O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, inflamou novamente sua oratória com um discurso proferido diante de centenas de generais e almirantes em Quantico, Virginia, onde voltou a qualificar Vladimir Putin de “tigre de papel” e expressou sua profunda frustração pela prolongação da guerra na Ucrânia.
“De cinco a sete mil soldados morrem por semana. Pensem nisso. No entanto, acho que conseguiremos resolver. Mas isso tem se mostrado o mais difícil. Estou muito decepcionado com o presidente Putin”, declarou Trump, que assegurou ter avisado o líder russo que o conflito “o fazia parecer fraco”.
O republicano acrescentou que tinha pensado que Putin seria capaz de alcançar uma vitória fulminante: “Pensei... pensei que ele resolveria isso. Deveria ter terminado esse trabalho em uma semana. E eu disse, sabe, você... não está se saindo bem. Você está há quatro anos travando uma guerra que deveria ter durado uma semana. Você é um tigre de papel?”.
O discurso, com mais de 70 minutos, foi recebido com frieza pelos altos escalões militares, que se limitaram a ouvir em silêncio, seguindo as orientações do Pentágono de manter a neutralidade política. Somente ao final houve um aplauso discreto.
Ucrânia e a mudança de tom de Trump
As palavras do presidente chegam em meio a uma mudança diplomática. Na semana passada, durante a Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque, Trump expressou um apoio explícito a Zelenski, assegurando que com o apoio da Europa e da OTAN, A Ucrânia pode “recuperar seu país em sua forma original e até ir além”.
“Ele é um homem valente e está lutando com todas as suas forças. A Ucrânia tem um grande espírito”, afirmou então. Zelenski respondeu agradecendo publicamente a mudança de postura e sublinhou que “não se podem trocar territórios” diante de uma invasão.
Trump justificou seu apoio pelo desgaste militar e econômico da Rússia, que descreveu como uma potência “sem rumo” após três anos e meio de guerra. Ele também enfatizou que, com paciência e ajuda militar e financeira, Kiev pode inclinar a balança.
A reação do Kremlin
As declarações não tardaram a provocar a resposta de Moscovo. O porta-voz presidencial, Dmitri Peskov, rejeitou a metáfora utilizada por Trump: “A Rússia não é um tigre, é um urso. E não existemursos de papel”.
Segundo Peskov, as operações militares estão avançando de forma "cuidadosa" para minimizar as baixas e acusou Trump de não compreender a "realidade da linha de frente", onde —garantiu— as tropas russas continuam ganhando terreno. Também alertou que o tempo está contra aqueles que se recusam a negociar com Moscou.
O pulso retórico entre Washington e o Kremlin reflete a crescente tensão em torno da Ucrânia, enquanto a UE celebrou o apoio de Trump como um sinal de unidade ocidental.
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