Centro-Americanos de 2014 em Veracruz.

No entanto, o presente contrasta dramaticamente com o seu passado: hoje sofre com o esquecimento institucional, a falta de atenção médica especializada e a precariedade social.

Críticas às autoridades e censura

Após a denúncia pública, Damaso afirmou que o regime cubano ordenou desmentir a publicação sobre a situação da atleta, o que ele classificou como mais uma demonstração de censura oficial: "É a forma da liderança sem temor a Deus", expressou.

Captura do Facebook / Roly Damaso

Os comentários dos internautas refletem uma mistura de indignação e tristeza.

"Esses genízaros comunistas os usam e depois os abandonam", escreveu um cubano de Pinar del Río.

A treinadora Yoennis Chapman Toledo, de Las Tunas, pediu a atletas e glórias esportivas de Cuba e do mundo que se unam para ajudar sua companheira: "Ela é uma verdadeira guerreira dentro e fora dos colchões de luta. É hora de ajudar".

Outro treinador de luta nos Estados Unidos lamentou a gravidade do caso: "Os nervos são uma doença delicada, complexos de tratar. Veremos como podemos apoiar uns aos outros."

Um santiaguero, surpreso com a notícia, lembrou que no ano passado conversou com Lisset. "Eu a vi nervosa, mas não pensei que chegaria a esse ponto."

Outros usuários foram mais críticos: "É o que vivem muitas das nossas glórias esportivas: abandonadas e em situações precárias. Os mais jovens não escaparão disso. Está acontecendo com todos, não apenas com glórias do esporte, mas também com médicos, professores e trabalhadores em geral".

Uma queda que interpela

A dramática situação de Lisset Hechavarría reflete um padrão que afeta muitos atletas cubanos após a aposentadoria: esquecimento, miséria e falta de apoio institucional.

Enquanto o governo se orgulha em atos oficiais das conquistas históricas do esporte cubano, as histórias de vida daqueles que conquistaram essas medalhas mostram o outro lado: precariedade e abandono.

"Somente com a verdade poderemos exigir soluções das autoridades competentes", concluiu Damaso em sua publicação.

Perguntas frequentes sobre o abandono de atletas em Cuba

Qual é a situação atual de Lisset Hechavarría, a ex-lutadora cubana?

Lisset Hechavarría, ex-lutadora e campeã pan-americana, se encontra em uma situação crítica. Vive em condições de extrema precariedade, com problemas psiquiátricos visíveis e em situação de rua. Apesar de seu destacado percurso esportivo, não recebe o apoio necessário do governo cubano nem do INDER, enfrentando um abandono institucional preocupante.

Qual é a responsabilidade das autoridades cubanas no caso de Lisset Hechavarría?

As autoridades cubanas, especificamente o INDER e o governo de Santiago de Cuba, têm a responsabilidade de garantir atendimento médico, emprego e condições de vida dignas para Lisset Hechavarría. Até o momento, não cumpriram com essas obrigações, deixando a ex-atleta no esquecimento.

Existem outros casos de abandono de glórias esportivas em Cuba?

Sim, há múltiplos casos de abandono de glórias esportivas em Cuba. Exemplos incluem o ex-lutador Arturo Díaz, que enfrenta condições deploráveis em um hospital, e Margarita Skeet, uma destacada jogadora de basquete que vive em total abandono. Esses casos refletem um padrão sistemático de desatenção a antigos atletas por parte do governo cubano.

Como a comunidade reagiu à situação de Lisset Hechavarría?

A comunidade esportiva e os internautas demonstraram indignação e tristeza diante do caso de Lisset Hechavarría. Muitos criticaram a censura e a desinformação por parte do regime cubano. Atletas e treinadores pediram solidariedade e apoio para ajudar Lisset, evidenciando o descontentamento generalizado com o tratamento das glórias esportivas em Cuba.

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